Chapeuzinho Esfarrapado E Outros Contos Feministas do Folclore Mundial - Ethel Johnston Phelps

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Já pararam para pensar na imensidão de histórias que existiam, mas que infelizmente foram perdidas com o decorrer dos séculos por não haver coletores suficiente para registrá-las em obras? Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas reúne contos de várias culturas, e retrata mulheres fortes e inspiradoras.




Quem disse que as mulheres nos contos de fadas são sempre donzelas indefesas, esperando para ser salvas pelo príncipe encantado? Esta coletânea reúne narrativas folclóricas do mundo inteiro — do Peru à África do Sul, da Escócia ao Japão — em que as mulheres são as heroínas das histórias e vencem os desafios com esforço, coragem e muita inteligência. Este livro é para todo mundo que não se identifica com as princesas típicas dos contos de fadas. É para garotas e garotos, para que todos possam aprender que as maiores virtudes de um herói não são exclusivas a um só gênero. Enriquecida com textos de apoio e ilustrações modernas, esta edição é uma fonte inestimável de heroínas multiculturais — e indispensável para qualquer estante.





As protagonistas desse livro não são do tipo que esperam o príncipe encantado aparecer para salvá-las, se desejam algo, mostram que são capazes de conseguir sozinhas. O principal objetivo dessas histórias é ir em contrapartida aos contos que mostram princesas submissas, pois a mensagem de empoderamento feminino é clara, as mocinhas desse livro são tão fortes e competentes quanto os homens. São 25 fábulas recheadas de aventuras e lições importantes. Adorei a Chapeuzinho Esfarrapado, que é uma princesa que não se preocupa com aparência; Unana, uma mãe dedicada em busca dos filhos que foram sequestrados e a senhora otimista de O kow de Hedley.

Chapeuzinho Vermelho

- Você podia tirar esse capuz esfarrapado e limpar a fuligem do rosto – insistiu, irritada, pois queria que sua amada irmã estivesse bonita.
- Não – respondeu Chapeuzinho. – Vou assim, como estou.
Pág.: 33

É importante ler histórias onde as mulheres são vistas como valentes e ativas, mas algumas me deixaram incomodada por abordarem ideias que se desviam muito daquilo em que acredito. Em A Lagarta Gigante, os homens se acovardam ao ver o tamanho da lagarta que engoliu um menino, as mulheres, para mostrar que não sentem medo, matam a criatura e resgatam o jovem. Essa história poderia ser melhor se eles se unissem no salvamento ao invés de ocorrer essa inferiorização da imagem masculina. Kate Quebra-Nozes é outro exemplo, há uma inversão de papeis, existe um príncipe enfeitiçado e uma jovem quebra o encanto (Alô, Branca de Neve!), além disso, frases como: "Os homens tiveram que ficar onde estavam - abaixo das mulheres." acabavam com um contexto interessante.

As personagens são fortes, decididas e defendem o que acham certo. Algumas me cativaram mais do que outras, mas todas demonstram ter muita coragem. Os nomes, cenários e estilo das narrativas variam de acordo com a região onde se originaram, Paquistão, Escócia, Cornualha e Equador são apenas alguns dos diversos locais de onde foram extraídas. Esse passeio por diversas culturas nos mostra um pouco das crenças e justificativas que alguns povos utilizam para explicar certos fatos.

Kate Quebra-Nozes

Agora que as mulheres tinham ido embora, os maridos as queriam de volta. Sentiam-se sozinhos e tristes, então se juntaram para pensar no que fazer.
Decidiram usar suas próprias cordas de pena de águia para ir ao céu atrás das esposas.
Pág.: 52

Tenho certeza de que Chapeuzinho Esfarrapado e Outros Contos Feministas do Folclore Mundial  é capaz de agradar a todos os públicos, independentemente da idade, sexo ou princípios, isso ocorre porque apesar de ser um livro focado em demonstrar a força feminina, ele contém um enredo leve e divertido. Como já disse, algumas histórias não passam uma mensagem muito interessante para a atualidade, mas a maior parte data do final do Séc. XIX e início do Séc. XX, (ou seja, foram criadas durante a primeira onda feminista, onde a nossa força estava começando a ser vista). Considerei esses aspectos como marcos históricos da sociedade na época, segui em frente com a leitura e não me arrependi, dá para extrair muita lição bacana.

A capa é simplesmente maravilhosa, estou apaixonada pelo tom de azul, a combinação de cores e arte presentes deram a ela um charme especial. A diagramação é simples, mas bem elaborada, existem algumas ilustrações belíssimas que dão mais vida às cenas lidas. As páginas são brancas e a fonte é mediana. Leitura parcialmente recomendada.