Silêncio - Richelle Mead

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Não existe sensação melhor do que desejar muito conhecer o trabalho de um autor e ao fazê-lo ser surpreendido pela qualidade que ele emprega em suas histórias. Richelle Mead me conquistou com sua escrita leve e bem elaborada, estou louca para ler outros livros escritos por ela.



Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis.
O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas.
Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.




Fei e os habitantes do vilarejo onde vive nasceram com uma doença que os impede de ouvir, muitos acreditam que criaturas místicas conhecidas como pixius decidiram levar os sons da vila para conseguir dormir. A ausência da audição é o menor dos problemas de quem mora no alto da montanha, já que a população vive na mais profunda miséria, o solo é infértil e sair do terreno onde habitam é algo impensável, pois uma avalanche bloqueou o único meio de descer a montanha de forma segura, restando a eles somente a opção de fazer o trajeto por meio de rapel, uma atitude perigosa pois novos deslizes de rochas podem ser provocados a qualquer instante.

A única forma de conseguir alimentos é através de um acordo feito com os habitantes de uma cidade localizada na base da montanha, toda semana um sistema de cabos desce com os metais garimpados das minas e sobe com uma pequena provisão de alimentos, a única forma encontrada para manter a sociedade em ordem foi a criação de castas nas quais os artistas ocupam o posto mais alto e recebem uma quantidade maior de comida, e os mineradores estão no mais baixo, recebendo pouca provisão e arriscando a vida nas minas. Quando as pessoas do vilarejo começam a ficar cegas, a quantidade de alimentos é reduzida, levando a todos ao desespero e nossa heroína em uma aventura inimaginável.

Pixiu

O orgulho é a única coisa que me resta, Bao insiste. É a única coisa que resta a qualquer um de nós. Eles estão nos privando de todo o resto. Você já recebeu a notícia sobre os carregamentos de comida. Com esse corte nos suprimentos, precisam mais que nunca do meu trabalho lá dentro. E é lá que vou estar: fazendo minha parte, não perdendo tempo no centro do povoado com os outros pedintes. Não cabe a você ditar as ações de seu pai, rapaz.
Pág.: 33

A escrita de Mead é despretensiosa, a história vai evoluindo aos poucos até chegar ao ponto em que pausar a leitura torna-se uma tarefa difícil. O enredo é muito bem trabalhado, apesar dos primeiros capítulos serem um pouco lentos, mas quando chegamos à metade da obra percebemos o quanto ela evoluiu, e essa mudança traz consigo uma intensidade capaz de deixar o leitor apreensivo e curioso para descobrir como os fatos serão concluídos.

A protagonista é uma mulher dura consigo e exigente na realização de suas tarefas, ela se preocupa mais com as pessoas que ama do que com ela mesma. Acabei adorando a maturidade de Fei, apesar de acreditar que em certos momentos ela deveria dar ouvido ao seu coração, principalmente quando ele quer demonstrar o quanto gosta de Li Wei, um jovem corajoso que luta por seus ideais e se dispõe a descer a montanha para conquistar melhores condições de vida para o seu povoado.

Vilarejo

Fazendo uma pausa, reflito sobre aquelas palavras. Desde pequena, lembro-me da perda da audição sofrida pelo nosso povo sempre ser retratada como uma tragédia, mas jamais havia percebido as coisas dessa maneira. Nunca cheguei a me deter muito no assunto, na verdade, já que é difícil lamentar a perda de algo que nunca se teve.
Pág.: 47

Silencio é o tipo de livro capaz de abrir nossos olhos para a crueldade humana, durante toda a história nos questionamos até que ponto a cobiça pode motivar nossos atos, que custo eles terão e a quem poderá atingir, e isso é como um choque de realidade para o leitor. Não imaginava que uma obra aparentemente superficial traria um mensagem tão profunda. Encantada é a palavra que traduz meus sentimentos após ler a última página.

Confesso que não gostei muito da capa, mas essa opinião se formou após a leitura da obra. Branco é a cor que os personagens usam em funerais, saber dessa informação e ver essa cor na modelo da capa despertou em mim certo desconforto. A diagramação é agradável aos olhos, a fonte é pequena, mas não tão pequena que atrapalhe a leitura, e há um grande espaçamento entre as linhas. Leitura recomendada.