Boa Noite - Pam Gonçalves

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

O sonho de muitos jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio é iniciar a faculdade. Se for para morar em uma República e ir a festas com os amigos sempre que possível, é melhor ainda (Rsrsrsrsrs)! Contudo, há um lado ruim em morar fora, já que em momentos difíceis o colo dos pais é o melhor lugar do mundo, mas essa nova fase pode provocar mudanças positivas e essenciais para o amadurecimento. Boa Noite irá mostrar como a vida universitária pode ser conturbada.


Alina quer deixar seu passado para trás. Boa aluna, boa filha, boa menina. Não que tudo isso seja ruim, mas também não faz dela a mais popular da escola. Agora, na universidade, ela quer finalmente ser legal, pertencer, começar de novo. O curso de Engenharia da Computação - em uma turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números -, a vida em uma república e novos amigos parecem oferecer tudo que Alina quer. Ela só não contava que os desafios estariam muito além da sua vida social. Quando Alina decide deixar de vez o rótulo de nerd esquisitona para trás, tudo se complica. Além de festas, bebida e azaração, uma página de fofocas é criada na internet, e mensagens sobre abusos e drogas começam a pipocar. Alina não tinha como prever que seria tragada para o meio de tudo aquilo nem que teria a chance de fazer alguma diferença. De uma hora para outra, parece que o que ela mais quer é voltar para casa.





Alina nunca teve uma vida social muito movimentada. Rotulada como a nerd da turma durante o Ensino Médio, decide que as coisas serão diferentes na faculdade. Após se matricular no curso de Engenharia da Computação, ela vê um anuncio de vaga na República das Loucuras, lugar onde acaba conhecendo pessoas maravilhosas a ponto de mostrar que nosso lar é onde o coração está. Aos poucos ela vai se adaptando e vendo em seus companheiros uma verdadeira família.

O período em que cursamos o Ensino Superior é um dos mais marcantes de nossas vidas, conhecemos pessoas com objetivos parecidos com os nossos e frequentamos novos ambientes. Boa Noite mostra o lado bom de estar na universidade, mas também foca nos perigos que isso pode acarretar, principalmente se você for mulher, afinal, nunca se sabe o que colocam em nossas bebidas e o que pode acontecer se acabamos perdendo a consciência. Nossa única certeza é de que não importa se somos as vítimas, seremos julgadas, afinal, "ninguém mandou ir à festas", "ninguém mandou usar roupa curta", "ninguém mandou beber muito", etc. Isso precisa mudar.

Apenas seja cuidadosa...

É bem legal essa coisa toda de independência, poder fazer o que quiser sem dar satisfação ou não ter meus pais sempre dando opinião. Mas agora, aqui, sozinha, depois de uma semana vivendo essa nova realidade, caiu a ficha de que nem tudo é mil maravilhas.
Pág.: 52

A história é leve e divertida do começo ao fim, é impossível não se identificar com alguns aspectos da protagonista e sofrer junto com ela toda vez que algo dá errado, ou que uma injustiça é relatada. Estou encantada pela escrita da Pam Gonçalves, ela me prendeu desde o primeiro momento com um conteúdo que vai evoluindo cada vez mais e acaba fazendo com o leitor fique apreensivo e louco para saber o final. Além disso, esse livro serve como um alerta para todas as calouras, lembrando que a faculdade pode ser sim a realização de um sonho, mas que é preciso ter cuidado.

Adorei cada um dos personagens. Manu é totalmente insana e divertida, uma festa por noite não é o suficiente para acabar com o ânimo que essa moça tem para balada, ela é esperta e dá os melhores conselhos. Gustavo é super protetor com as pessoas de quem gosta, é fofa a maneira como ele lida com o pessoal que mora na República. Talita e Bernardo é o tipo de casal insaciável, na maior parte das cenas em que aparecem estão se pegando, mas são divertidos.

Em um momento difícil, ajude, não julgue!

Mesmo com toda essa tragédia eu me sinto feliz por ter ajudado de alguma forma. Por ter sido útil. Por conseguir fazer a diferença. Ao contrário do que somos educadas a pensar, as outras mulheres não são nossas inimigas, mas sim nossas irmãs. Um time. O exército que precisamos proteger. Se não protegermos e cuidarmos umas das outras, não serão os homens que o farão por nós.
Juntas somos muito mais fortes.
Pág.: 228

Quando iniciei a leitura pensei que seria uma história despretensiosa, com um romance a ser desenvolvido enquanto Alina se descobre como uma nova mulher, entretanto, quase chorei de felicidade quando percebi que era uma narrativa sobre empoderamento, arrepiei quando o movimento Vamos Juntas? foi citado e aplaudi a atitude da protagonista de tentar solucionar os casos de abuso sexual que acontecem em festas de faculdade. Esse assunto precisa ser discutido e a culpa NUNCA é da vítima, não importa onde ela estava ou como se comportou. Nós precisamos nos unir para acabar com essas agressões, pois boa parte dos casos são abafados ou não ganham a devida importância. Meninas que estão se preparando para a vida universitária, vocês PRECISAM ler essa obra e buscar sempre ir à luta quando perceber que algo de errado está acontecendo.

A capa é bonita, acredito que retrata a República das Loucuras. A fonte é pequena, mas isso não atrapalha a leitura pois há um espaçamento ideal entre as linhas. Não encontrei erros de revisão. Simplesmente AMEI esse livro, leitura obrigatória.