A Profecia do Paladino - Mark Frost

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Pensem em um livro que você não daria nada por ele antes de ler. Esse foi o meu dilema com A Profecia do Paladino, um livro que busca mesclar thriller e fantasia e que em um primeiro momento não chama atenção, mas que me surpreendeu de várias formas. A história conta com alguns clichês, mas que são apresentados de uma forma que irá lhe envolver como se aquilo fosse algo novo e surpreendente. 



Um misterioso thriller do roteirista de Quarteto Fantástico e co-criador da série Twin Peaks. Will West faz de tudo para não chamar a atenção. A pedido dos pais, ele se esforça para tirar notas medíocres e não se destacar. Mas quando sua escola o obriga a fazer uma prova de desempenho geral, ele acaba se esquecendo de errar algumas respostas. Seu resultado espetacular atrai o interesse de uma das escolas particulares mais exclusivas do país, que o procura para oferecer uma bolsa de estudos. No entanto, assim que recebe essa oferta, começa a ser seguido por homens misteriosos e sedãs pretos. Ao tentar escapar de perseguidores, seus pais desaparecem e Will acaba se matriculando às pressas no misterioso colégio. Chegando à sua nova escola, ele percebe possuir talentos físicos e mentais que beiram o impossível e descobre que suas habilidades estão conectadas a uma batalha milenar entre forças épicas.



Nesta trama iremos conhecer Will West, um garoto que aos 15 anos precisa entender a necessidade de nunca chamar a atenção para si mesmo, ou seja, sem muito destaque na equipe de Cross Crountry e conquistando moderadas notas na escola. Apesar do bom relacionamento com os pais, ele tem que seguir uma extensa lista de regras elaborada por eles. Durante uma simples corrida, Will começa a perceber que algumas coisas estavam erradas, que um sedã preto e pessoas que ele denominou de "Boinas Pretas" estava perseguindo-o, e que vozes começaram a aparecer em sua mente. Como se só isso não bastasse, após se esquecer da principal regra de seus pais, ele acaba conseguindo um ótimo desempenho no teste geral do colégio, e acaba chamando a atenção de uma excêntrica escola, que segundo a Dra. Robbins, formou pessoas importantes, como alguns presidentes. 

Após perceber o quão estranha estava sua mãe e o repentino desaparecimento do pai, Will, sem ter em quem confiar, decide aceitar a proposta e ir "estudar" na misteriosa escola. E será nela que ele irá entender um pouco mais sobre suas habilidades, bem como conhecer Brookie, Nick, Ajay e Elise, que irão ajudá-lo a enfrentar novas e arriscadas aventuras. Com o inexplicável sumiço de seus pais, começa então uma busca por respostas.

Capa estadunidense.

O dia mais bizarro da minha vida, pensou. A Dra. Robbins aparece exatamente depois do sedã preto, do Prowler, e logo antes de a Belinda falsa. Mas se existe uma ligação entre tudo isso - e, de acordo com a Regra número 27, tem que ter -, onde é que ela está? A prova. Tinha que ser. E se a nota do menino tivesse disparado algum tipo de alarme que chamara a atenção de outras pessoas? Alguém cujo interesse nele não era nem de perto tão bom ou benigno quanto o do Centro?
Pág.: 39

É inegável dizer que A Profecia do Paladino tem um quê de jornada do herói, seguindo a mesma estrutura de outras sagas onde o protagonista começa a se dar conta de que é especial, que há algo de misterioso no seu passado e que seu destino é lutar contra o mal. Desta forma, é impossível não fazer associações a séries como Harry Potter e Percy Jackson. Não considero esse fato um problema, já que isso está tão recorrente que, para mim, virou uma prática comum entre os autores. Contudo, mesmo com seus clichês, a história consegue ser envolvente, seja pelas suas reviravoltas e forma como o autor soube evidenciar os perigos que o protagonista corre, seja pelo carisma de alguns personagens.

Apesar do livro conter muitas informações, principalmente no início, acredito que dificilmente o leitor irá se sentir perdido, já que o autor soube organizá-las de forma que não ficassem confusas, auxiliando também na interpretação. Além disso, é possível perceber que alguns capítulos são mais movimentados que os outros. O "grande incomodo" desta obra é o mesmo que venho percebendo em outros livros: a ausência de reações verdadeiras. O que estou querendo dizer é que não há um choque no protagonista com tudo que está acontecendo e, aparentemente, nem nas pessoas ao seu redor, por exemplo: Will usando seus poderes mentais logo nas primeiras páginas como se esses acontecimentos fossem rotineiros, ou seja, não há aquela surpresa de descobrir que possui algumas habilidades e a trajetória de aprendizado em como usá-las, ele simplesmente já sai usando como se a tivesse desde seu nascimento.

O livro é narrado em terceira pessoa, resultando em um considerável nível de detalhamento, como fora dito acima. Mark acertou ao optar por uma linguagem mais jovial e ao apostar em alguns toques de humor, influenciando na fluidez da leitura e no rápido envolvimento da história. Em alguns momentos é impossível não notar algumas homenagens e elementos de jogos de RPG, o que possivelmente irá agradar os fãs desse tipo de jogo. Quanto aos personagens, digo que é possível amar uns e odiar outros, já que eles são dotados de caráter e personalidades fortes, como Ajay, que é inteligente, e Elise, que é um pouco irritante. 

Mark Frost¹
 
Parei de sonhar com ele assim que chegou aqui. Mas o risco que ele corria não havia desaparecido dos meus sonhos. Na verdade, conseguia percebê-lo ainda mais e mais próximo agora. Teria sido trazido como o menino, ou o perigo já estava aqui o tempo todo, apenas aguardando? Era para o garoto estar a salvo aqui. A escola tem seus recursos. Será que eu devia contar a ele o que sei? Talvez ele nunca tenha tido a chance de aprender nada disso. Será que ajudaria? Como posso ter certeza de que contar não vai piorar ainda mais a situação? Dormir está se tornando impossível.
Pág.: 249

Apesar dos seus problemas, A Profecia do Paladino me surpreendeu justamente pela forma como o autor usou e conseguiu tirar proveito dos clichês, sem deixá-los irritantes, resultando em uma história envolvente que mistura ação, aventura e muito mistério. Além disso, digo que há um equilíbrio entre as partes mais movimentadas e aquelas desprovidas de ação, e que a organização das informações não tornou a leitura cansativa.

A diagramação está simples, com um ótimo espaçamento entrelinhas e um tamanho de fonte agradável. Já na edição contamos com páginas amareladas, títulos em alto relevo em sua bela capa. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Confesso estar ansioso para ler o próximo volume!

¹ Mark Frost é co-criador da série Twin Pearks e roteirista dos filmes do Quarteto Fantástico (2005/2007).