Apenas Um Garoto - Bill Konigsberg

Hey pessoal, tudo bem?

Quando fiz o Li Até a Página 100 e... de Apenas Um Garoto (acesse aqui), estava com altas expectativas para com a obra, pois ela possui uma premissa cheia de potencial, uma narrativa bem elaborada e um personagem principal com um senso de humor muito divertido. Contudo, fui com muita sede ao pote, o que fez com que a obra entrasse para o Top Decepções Literárias de 2016.




Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa. Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco.O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.






A sinopse resume bem a obra. Rafe é um garoto que nunca sofreu preconceito ou bullying por ser gay. Se assumindo aos 13 anos, ele contou com o apoio e amor de seus pais, bem como da aceitação de seus colegas de escola e comunidade no geral. Contudo, ele estava cansado de ser rotulado como "o garoto gay", e por isso decide começar tudo de novo no Internato Natick, uma escola só para meninos. Lá ele não era mais o amigo gay, ou o representante de uma causa, ele era apenas Rafe, um adolescente que queria jogar Futebol Americano e conversar sobre banalidades com seus amigos héteros, deixando todos os rótulos para trás. Até que ele começa a se apaixonar por seu melhor amigo.


- Queria saber o que um garoto de 6 anos precisa fazer para se tornar o líder de uma gangue - refleti. - Roubar uma loja de conveniência de Lego?
Pág.: 21

Como disse no começo do texto, esse é um livro bem desenvolvido e com uma narrativa que encanta o leitor logo no começo. O autor conseguiu passar uma imagem bacana sobre a necessidade que a sociedade tem de rotular tudo e todos, quando na verdade todos somos apenas seres humanos. Contudo, não gostei de algumas partes da obra, como um capítulo inteiro (não posso dar detalhes por ser spoiler) cuja única função era mostrar que na Natick as coisas são diferentes da antiga escola de Rafe, algo que poderia ser em resumido em poucos parágrafos. 

Os personagens são divertidos e profundos. Impossível não se divertir com as paranoias e teorias de Albie e Toby, não odiar Steve, não adorar os comentários sarcásticos de Rafe e não se comover com a bondade e profundidade com a qual Ben se entrega para quem ama. Nesse aspecto, tiro meu chapéu para o autor, pois ele conseguiu criar personagens memoráveis e que irão me acompanhar por toda vida literária. 

Kit que recebi junto com o livro. Os Correios estragaram a caixa T_T.

- Os gregos eram mais inteligentes do que nós e tinham palavras diferentes para diferentes tipos de amor. Storge é o amor da família. Não é o nosso caso. Eros é o amor sexual. Philia é o amor fraternal. E há a forma mais elevada, Ágape - explicou. - Esse é o amor transcendental, como quando você põe a pessoa acima de si mesmo. 
- Você com certeza vai para Harvard.
Ele riu. 
Pág.: 181

O final é onde tudo desanda. Apesar de tudo dito acima, da narrativa, dos personagens, das mensagens que a obra passa e das aventuras do quarteto principal, o final da obra faz com que toda uma concepção criada ao longo de toda a história escorra ralo abaixo. Muitos que leram a obra disseram que o autor quis passar uma mensagem no sentido de que "essa é a vida real", mas não foi assim que interpretei. O que vi foi uma história linda e divertida, com um desenvolvimento ótimo, ser destruída pelas escolhas erradas que o autor fez ao querer passar uma mensagem de realidade aos leitores. Infelizmente não posso entrar em detalhes sobre o que realmente causou tanta decepção, pois isso iria estragar a leitura de quem ainda não começou ou que já está na metade do livro, mas quando vocês chegarem lá irão entender. 

A edição é simples e linda. Possui uma capa com cores fortes, como pode ser visto acima, e a ilustração do que deduzo ser o casal principal do livro. Por dentro temos uma fonte de tamanho mediano e um espaçamento entre linhas na medida certa, o que não faz com que o leitor vá mudar de linha e comece a ler a mesma linha novamente (isso acontece comigo direto ¬¬). Não encontrei erros de digitação ou revisão. Muitos leitores adoraram a obra, ao passo que outros tiveram uma opinião semelhante a minha. Recomendo que cada um leia para tirar as próprias conclusões.