O Código Da Vinci - Dan Brown

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Código Da Vinci mal havia chegado ao mundo em 2003 e já estava causando polêmica no âmbito religioso devido, exclusivamente, ao seu conteúdo, que segundo eles seria uma afronta aos ensinamentos e à vida de Jesus Cristo na Terra. Como já era de se esperar, o livro foi um sucesso de vendas e acabou recebendo, em meio às críticas positivas, avaliações contundentes de religiosos. 


Um assassinato dentro do Museu do Louvre traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo.
Com a ajuda da criptógrafa Sophie Neveu, o professor de Simbologia Robert Langdon segue pistas ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci e se debruça sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental – do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal.
Mesclando os ingredientes de um envolvente suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, O Código Da Vinci consagrou Dan Brown como um dos autores mais brilhantes da atualidade e agora chega em nova versão, especialmente preparada para o público jovem, com fotos coloridas que enriquecem ainda mais o livro.




O que parecia ser uma habitual noite para Robert Langdon, professor de Simbologia Religiosa da Universidade de Harvard, acabou se tornando uma grande aventura para desenredar a maior conspiração do mundo. Após o curador do museu do Louvre, Jacques Saunière, ter sido encontrado morto na Grande Galeria, Langdon foi chamado devido às simbologias encontradas em seu corpo e à sua estranha posição que reproduzia a do Homem Vitruviano. O que ele não esperava era que um último trecho de uma das pistas deixadas por Saunière o tornaria o suspeito número um aos olhos da polícia francesa, principalmente do delegado Bezu Fache, simpatizante da Opus Dei, uma organização que vem há séculos tentando pôr as mãos na Pedra-Chave, que revelaria parte do segredo, para destruí-la. 

Com a ajuda de Sophie Neveu, uma criptógrafa da DPJF (Departamento de Polícia Judiciária Francesa) e neta de Saunière, Langdon consegue sair do Museu do Louvre, dando início a uma grande investigação que os conduzirão ao maior segredo já guardado e que pode abalar os pilares da igreja como a conhecemos. 

A Última Ceia
Uma pintura. Vários símbolos.
SO DARK THE CON OF MAN
Tão sombria a traição dos homens
Pág.: 84

Aos que não sabem, O Código Da Vinci é o segundo livro que traz o professor Robert Langdon como protagonista, sendo sua primeira aparição em Anjos e Demônios (2000), outra obra do autor que causou polêmica em seu lançamento. Não vou negar que mantenho certo fascínio pelas obras de Dan Brown, já que suas narrativas conseguem causar discussões que afetam diversas áreas que possuem instrumentos correlacionados com a religião, como a cultura, a arquitetura das igrejas e a arte em si, carregada de interpretações e de símbolos e seus significados, que podem ter sido alterados de acordo com a necessidade humana de um determinado período. 

Por misturar ficção com a realidade, o que já podemos considerar como uma das mais visíveis características do autor, o livro conta com inúmeras descrições de obras de artes, elementos da arquitetura e, principalmente, fatos históricos. Devido a isso, há muitas explicações que auxiliam os leitores mais leigos nos assuntos ali expostos, o que é bom por um lado, mas por outro pode acabar entediando aqueles que já detêm maiores conhecimentos, levando-os a crerem que o autor está apenas enrolando na narrativa. A obra é narrada em terceira pessoa e apresenta tanto o ponto de vista daqueles que protegem o segredo e daqueles que desejam destruí-lo.

Dan Brown é conhecido por sua escrita simples, mas que consegue reproduzir sensações e emoções nos leitores devido às suas boas descrições de cenas de ação e, sobretudo, mistérios. Em consequência, é difícil não se apegar à sua narrativa carregada de enigmas. O interessante é a forma como nós mesmo paramos um pouco a leitura com o intuito de tentar decifrar os problemas antes dos personagens, que por sinal apresentam personalidades singulares, como é o caso do albino Silas, fiel seguidor da Opus Dei, ou o Bispo Manuel Aringarosa. Impossível não sentir um pequeno ódio por eles.  A trama em si gira em torno de uma sociedade secreta, o Priorado de Sião, que tinha como membros renomados cientistas, pesquisadores e artistas, como Leonardo da Vinci, Victor Hugo, Sir Issac Newton, dentre outros que seriam responsáveis por guardar e transferir o grande segredo a cada geração afim de mantê-lo "vivo". 

O Código Da Vinci recebeu em 2006 uma adaptação cinematográfica com Tom Hanks encarnando Robert Langdon. Depois de ler esta obra, revi o filme e pude tirar algumas conclusões: (1) o filme tenta mostrar a todo momento que o professor é mais inteligente que Sophie Neveu; (2) que aparece quase que somente uma mera ajudante feminina, o que é bem diferente do que vemos no livro, onde ela demonstra maior inteligência e rapidez para decifrar os enigmas e anagramas presentes ao longo da trama; e (3) há algumas diferenças de locais, situações e caracterização de alguns personagens. Entretanto, o filme consegue expressar a essência do livro e pude perceber que alguns diálogos foram mantidos. 

Capela Rosslyn
Capela Rosslyn e sua arquitetura gótica.
IN LONDON LIES A KNIGHT A POPE INTERRED.
Cavaleiro em Londres um Papa enterrou.
Pág.: 207

O final do livro pode ser um pouco previsível para quem nunca o leu, visto que há algumas dicas ao longo da trama que podem levar o leitor a conclusão, mas isso não retira a emoção das reviravoltas e revelações. Por mais que seja uma ficção, O Código Da Vinci foi uma excelente leitura e uma visita a arte e arquitetura renascentista e gótica, apesar de alguns críticos evidenciarem suas insatisfações sobre Dan Brown ignorar alguns elementos destas duas áreas que se correlacionam. 

Esta é uma edição especial para jovens, portanto, há algumas ilustrações e fotos no meio do livro que podem ser consultadas ao longo da leitura, até mesmo para apreciar ou se situar. Além disso, contamos com páginas amareladas e uma bela ilustração na capa que brinca com o anagrama da Pedra-Chave. Sobre a diagramação, há um ótimo espaçamento entre linhas e um agradável tamanho de fonte. Não encontrei erros aparentes na revisão.