Filha das Trevas - Kelly Keaton

Hey pessoal, tudo bem?

Filha das Trevas, primeiro livro da série Deuses & Monstros, foi um livro complicado de formar uma opinião sobre. Por um lado temos uma escrita muito bem elaborada e um desenvolvimento de personagem de fazer inveja a muitos autores. Por outro, contamos com uma personagem adolescente que não está satisfeita com a vida que leva - o que por si só já é suficiente para quase me fazer abandonar um livro -, e um dos maiores clichês de livros do gênero: desvendar os mistérios do seu passado. 





Ari se sente perdida e solitária. Com olhos azul-esverdeados e cabelos prateados esquisitos, que não podem ser modificados nem destruídos, sempre chamou a atenção por onde passava. Depois de crescer em casas adotivas, tudo o que quer é descobrir de onde veio e quem ela é. Em sua busca por respostas, encontra uma mensagem escrita pela mãe morta há muito tempo: fuja. A garota percebe que precisa voltar para o local de seu nascimento, Nova 2 — a cidade luxuosa, que foi inteiramente remodelada —, em Nova Orleans. Lá, ela é aparentemente normal. Mas cada criatura que encontra, por mais mortal ou horrível que seja, sente medo dela. Ari não vai parar até desvendar os mistérios de sua existência. No entanto, algumas verdades são terríveis e assustadoras demais para serem reveladas.




Ari é uma adolescente que passou grande parte da vida em orfanatos e mudando de casas, até que finalmente é adotada por um casal que a ama e protege. Contudo, ela não está satisfeita, o que não é novidade nenhuma em se tratando de um livro YA com uma protagonista de 17 anos. Como se esse clichê já não bastasse, ela ainda possui essa urgência em descobrir os segredos do seu passado e os motivos que levaram sua mãe a lhe abandonar, o que dá inicio a uma série de eventos instigantes, mas confusos e que deixam aquela sensação de "já li isso em algum outro lugar".

Ari

Eu não sou louca. Confie em mim. 
Pág.: 17

Um aspecto que me cativou muito na obra, foi a forma como a autora conseguiu mesclar mitologia com elementos sobrenaturais, como shapeshifters (transmorfos ou troca-formas, dependendo de algumas lendas). Quando vi comentários que ela fez isso na obra, confesso que fiquei com um pé atrás, pois normalmente são dois elementos que não dão muito certo juntos. Contudo, confesso que gostei da forma que ela o fez e foi uma surpresa muito agradável ver que, mesmo com todos os clichês presentes, a autora ainda conseguiu ser original em alguns aspectos. 

Entretanto, mesmo tendo gostado do que fora acima mencionado, devo salientar que frequentemente pensei em desistir da leitura. Ari é uma adolescente que é teimosa e está disposta a fazer de tudo para obter respostas, mesmo que para isso ela tenha que ignorar os avisos de todos ao seu redor. Como exemplo, temos o fato de que ela prometeu não ir a Nova 2 sem seus pais adotivos, e ainda assim ela vai, afinal, o que poderia dar errado? (¬.¬).

Mostre sua verdadeira face.

O sangue congelou nas minhas veias.
Na minha mente, não havia dúvidas sobre quem era essa nova presença no salão. Quem mais poderia ser?
Pág.: 204

O final foi um tanto quanto surpreendente, pois ao longo da história criei várias teorias sobre o passado e origem da protagonista, e pouquíssimas delas estavam corretas, o que foi uma surpresa. Infelizmente não posso dar muitos detalhes, mas quem ama mitologia grega vai adorar o final da obra. 

A edição está simples, mas muito bem feita. A capa é em tons de roxo e amarelo e possui Ari usando uma máscara no estilo "Baile de Gala Vitoriano". A diagramação está agradável aos olhos, sem ilustrações, mas com um espaçamento entre linhas que facilita a leitura. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes. Recomendo para quem gosta do gênero, mas já aviso que as chances de você desistir não são pequenas.