No Limite da Loucura - Maureen Johnson

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Nome da Estrela foi um livro que tinha tudo para dar certo, mas acabou me decepcionando devido a alguns detalhes já mencionados em sua resenha. O que realmente me deu forças para ler sua "continuação", intitulada de No Limite da Loucura, foi a escrita fluida, rica e provocativa de Maureen Johnson. 




Uma das autoras mais queridas do público jovem na Inglaterra e nos EUA, e celebridade no Twitter, Maureen Johnson deixa sua protagonista Rory Devereaux No limite da loucura na eletrizante sequência de O nome da estrela. Depois de se envolver no misterioso caso do assassino em série que se fazia passar pelo lendário Jack, o Estripador, espalhando o medo pela capital britânica, a garota é enviada para a casa dos pais em Bristol. Mas ela não pensa duas vezes quando tem uma chance de retornar a Wexford e reencontrar os amigos. Sua volta a Londres, no entanto, revela mais sobre seus próprios poderes do que ela poderia supor e a põe no centro de uma nova – e sinistra – onda de crimes que vêm desafiando até mesmo a polícia secreta que combate os fantasmas na cidade. No segundo livro da trilogia Sombras de Londres, Rory Devereaux precisa enfrentar seus próprios medos e agir antes que seja tarde.




Nesta trama vemos Aurora Deveaux, ou Rory, regressando para Bristol, onde passa a frequentar sessões de terapias como uma forma de esquecer o que aconteceu no primeiro volume e assim poder seguir com sua vida normalmente, apagando seus conhecimentos sobre as Sombras, a polícia secreta que caça os fantasmas de Londres. Logo após sua saída, Charlie, dono de um pub próximo a Wexford, foi morto a marteladas por Sam (supostamente) funcionário do local. O que deixou tudo mais estranho e misterioso foi que mesmo após ele ter assumido o crime, outros começaram a ocorrer na região, deixando algumas pontas soltas e um problema no ar: quem estaria provocando esses atos?

Após algum tempo em Bristol e idas às sessões de terapia, Julia, sua psicóloga, chega à conclusão que Rory já pode retornar às aulas em Wexford com o pretexto de que isso irá lhe ajudar na recuperação. Contudo, seu andamento escolar estava mais que atrasado e ameaçado, forçando-a a se esforçar mais um pouco em meio as decisões de sua vida e a esse novo mistério que percorre as ruas de Londres. 

O que você faria se estivesse próximo da loucura?

- ... cada um de nós tem um primeiro contato com a morte de forma diferente. Quero que você tente se lembrar... Como foi para você?
Tive que me conter. Se sua psicóloga pergunta como foi seu primeiro contato com a morte, é meio esquisito você praticamente saltar da poltrona de empolgação porque essa é de longe sua história preferida de todos os tempos. Acontece que minha história de "primeiro contato com a morte" é muito boa.
Pág.: 16/17

No Limite da Loucura tem os mesmos problemas de seu antecessor, principalmente no que se refere ao seu desenvolvimento, feito de forma lenta e sem grandes elementos que fixam a atenção do leitor, o que pode acarretar em desistências. O grande problema deste livro é a falta de um balanceamento entre as tramas, o que culminou em um descompasso que é sentido pelo leitor logo nas primeiras páginas. O que quero dizer é que a autora nos apresenta o plot do assassinato na introdução, passa mais da metade da obra mostrando os dramas de Rory diante de todos os acontecimentos do último volume, o que poderia ter sido resumido, e retoma a história do crime quase no final.

Rory apresenta quase a mesma personalidade do primeiro volume, sem demonstrar quase nenhuma evolução. O que percebi nela foi que há mais humor e ironia em seus diálogos e pensamentos, principalmente durante as sessões de terapia. Os desenvolvimentos dos personagens secundários foram praticamente ignorados, sufocados pela dedicação da autora em mostrar os dramas de Aurora. O que mais aparece na história é Stephen, com seu aspecto um pouco reservado e misterioso que pode não agradar a todos. O livro é narrado em primeira pessoa através de uma escrita rica em detalhes capaz de provocar a imaginação do leitor durante a leitura. 

Maureen Johnson, autora.

Toda a atenção estava sobre mim, e era possível que a conversa ficasse empacada se eu não saísse do lugar logo e obedecesse. Lembrei a mim mesma de que eu não era uma policial treinada, nem uma profissional de saúde mental nem nada parecido. Era uma estudante de ensino médio, uma estrangeira, e tinha me metido naquilo tudo por puro acaso, portanto, não era minha obrigação ser forte e corajosa. Por outro lado, eu é que tinha exigido estar ali.
Pág.: 160

O encerramento do livro foi um pouco previsível e deixou algumas pontas soltas, sem necessidade, para o terceiro volume. No Limite da Loucura foi uma grande decepção e infinitamente inferior ao seu antecessor. A impressão que tive é que a autora tomou outros rumos e ficou perdida nesse caminho, sem ter para onde ir e dando inúmeras voltas. Não recomendo àqueles que esperam demais desta trama. 

A diagramação segue a mesma do primeiro volume, com um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Na edição contamos com páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma capa misteriosa. A tradução foi feita por Sheila Louzada e não encontrei erros aparentes na revisão.