A Outra Casa - Sophie Hannah

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Há algum tempo que venho lendo somente livros do gênero fantasia. Pensando em fugir um pouco desta categoria e tentando me reaproximar de um dos temas que mais adoro, escolhi A Outra Casa, escrito por Sophie Hannah, cuja premissa chamou bastante a minha atenção em um primeiro contato. Entretanto, não posso deixar de mencionar que este, apesar de ser o sexto volume da série Spilling, foi o primeiro livro que leio da autora.




Autora de A vítima perfeita, lançado pela Rocco na FLIP 2015, e escolhida pelos herdeiros de Agatha Christie para dar vida nova ao célebre detetive Hercule Poirot, a inglesa Sophie Hannah constrói, em A outra casa, uma trama sofisticada em que o suspense é apenas um dos elementos da narrativa. Na história, os detetives Simon Waterhouse e Charlie Zailer são obrigados a interromper sua lua de mel para atuar num caso sombrio envolvendo o casal Connie e Kit Bokskill e um corpo de mulher revelado em circunstâncias inusitadas, quando Connie resolve pesquisar casas à venda num site imobiliário na internet. Com doses equivalentes de humor, aventura e mistério, Sophie Hannah entretém o leitor e, ao mesmo tempo, o convida a uma instigante reflexão sobre relacionamentos familiares, profissionais e amorosos.




Nesta trama iremos conhecer uma conturbada parte da vida de Connie e Kit Bokskill. Após não conseguir dormir, Connie resolve dar uma pesquisada em um site imobiliário, onde acaba se interessando por uma residência, fazendo um passeio virtual pelos cômodos. Contudo, para sua surpresa e espanto, ela acaba se deparando com o corpo de uma mulher envolto por uma poça de sangue na sala de estar. Diante desta cena, acorda o marido que nada vê, além de um tapete na sala, na tela do computador. Confiante do que havia visto, ela abre uma investigação com a ajuda dos detetives Sam Kombothekra e Simon Waterhouse para descobrir qual é a identidade da pessoa morta. O que ela não esperava era que alguns segredos e motivos sombrios seriam revelados.

Capa estrangeira.

Eu estou maluca? Anton não ouviu o que falei sobre ver uma mulher assassinada caída numa poça de sangue e conversar com um detetive esta manhã? Por que ninguém o está mandando se calar? Ninguém me ouviu? Que nenhum deles tenha algo a dizer sobre o tema me parece tão impossível quanto o que vi no meu laptop noite passada - impossível, ainda assim real, a não ser que eu tenha perdido minha capacidade de distinguir realidade de seu oposto.
Pág: 85

Apesar da obra ter sido o meu primeiro contato com a escrita de Sophie, tive a sensação de estar lendo alguma história do Harlam Coben, justamente pela forma detalhada que a narrativa foi feita, proporcionando varias emoções, principalmente angústia, seja pelos acontecimentos ou pelos personagens, como a própria Connie, cujos pensamentos acabaram influenciando na sua sanidade mental. Não vou negar que o livro pode causar em alguns momentos certas confusões devido à algumas reflexões acerca de como a sociedade é. bem como suas interações, entretanto, estas foram as partes que mais gostei justamente pelo fato de conterem grandes potenciais para um bom debate sobre sociologia e psicologia. 

A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, sob o ponto de vista da Connie, logo, é possível sentir e ter um vislumbre da sanidade mental da protagonista em um dos piores momentos de sua vida. Além disso, seus capítulos são divididos por datas, o que pode acabar confundindo alguns leitores e desagradando aqueles que não gosta dessa organização textual. Apesar disso, devo ressaltar que o começo da trama é, de fato, devagar e que é necessário ter paciência quanto ao seu detalhado desenvolvimento. Felizmente, a história conta com diversos suspenses, emoções e, principalmente, pressão psicológica, o que, de alguma forma, impulsionou a minha leitura. Os personagens principais, como Connie e os detetives, e até mesmo os secundários, foram bem desenvolvidos e cada um teve o seu momento no enredo.

Sophie Hannah, autora

Onde o jovem perdido foi parar?
Pág.: 388

Apesar de fazer parte de uma série, A Outra Casa conta com um final definitivo um tanto quanto surpreendente. De uma forma interessante, a história escrita por Sophie acabou me conquistando, provocando uma vontade de querer ler suas outras publicações.  

A diagramação está simples, com um tamanho de fonte agradável e ótimo espaçamento entre linhas. Na edição contamos com páginas amareladas, plantas baixas esquemática do térreo e o do primeiro pavimento da casa logo no início, e uma capa com uma fotografia um tanto quanto intrigante, mostrando um pouco da atmosfera da trama. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. A tradução foi feita por Alexandre Martins. Deixo a minha recomendação para quem gosta de um bom romance policial e para os fãs da Agatha Christie.