Na Estrada Jellicoe - Melina Marchetta

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Na Estrada Jellicoe, escrito por Melina Marchetta, foi uma grande surpresa para mim, uma vez que não tinha muitas expectativas quanto ao seu conteúdo. Entretanto, seus acertos podem ser considerados defeitos aos olhos dos outros, até mesmo pelo fato da trama requerer paciência e compreensão até o seu encerramento. 




A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa.
Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás.




Abandonada pela mãe aos onze anos de idade na estrada Jellicoe, Taylor Markham, atualmente com seus dezessete anos, é líder de um dormitório do internato e pretende ir atrás de respostas acerca do seu passado e da sua misteriosa família. Como Hannah (uma de seus tutoras) teve que fazer uma inesperada e estranha viagem, a jovem deposita toda sua esperança em um manuscrito que ela encontrara na casa da amiga, onde ela irá passar a conhecer a história de cinco crianças que também cresceram em Jellicoe, além de tentar entender como elas estão associadas ao seu passado. 

Ao mesmo tempo, ela precisará lidar com as anuais guerras territoriais entre três grupos: os cadetes (alunos da escola militar), os citadinos (os jovens da cidade) e os estudantes do internato. Será durante esse conflito que algumas coisas de seu conturbado passado serão desvendadas. 

Capas Estrangeiras

[...] Às vezes, depois de trabalhar o dia todo na casa, eu e Hannah sentávamos no sótão e conversávamos. Ela nunca falava muito sobre a família dela, só em algumas dessas conversas. Se eu perguntasse alguma coisa sobre os parentes, ela só dizia que todos tinham morrido e que ela, se ela se permitisse sentir toda a tristeza, nunca conseguiria agir como uma pessoa normal novamente.
- Já estive nesse vazio - ela me disse uma vez. - Nunca se entregue a ele.
Pág. 88

Como disse anteriormente, este é um daqueles livros que devem ser lidos com bastante atenção e, consequentemente, paciência, uma vez que sua história começará a fazer sentido perto das últimas páginas. Não devo considerar isso como um ponto negativo, mas sim como um produto da narrativa confusa da autora. Ela soube sustentar alguns mistérios por trás do passado de Taylor até a conclusão da obra, o que é um ponto positivo, mas a trama contem trechos monótonos e cansativos, como o começo que se mostrou confuso, fazendo com que haja um decréscimo no ritmo da leitura. 

Apesar disso, é justamente esse desenvolvimento narrativo ligeiramente confuso que chama a atenção, uma vez que há vários contextos se desenvolvendo praticamente ao mesmo tempo dentro de uma única história, e todos contam com personagens bem construídos e singulares. Acredito que este livro não teria a mesma "magia" caso tivesse sido escrito em outra pessoa gramatical além da primeira pessoa, já que os sentimentos e emoções da protagonista se dão de forma tão real e viva que é quase impossível não se coloca no lugar dela. 

Ainda que Taylor tenha que lidar com diversas situações, como ser líder de um dos grupos da guerra territorial, com um suposto serial killer a solta, e tentar encontrar respostas para suas perguntas acerca do seu passado, sua personalidade se mostrou forte e corajosa, porém sensível a coisas como o amor. Assim como a protagonista, os personagens secundários, como as cinco crianças (Narnie, Tate, Webb, Fitz e Jude), bem como Raffy, Chaz e Jonah são fundamentais para o desenvolvimento da trama e suas personalidades conquistam rapidamente o leitor. 

Melina Marchetta

Lembro do amor. É do que preciso ficar me lembrando. É engraçado como esquecemos tudo, menos de sermos amados. Talvez seja por isso que os humanos achem tão difícil superar relacionamentos amorosos. Não é a tristeza que eles precisam superar, é o amor.
Pág. 184

Não vou negar que terminei a leitura com a percepção de que as guerras territoriais são completamente dispensáveis para o objetivo final da autora. Contudo, o final do livro é esclarecedor e é neste momento que as peças que foram desenvolvidas e exploradas ao longo da história são juntadas, resultando em um ótimo encerramento. Na Estrada Jellicoe certamente entrará para a lista de melhores leitura de 2016. 

A diagramação está simples, mas com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Na edição temos páginas amareladas e uma bela e condizente ilustração na capa. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Deixo a minha recomendação a todos.