Sangue de Lobo - Helena Gomes & Rosana Rios

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Essa semana fui desafiada pelo Matheus a sair da minha zona de conforto e ler algo que fugisse do meu gênero favorito, que é o Romance. Em consequência, recebi o livro Sangue de Lobo, uma história que fala sobre lobisomens e serial killers. Inicialmente me decepcionei com a obra, mas a narrativa das autoras acabou me conquistando aos poucos.


Em Sangue de Lobo, um antigo original de um livro que conta uma história de mistério e morte jaz esquecido num pequeno museu em um restaurante no sul de Minas Gerais. Duas jovens, Ana Cristina e Cristiana, em viagem com a família de Ana, encontram-no e leem a história. Elas ficam assustadas, pois o enredo do livro retrata exatamente o jogo de RPG que elas criaram com amigos em São Paulo. E o mais curioso - a história se passa na cidade onde vão passar as férias. Foi lá que ocorreram crimes em série no início do século XX. E, no mesmo local, 100 anos depois, volta a acontecer uma sequência sinistra de mortes - oito macabras bonecas de porcelana parecem corresponder às vítimas de um insano assassino serial. As histórias do presente e do passado se misturam a partir do lobisomem Hector, um jovem inglês do passado que luta contra a maldição da Lua Cheia.




Ana Cristina e Cristiana são duas jovens que adoram jogar RPG*. Naquela noite, Felipe era o mestre da aventura e estava descrevendo a cena de um assassinato onde a vítima tivera os cabelos tosados e fora morta por uma lâmina fina no coração, todos participantes do jogo fingiam ser lobisomens e tentavam desvendar quem era o assassino. Definitivamente aquela era a melhor sessão que os cinco amigos já haviam jogado, porém, precisaram interrompê-la antes do final do caso para que as duas garotas pudessem descansar para a viagem que fariam no dia seguinte.

Ao pararem em um restaurante, Ana e Cristiana descobrem um livro antigo que retrata cenas de assassinatos parecidas com as criadas por Felipe, nesse exemplar elas descobrem detalhes, como a existência de uma boneca careca para cada pessoa que o serial matava, e que a cidade de Passa Quatro, além de ser o palco dessas tragédias, também abrigava um lobisomem. Poucos dias após chegarem ao hotel em que se hospedariam elas descobrem que uma jovem fora encontrada em um aterro com os cabelos tosados e uma ferida no peito. A lenda do livro e do RPG estava prestes a se repetir.
 
Lobisomens, os eternos escravos da lua.

- Eu sei o que vai acontecer. Isso não é certo. Não é. Pode ser culpa dele, pode muito bem ser, porque a Lua vai virar. Vai ver que resolveu se vingar desta terra, que tirou tudo dele... A terra foi amaldiçoada, bebeu sangue de gente inocente, bebeu sangue do lobisomem... Vai acontecer tudo de novo, tudo de novo...
Pág.: 46

Os fatos são apresentados através de vários pontos de vista, desde o do dono do restaurante até o do delegado da cidade. Adotar essa troca de visões em um livro de suspense é uma estratégia interessante, já que nos momentos de maior tensão da obra as autoras inserem outra perspectiva levando o leitor querer passar por ela rapidamente somente para descobrir o desfecho da anterior. Uma coisa que me incomodou bastante foi o nome das personagens principais, além de serem parecidos elas possuem o mesmo apelido, e isso acabava me confundindo.

As protagonistas não me cativaram, uma além de ser mimada acredita que as pessoas só se aproximam dela por causa do dinheiro de sua família, ao passo que a outra se sente inferior e está sempre batendo na mesma tecla de que é só a filha da empregada,. Acabei tomando pouco de antipatia das duas, pois detesto ler livros nos quais os personagens ficam repetindo uma mesma informação, e isso ocorre diversas vezes nesta obra. Outro personagem que me decepcionou foi o lobisomem, esperava um enredo perturbador com muitas mortes, porém, a fera se mostra pouco agressiva. O único que instigou meu interesse foi o serial killer, sua forma de agir é perturbadora.

 Quem será a próxima vítima?

Mal conseguiu atingir a metade do livro. A cabeça tombou de sono, enquanto as pálpebras lutavam para se manter abertas. Três crimes. Fios em três tons: preto, loiro-claro e loiro-dourado, cada um de uma boneca... Oito delas. Não... Sete. Na prateleira, só haviam sete. Onde estava a oitava? Uma de cabelos crespos e negros, divididos em três trancinhas...
Pág.: 63

Confesso que pensei em desistir desse livro porque encontrei alguns pontos negativos que me incomodaram, entretanto, resolvi dar a ele uma segunda chance e acabei me envolvendo cada vez mais com o desfecho. Minha antipatia por alguns personagens acabou cedendo espaço para o desejo de desvendar os mistérios dessa história. Como já citei, a forma intercalada de pontos de vista é uma estratégia que ajuda a impulsionar a leitura, pois quando terminava de descobrir o resultado de determinado dilema aparecia outro capaz de me levar a querer desvendá-lo. Não diria que foi o melhor livro que li este ano, contudo, é uma leitura que vale a pena ser desfrutada.

A capa não é muito bonita e a história é dividida em duas partes: na primeira passado e presente são intercalados, enquanto na segunda alguns estudos são descritos. A diagramação é agradável aos olhos, as páginas são em tom amarelado e a fonte é grande, o que ajuda na velocidade da leitura. Livro recomendado.

*RPG é a sigla inglesa de Role-Playing Game. Consiste em um tipo de jogo no qual os jogadores desempenham o papel de um personagem em um cenário fictício. Fonte