Dorothy Tem Que Morrer - Danielle Paige

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Acredito que muitos já notaram que o mercado editorial, televisivo e cinematográfico está cheio de releituras de clássicos da literatura, como a obra Julieta Imortal (Stacey Jay), as séries Grimm e Once Upon a Time, e os filmes A Garota da Capa Vermelha e Branca de Neve e o Caçador. Desta forma, é neste cenário que o livro escrito por Danielle Paige, Dorothy Tem Que Morrer, se encaixa, já que seu enredo nada mais é que uma releitura sombria do clássico de L. Frank Baum, O Mágico de Oz




Primeiro de uma série, Dorothy tem que morrer engrossa um filão de sucesso no mercado editorial, no cinema e na TV: o reconto de clássicos infantis com nova roupagem para os jovens. Nesta releitura sombria do clássico de L. Frank Baum O mágico de Oz, Amy Gumm é uma nova garota do Kansas, que, em meio a um tornado, é enviada à terra de Oz com a missão de remover o coração do homem de lata, roubar o cérebro do espantalho, tomar a coragem do leão e destruir a garota dos sapatinhos vermelhos. Livro de estreia de Danielle Paige, Dorothy tem que morrer chega ao Brasil depois de figurar na lista dos mais vendidos do The New York Times.





Amy Gumm é uma adolescente que sonha em sair do Kansas algum dia, deixando para trás as decepções que sofrera até então, como sua mãe depressiva que não liga para a filha e as humilhações na escola provocadas por Madison. Tudo muda quando o trailer em que elas moravam é carregado por um tornado, levando Amy ao encontro de uma Oz devastada, sombria e que estava sob o poder da egoísta e perversa Princesa Dorothy e seus aliados: Homem de Lata,  Espantalho e Leão.

As pessoas que eram contrarias aos seus ideais, leis e ordens, fazem parte da Ordem Revolucionária dos Malvados. Eles acreditam que por Amy ter vindo do Kansas, assim como Dorothy, ela é capaz de derrotar a princesa e trazer esperança novamente a Oz. Para que isso aconteça, eles a treinam e até ensinam algumas magias para que ela possa se infiltrar no palácio e então remover o coração do homem de lata, roubar o cérebro do espantalho, tomar a coragem do leão e matar Dorothy.

A Estrada de Tijolos Amarelos não é mais a mesma.

Será que estava maluca? Minha cabeça estava confusa. Se aquilo era uma fantasia, era uma fantasia estranha: esta não é a Oz sobre a qual eu lera ou que vira no filme. Era como se alguém tivesse drenado um pouco do Technicolor e lançado uma escuridão bem severa.
Pág.: 30

Dorothy tem que Morrer é o primeiro volume de uma trilogia homônima. Apesar disso, a série contém seis contos que antecedem os acontecimentos deste livro, sendo eles (em sequência): No Place Like Oz, The Witch Must Burn, The Wizard Returns, Heart of Tin, The Straw King e Ruler of Beasts. A trama desenvolvida por Danielle Paige nada mais é que uma releitura sombria de O Mágico de Oz, sendo que houve uma reconstrução de Oz de uma forma criativa e divertida. Não posso deixar de lado os cuidados que a autora teve ao desconstruir as personalidades e os cenários da história clássica, como tornar Dorothy, que era uma personagem meiga, em alguém cruel ao ponto de fazer o leitor odiá-la.

Aos que estão se perguntando: há romance! Apesar disso, devo dizer que, felizmente, a autora não deixou que este fato atrapalhasse o desenvolvimento da história principal, diferente de alguns livros que acabam tomando outros rumos que fogem a proposta da obra. Amy talvez seja o melhor ponto do livro devido à sua personalidade forte e cheia de princípios, além de ter demonstrado um considerável amadurecimento ao longo da trama. Sua história de vida também acabou se tornando interessante, pois se aproxima muito da realidade de muitas pessoas que tem que lidar com uma mãe depressiva e/ou que não demonstra preocupação para com o(a) filho(a). 

A narrativa é feita em primeira pessoa e sob o ponto de vista da protagonista, contribuindo na compreensão de suas reações e seus pensamentos, além de proporcionar ao leitor a possibilidade de experimentar alguns de seus sentimentos, como compaixão, amor e ódio. Entretanto, apesar dos pontos já citados, devo dizer que o começo do livro é lento para quem já conhecia a Oz do clássico, mas é possível pegar o ritmo da leitura rapidamente. Acredito que isso se deva à apresentação da nova Oz e à contextualização desenvolvida ao longo da primeira metade da obra. 

Capa estadunidense do segundo volume.

- Mas, Dorothy. Vossa Majestade...
- Mate.
Pág.: 275

Por fazer parte de uma trilogia, o livro não tem um final definitivo, mas posso dizer que o encerramento deste consegue instigar o leitor a ler os próximos volumes. Dorothy Tem Que Morrer foi uma leitura que me surpreendeu do começo ao fim, desconstruindo completamente o que já havíamos vistos em O Mágico de Oz, tornando conhecidas personalidades que eram tidas como bondosas em perversos personagens, inclusive Glinda, a "Bruxa Boa do Sul". 

A diagramação está simples, mas com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas e uma intrigante ilustração na capa. Quanto a revisão, encontrei um pequeno erro, mas nada que interfira no entendimento da frase. A tradução foi feita por Claúdia Mello Belhassof. Deixo a minha recomendação a todos, principalmente os amantes de Grimm. 


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