A Guerra dos Mundos - H. G. Wells

Saudações, caros leitores, como vocês estão? 

Há muitos anos assisti ao filme Guerra dos Mundos (2005), dirigido pelo consagrado Steven Spielberg. Apesar de ter ficado admirado e assustado com aquela perspectiva violenta e cruel de uma invasão alienígena na época, hoje tenho a completa certeza de nunca ter visto, até então, a verdadeira história de A Guerra dos Mundos, romance escrito por H. G. Wells e lançado em 1898.





Eles vieram do espaço. Eles vieram de Marte. Com tripés biomecânicos gigantes, querem conquistar a Terra e manter os humanos como escravos. Nenhuma tecnologia terrestre parece ser capaz de conter a expansão do terror pelo planeta. É o começo da guerra mais importante da história. Como a humanidade poderá resistir à investida de um potencial bélico tão superior?








Nesta trama, a Terra é invadida por seres alienígenas vindos de Marte em projeteis cilíndricos que caíram nos arredores de Londres. Na véspera da invasão, algumas explosões na superfície de Marte foram observadas pelo personagem principal e seu amigo astrônomo, Ogilvy, que o havia convidado, para ir no observatório de Ottershaw. Convencido de que um meteoro havia riscado o céu de Winchester e caído em algum campo próximo de Horsell, Ottershaw e o protagonista, que residia próximo do local da queda, vão ao encontro do objeto e chegando lá, para sua surpresa, encontra um cilindro metálico que posteriormente irá atrair observadores curiosos para saber o seu conteúdo. 

Horas mais tarde, eis que o cilindro começa a se abrir e de dentro saí o primeiro marciano, mostrando à humanidade sua estranha aparência, não demorou muito e outros começaram a surgir. Escondido entre as árvores, o personagem principal observa, sem compreender, o extermínio de um grupo de pessoas pelo raio de calor emitido pelos invasores. Passado o choque, ele corre até sua residência, onde parte, ao lado da sua mulher, para Leatherhead. Entretanto, naquele momento, os alienígenas já se locomoviam através de enormes tripés metálicos. A guerra contra os humanos já havia começado. 

 Algumas das ilustrações presentes na edição.

Talvez um boato corresse pelas ruas dos vilarejos, um assunto novo dominasse as tabernas e, aqui e ali, um mensageiro ou mesmo uma testemunha ocular dos últimos acontecimentos causasse comoção, gritos e correria; mas, de modo geral, a rotina de trabalhar, comer, beber e dormir continuou como fora havia séculos - como se não houvesse um planeta Marte no espaço. [...]
Pág.: 98

A história do livro destoa bastante da apresentada na adaptação cinematográfica de 2005, que modernizou o maquinário alienígena e apresentou uma nova história, ambientado-a no século XXI e nos EUA. Para quem nunca havia lido o romance de H. G. Wells e já havia visto o filme anteriormente, a primeira sensação que fica é a de espera, como se você aguardando esperando por algum trecho semelhante ao do longa. Acredito que não foi só comigo que isso aconteceu, mas fica a dica: ESQUEÇA o filme. 

A atmosfera do livro se mostrou bem sombria e em vários momentos o leitor consegue ver a dimensão do caos que os alienígenas disseminaram no Reino Unido e no mundo. Além disso, o autor deixa bem claro como a Terra e os humanos são bem frágeis, há forças incompreendidas no universo e que o pensamento de que somos os seres mais evoluídos não passa de uma ignorância humana. As críticas sociais e ambientais presentes versam sobre vários aspectos, como o egoísmo e o poder de autodestruição da nossa própria espécie. 

A forma como o autor desenvolveu sua narrativa foi um dos pontos mais interessantes da leitura, pois, além de ser narrado em primeira pessoa como se fosse um relato pessoal, você passa todo o livro sem saber o nome do narrador e personagem principal. Tudo isso possibilita uma enorme imersão, onde você pode simplesmente se colocar no lugar dele e imaginar tudo que aconteceu, como foi no meu caso. Apesar disso, entendo que a presença de poucos diálogos e o fato do autor estar sempre voltando em alguns assuntos pode tornar a leitura moderadamente cansativa e até mesmo levar alguns leitores desistir da obra. Quem decidir se aventurar no mundo de H. G. Wells terá que ter paciência com o livro, já que a tecnologia humana apresentada na história está de acordo com a realidade da época em que foi publicado (1898), ou seja, não há internet, armamentos nucleares e televisões. Além disso, a linguagem utilizada pelo autor é caracterizada pela formalidade e algumas palavras rebuscadas, mas nada que te impossibilite a leitura ou tire o sentido do trecho. 

Ilustração presente na edição.

[...] O que são esses marcianos?
- O que somos nós? - respondi, limpando a garganta.
Pág.: 146

O final do livro é emocionante e para tornar a experiência ainda melhor, há um epílogo onde o autor relata alguns pontos interessantes que não poderei citar por serem spoiler. Minhas considerações finais quanto a obra A Guerra dos Mundos é que ela pode ser um divisor de opiniões, já que o estilo narrativo pode não agradar a todos. Todavia, não deixa de ser uma leitura útil e que todo amante da ficção científica deve ler.

A diagramação esta simples, com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Na edição temos páginas amareladas, capa dura, belas e originais ilustrações feitas em 1906 pelo brasileiro radicado na Bélgica, Henrique Alvim Corrêa, um prefácio por Braulio Tavares, uma introdução por Brian Aldiss e uma entrevista entre H. G. Wells e Orson Welles, cineasta responsável pela polêmica versão radiofônica de A Guerra dos Mundos em 1938.

Curiosidade: Como exposto no prefácio, escrito por Braulio Tavares, "A Guerra dos Mundos (1898) é provavelmente a primeira história de invasão da Terra". Além disso, a trama já ganhou diversas adaptações, como a série televisiva (1988-1990) e os filmes de 1953 e 2005.