CRÍTICA | Deadpool

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Depois da fracassada e odiada adaptação do personagem em X-Men Origens: Wolverine, a Fox Studios reviveu as esperanças dos fãs ao anunciar Deadpool em meados de 2014. Desde então muito foi especulado sobre seu conteúdo em termos de história, caracterização do protagonista ou atuação do Ryan Reynolds, causando uma grande discussão (mimimi de sempre) em fóruns especializados e redes sociais. Depois de tanto aguardar, o filme estreou nos cinemas mundiais trazendo uma trama que já era esperada por alguns: as origens do mercenário tagarela.

Ex-militar e mercenário, Wade Wilson (Ryan Reynolds) é diagnosticado com câncer em estado terminal, porém encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que destruiu sua vida.

Enganados estão aqueles que pensam que Deadpool é fruto de um milagre. Tudo começou depois que uma cena feita em CG (Computação Gráfica) e com a dublagem de Ryan Reynolds ter supostamente vazado na internet em 2014, resultando em uma grande pressão para que Fox produzisse um filme que se espelhasse em termos de caracterização no que foi mostrado naqueles poucos minutos. As expectativas sobre a possível adaptação só cessaram com o seu anuncio em meados de setembro do mesmo ano e desde então muitas coisas aconteceram durante sua produção, como as polêmicas envolvendo a classificações de faixas etárias. 

Quem conhece o anti-herói pelas HQs sabe de seu lado violento, sarcástico e bem-humorado. Desta forma, uma das grandes dúvidas para este filme era: qual seria sua faixa etária? Os fãs clamavam por algo para maiores de 18 anos (Rated R), porém, ficavam temerosos devido a fama da Fox em censurar seus longas para diminuir a classificação e assim "lucrar" mais com as exibições, como ocorreu com a franquia X-Men que ainda ostenta seu PG-13 (para maiores de 13 anos). Felizmente para alguns e infelizmente para outros, no Brasil sua exibição será feita para pessoas acima de 16 anos, sem cortes, e nos Estados Unidos acima de 18 anos.

Deadpool vs Ajax

Como já era de se esperar, o filme conta as origens do mercenário tagarela, mostrando desde o começo a relação de Wade Wilson, ex-militar e mercenário, com Vanessa Carlysle, uma stripper que posteriormente viria a namorá-lo. Depois de ser diagnosticado com câncer em estado terminal, Wade busca por uma cura e eis que ela surge, mas não da forma como ele esperava. Todas as cenas que retratam o seu passado, inclusive as descritas acima, se passam em forma de extensos flashbacks (narrativa não linear). Apesar disso, acredito que o longa nada mais é que uma cena estendida daquilo que foi apresentado na cena vazada, onde temos o Deadpool lutando e matando no seu melhor estilo alguns capangas do Ajax, responsável pelos experimentos em Wade e um integrante do programa Arma X, o mesmo que deu origem ao Wolverine. 

É incrível a forma como roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick conseguiu captar e transmitir ao telespectador o melhor do personagem, apresentando momentos de pura violência misturados com seu característico humor que se lança para todos os lados, ou seja, encontramos piadas boas, ruins e infames, além de alguns deboches. Deadpool certamente não irá agradar aqueles que esperam encontrar um filme com atmosfera sombria, como a dos filmes da DC Comics, já que ele consegue balancear a ação com a comédia. Além disso, não podemos esquecer do seu alto teor sexual e nerd em termos de linguagem e as inúmeras referências a outros longas metragens, como X-Men, Lanterna Verde e algumas outras personalidades. O que o diferencia dos demais é a sua irreverência e as suas cenas eficazes, tanto quanto seu único propósito: divertir. 

Sabemos que um filme é marcado pelos desafios e dificuldades que o vilão impõe ao seu protagonista, bem como a atuação do(a) ator/atriz. Infelizmente, este talvez seja o grande problema de Deadpool, já que ele não conta com um vilão (Ajax) a altura do personagem-título, além de contar com um desempenho mediano de Ed Skrein, responsável por dar vida a Francis Freeman/Ajax. Acredito que faltou um pouco mais de desenvolvimento e expressividade neste quesito. Por outro lado, a trama conta com dois mutantes (Míssil Adolescente Megasonico e Colossus) que compõem o time dos X-Men e irão auxiliar o mercenário nesta aventura. Deadpool até brinca com o fato do longa contar só com dois mutantes falando que o estúdio não teve dinheiro suficiente para contratar mais deles. 

Míssil Adolescente Megasonico, Deadpool e Colossus, respectivamente

A direção de arte merece também seus méritos por compor figurinos semelhantes ou aproximados aos das HQs, como o do próprio Deadpool (vocês não imaginam a minha alegria ao ver aquele uniforme vermelho com aquelas armas e aqueles olhos brancos quando saiu a primeira imagem de divulgação *__*). Apesar deste raro e incrível feito, o que me incomodou durante algumas cenas foi o mau uso da computação gráfica, principalmente no Colossus onde estava mais perceptível o uso da tecnologia, bem como nas cenas finais (não vou entrar em detalhes por motivos de spoiler). 

O sucesso de Deadpool é resultado de vários fatores e um deles foi a excelente atuação de Ryan Reynolds. Sua animação e dedicação estava visível desde o desenvolvimento das gravações, o que ajudou também com seu marketing. Em outras palavras, diria que ele nasceu para representar esse personagem. Outro ponto que contribuiu também foi sua publicidade massiva (ponto para os publicitários rsrs) que em nenhum momento deixou de agradar, muito pelo contrário, só aumentava nossa ansiedade ao trazer pôsteres e campanhas publicitárias que carregavam o melhor do anti-herói: seu humor. 

Em um mundo onde está cada vez mais difícil encontrar boas adaptações, principalmente vindas da Fox, pode-se dizer que Deadpool é uma raridade, um filme que consegue respeitar e manter a essência do personagem, até mesmo quando falamos da quebra da quarta parede, onde o protagonista sabe que ele está em uma história de quadrinhos ou em um longa-metragem, fato este que encontramos em ambas as situações. 

O filme se encontra em exibição nos principais cinemas do Brasil desde sua estreia que ocorreu dia 11 de fevereiro. O elenco principal é composto por:

Ryan Reynolds como Wade Wilson/Deadpool
Morena Baccarin como Vanessa Carlysle
Ed Skrein como Francis Freeman/Ajax
T. J. Miller como Jack Hammer/Fuinha
Stefan Kapičić como Piotr Rasputin/Colossus
Brianna Hildebrand como Míssil Adolescente Megasonico
Gina Carano como Pó de Anjo
Karan Soni como Dopinder


Trailer oficial no Fox Film do Brasil