Meio Rei - Joe Abercrombie

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Joe Abercrombie é um aclamado autor do subgênero Dark Fantasy, tendo escrito livros como O Poder da Espada e Antes da Forca, conhecidos por suas tramas violentas e sanguinárias. Desta forma, fiquei um pouco ansioso quando a Editora Arqueiro anunciou o lançamento de Meio Rei, mesmo estando ciente que este provavelmente seria um romance mais direcionado aos jovens e que por efeito, não teria cenas tão brutais. 


Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro.
Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem.
Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava.
Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo.


Nesta trama iremos conhecer Yarvi, filho caçula de Uthrik, rei de Gettland. Como havia nascido com a mão deformada era considerado uma aberração, o que fez com que seu destino fosse o de se tornar um ministro, e para que isso ocorresse, ele estudava com Mãe Gundring. Em uma de suas sessões, Yarvi recebe a notícia de que seu pai e seu irmão foram assassinados, traídos ao tentarem fazer um acordo de paz com Grom-gil-Gorm. Sem escolha, ele se vê forçado a assumir o trono deixado pelo pai, devendo se casar com sua prima, Isrium, que havia sido prometida a seu falecido irmão. Com o treinamento de Kemdal e inspirado em levar vingança aos traidores, o jovem irá lutar pelo Trono Negro após ser traído por um dos seus homens e vendido como escravo.

Mapa presente no livro.

O homem brande a foice e o machado, dissera o pai. O homem move o remo e ata o nó rapidamente. Acima de tudo, o homem segura o escudo. O homem sustenta a linha de combate. O homem permanece ao lado de seu braço direito. Que tipo de homem é incapaz de fazer qualquer uma dessas coisas?
Pág.: 15

Assumindo o primeiro volume da trilogia Mar Despedaçado, Meio Rei apresenta um começo um pouco lento, justamente pelo fato do autor ter dedicado as primeiras cem páginas para estruturar e apresentar todo o seu universo, com suas mitologias, políticas e histórico, assim como o treinamento e os motivos que geraram a sede de vingança em Yarvi. O fato do protagonista ter uma mão deformada e que por isso era considerado fraco pelas demais pessoas, foi um dos pontos mais interessantes desta leitura, pois a ideia de que não é necessário ser forte para ser um herói e conquistar seus objetivos é algo incomum na maioria dos livros de fantasia medieval, onde os mocinhos são apresentados de forma otimista, perfeita, extremamente robustos e com ótimas habilidades de luta.

Yarvi é um personagem que não demonstra força braçal, como seu pai e irmão, pois sua força recai em sua inteligência e conhecimento. Como sempre foi objeto de piadas, sua personalidade se mostrou humorada e sarcástica, mas ao mesmo tempo ressentida e insegura, geralmente evitando se envolver com outras pessoas. A sua evolução vai sendo desenvolvida ao longo da trama de forma gradual, o que pode ou não irritar alguns leitores que já esperam encontrar um protagonista que faça jus ao título. Infelizmente, os personagens secundários não foram bem desenvolvidos, mas cada um exerceu a sua função e acredito que isso se deve ao fato da história estar sempre centrada no Yarvi.

Quem já leu algum livro do autor, sabe que ele tem habilidades com as palavras, sendo capaz de provocar inúmeras sensações e sentimentos nos leitores. Em Meio Rei as coisas não foram diferentes, já que sua narrativa, feita em terceira pessoa e sob o ponto de vista do protagonista, foi competente em prender a minha atenção às páginas por horas, mesmo que o começo tenha sido pouco dinâmico. Apesar de algumas cenas serem muito detalhadas, em alguns momentos elas se mostraram mais diretas no que propunham, auxiliando assim na fluidez.

Capa do segundo volume. A versão nacional terá a mesma ilustração.

[...] - O que você nasceu para ser?
Os homens dele soltaram gargalhadas, mas as pessoas haviam zombado de Yarvi durante a vida toda, e o riso perdera a força contra ele.
- O rei de Gettland - respondeu, e dessa vez sua voz saiu fria e dura como o próprio Trono Negro.
Pág.: 201

Apesar de ser uma trilogia, Meio Rei tem o seu desfecho. Apesar dele ter sido um pouco previsível, ainda é possível ser pego de surpresa com algumas reviravoltas. Meio Mundo é o segundo volume e irá contar com um novo protagonista, mas mantendo Yarvi no plano secundário. Acredito que quem gosta de uma boa fantasia medieval irá adorar este livro.

A diagramação está simples, mas bem bem feita. O livro conta com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Na edição temos páginas amareladas, um mapa mostrando todos os reinos que se encontram próximos do Mar Despedaçado e uma capa com títulos em papel "furta cor" metalizado, bem como uma bela ilustração mostrando Yarvi. Não encontrei erros de revisão aparentes. Deixo aqui minha recomendação para todos os fãs de livros medievais e high fantasy.