A Guardiã de Histórias - Victoria Schwab

Hey pessoal, tudo bem?

Quando vi que A Guardiã de Histórias iria ser lançado no Brasil, fiquei extremamente feliz e ansioso para conferir a obra, afinal, estava doido para ler o livro desde que ele havia sido publicado nos EUA. Contudo, apesar de ter adorado a ideia da autora de transformar o “mundo dos mortos” em uma espécie de biblioteca/arquivo, o livro também conta com alguns pontos negativos.




Imagine um lugar onde, como livros, os mortos repousam em prateleiras. Cada corpo tem uma história para contar, uma vida disposta em imagens que apenas os Bibliotecários podem ler. Aqui, os mortos são chamados de Histórias, e o vasto domínio em que eles descansam é o Arquivo. Mackenzie Bishop é uma implacável Guardiã, cuja tarefa é impedir Histórias geralmente violentas de acordar e fugir do Arquivo. Naqueles domínios, os mortos jamais devem ser perturbados, mas alguém parece estar, deliberadamente, alterando Histórias e apagando seus trechos essenciais. A menos que Mac consiga juntar as peças restantes, o próprio Arquivo sofrerá as consequências.






Imagine que após a morte você seria colocado para "dormir" em uma prateleira/estante e a história de sua vida seria narrada através de imagens e poderia ser vista apenas pelos Bibliotecários que tomam conta do Arquivo. Esse é o mundo de Mackenzie Bishop, uma jovem que seguiu os passos do avô e se tornou uma excelente Guardiã cuja função é impedir que as Histórias acordem, ou trazer de volta aos Arquivos aqueles que por algum motivo despertaram.

Após a morte do avô e do irmão, a família de Mac decide mudar de casa e recomeçar a vida, e é aí que as coisas começam a complicar. Nossa jovem guardiã descobre que em seu novo quarto ocorreu um assassinato, momento em que decide investigar o que realmente aconteceu. Com o tempo ela começa a perceber que a quantidade de Histórias violentas que estão despertando e fugindo do Arquivo está cada vez maior, e inexplicavelmente tudo parece estar ligado ao misterioso assassinato. Entre superar a morte do irmão e caçar aqueles que não deveriam ter acordado, nossa protagonista nos leva para uma aventura onde a linha entre a vida e a morte é muito mais tênue do que imaginamos.

Mas você não me falou uma coisa.
Que ele é lindo.
Tão lindo que, por um momento, esqueço que as paredes estão cobertas de corpos. Que as estantes e os armários que compõem as paredes, embora adoráveis, guardam Histórias. Em cada gaveta, um suporte de bronze com etiquetas cuidadosamente impressas com um nome e datas. Tão fácil se esquecer disso.
Pág. 48

A genialidade da autora ao criar esse novo mundo foi o que mais me agradou no livro. Adorei essa ideia de que quando morrermos seremos colocados em prateleiras e nossas histórias seriam administradas pelos implacáveis Guardiões, afinal, apesar dos vivos sempre lembrarem dos mortos com carinho, eles não têm acesso a toda história de vida de uma pessoa, principalmente seus segredos. Contudo, apesar de ter amado a mitologia, confesso que fiquei um pouco confuso no começo do da narrativa. Entendo que a autora está narrando um mundo novo e que para isso ela precisa explicar tudo com muitos detalhes, mas penso que ela poderia ter feito isso de forma um pouco mais dinâmica e de maneira a não deixar o leitor tão perdido com as novas terminologias.

Mackenzie é uma personagem bem desenvolvida e tem uma personalidade forte, e a narrativa em primeira pessoa ajuda o leitor a entender o que está realmente acontecendo com a protagonista, principalmente após a morte de seu irmão. Percebemos logo no começo que ela foi forçada a amadurecer muito cedo, afinal, ela é uma Guardiã desde a pré-adolescência, mas em alguns momentos as atitudes dela são um tanto quanto imaturas e impulsivas, e isso me incomodou um pouco.

Capa Americana

Era uma mar de tijolos lá embaixo, mas, se olhasse para cima em vez de para baixo, eu poderia estar em qualquer lugar. 
Se ele não pulou, o que aconteceu? 
Uma morte é traumática. Vivida o bastante para deixar qualquer superfície marcada, queimar como a luz sobre papel fotográfico.
Pág. 197 

Não vou me estender muito na resenha, pois não quero correr o risco de soltar algum spoiler sem querer, mas o que posso dizer é que apesar dos pontos negativos, A Guardiã de História é um livro que vale a pena ser lido, principalmente depois que Mac descobre que algumas Histórias relacionadas à sua nova moradia, e consequentemente ao assassinato, foram alteradas nos registros do Arquivo. Afinal, quem não gosta de um bom mistério? *__*

A edição nacional está linda, entretanto, achei a ilustração da capa americana mais bonita e que ela representa melhor o enredo. O material usado foi o soft-touch, mas em uma grau mais leve, ou seja, você consegue sentir que não é apenas papel cartão, mas também não é tão "emborrachado" quanto os livros da série Fallen. Recomendo a leitura para todos que gostam de um bom mistério sobrenatural.