A Rebelde do Deserto - Alwyn Hamilton

Hey pessoal, tudo bem?

Não consigo pensar em A Rebelde do Deserto sem que a expressão "não vá com muita sede ao pote" me venha à mente, pois infelizmente foi isso que ocorreu. Comecei a leitura do livro depois de ler vários comentários positivos sobre a obra, de como ela era dinâmica e a personagem principal era forte. No final, acabei me decepcionando. 



O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.



O livro conta a história de Amani, uma jovem que cresceu em uma sociedade na qual o simples fato de você nascer mulher te transforma em uma excluída social que depende sempre de um homem para tomar as decisões por você. Não satisfeita com tal situação, e correndo o risco de se tornar uma das muitas esposas de seu tio, ela faz de tudo para fujir de seu vilarejo e mudar para a capital. Sendo uma atiradora nata e sabendo manusear várias pistolas, ela entra em competições clandestinas para conseguir dinheiro para fujir, e é em uma dessas competições que ela conhece o Cobra do Oriente, um jovem tão talentoso quanto ela, mas que esconde vários segredos. Em um mundo onde criaturas imortais existem, Amani tentará alcançar seus objetivos de qualquer forma, mesmo que para isso tenha que deixar uma trilha de corpos no caminho. 

Um mundo de areia e suor.

Então o primeiro mortal criou uma arma de ferro e com ela decepou a enorme serpente que tinha engolido Deus em sua forma de sol. O sol foi liberado da garganta do monstro e a noite eterna terminou.
Os seres primordiais olharam para essa coisa mortal que tinham feito e viram com espanto que ela não tinha medo da morte. Ousava lutar porque seu destino era morrer. O primeiro mortal teve coragem de enfrentar o medo que a Destruidora de Mundos havia criado. Os imortais nunca precisaram de coragem. Mas os mortais, sim.

Apesar da sinopse ser super instigante e passar essa ideia de que a personagem principal é uma revolucionária que irá lutar contra seu destino, a forma como ela escolhe fazê-lo foi o que não me agradou nem um pouco. Durante toda a narrativa ela demonstrou ser covarde quando a situação "apertava", tanto que foi capaz de abandonar seu melhor amigo e uma garota inocente nas mãos do exército só para não correr o risco de perder sua chance de fuga. Aí, DO NADA, ela decide não fugir mais, mas só quando foi conveniente para ela. Não digo que ela está errada, se eu levasse a vida que ela levou e o mundo estivesse em chamas, eu usaria a água que tinha para fazer um suco/refresco e assistiria tudo pegar fogo. Contudo, o erro da autora foi pintar a protagonista como uma heroína que estava lutando para ser livre e fazer justiça para quem sofreu o mesmo que ela, mas quando é colocado na prática ela só faz o que é melhor para si, sem se preocupar com os outros. 

Outro ponto que me desagradou foi que a premissa do livro dá a entender que veremos inúmeros seres imortais ao longo da jornada, djinnis com poderes capazes de afundar cidades, cavalos feitos de areia e vento que cavalgam até o fim do mundo sem se cansar, seres primordiais criados dos próprios elementos, outros que assumem qualquer forma e confundem a mente do inimigo, etc. Entretanto, a narrativa nos traz um cavalo "meia boca" que foi derrotado por um prego enferrujado, um troca-formas que não durou 2 páginas e meia duzia de carniçais que morreram com um tiro cada. Comecei a leitura pensando em encontrar um mundo fantástico com um conflito entre os humanos e os seres imortais, mas o que encontrei foi apenas a protagonista andando pelo deserto e o famoso romance do tipo "não posso me apaixonar... não posso me apaixonar.... me apaixonei". 

Imortais e Carniçais. Uma guerra que acontece desde o começo dos tempos.

Um cavalo do deserto. Um ser primordial criado numa era anterior aos mortais, feito de areia e vento. Capaz de correr até o fim do mundo sem cansar. Uma criatura que valia seu peso em ouro, se capturada. Eu não ia voltar para a loja de jeito nenhum.
Apertei os olhos para observar o limite da cidade. Como imaginava, dava para ver uma nuvem de pó e homens se aproximando, conduzindo a criatura com barras de ferro. Ela devia ter acionado uma das antigas armadilhas.

O final foi dinâmico e bem desenvolvido, mas foi um pouco tarde para a autora tentar prender a atenção do leitor, pois já estava lendo só para saber o final desde a metade do livro. Apesar das críticas e dos pontos negativos expostos, o livro não é completamente ruim, afinal, muitos leitores adoraram a história e amaram a protagonista. Contudo, A Rebelde do Deserto não é um livro que me deixou com vontade de ler a continuação. 

A capa da obra é linda e os efeitos usados na borda em tinta dourada e azul dão um charme único ao livro. O interior possui os mesmos designs no começo de cada capítulo, o que dá um efeito interessante na lateral. Um grande ponto positivo é que a tinta metálica usada não descasca ou se desfaz com o manuseio, como acontece com muitos livros que possuem esse efeito. Não encontrei nenhum erro de revisão ou tradução aparentes. Recomendo que cada um leia para tirar as próprias conclusões.