CRÍTICA | Shadowhunters: The Mortal Instruments

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Em um mundo dominado pelas adaptações cinematográficas/televisivas de obras literárias, está cada vez mais difícil encontrar filmes ou séries que respeitam o material fonte. Entretanto, algumas mudanças no roteiro acabam se tornando interessantes, principalmente para quem ainda não teve a oportunidade de conferir o "original", uma vez que possibilitam um novo olhar para a história ou até mesmo um novo encerramento. Apesar de não ter lido os livros da saga Os Instrumentos Mortais, escrita por Cassandra Clare, acredito que Shadowhunters tenha muito disso. Esta crítica será baseada nos quatro primeiros episódios e será feita sem spoilers


Clary Fray é uma adolescente de 15 anos que, sem querer, presencia o acontecimento de um crime. Mas este não é um crime como outro qualquer: três adolescentes cobertos com tatuagens estranhas são os responsáveis pelo assassinato, executado com armas que Clary nunca viu antes. Antes de ela conseguir fazer alguma coisa, os três justiceiros se apresentam para ela: Jace, Alec e Isabelle são Caçadores de Sombras, responsáveis por proteger o mundo de vampiros, lobisomens e monstros que querem fazer o mal.

Shadowhunters é uma série de fantasia que tem por base o universo criado por Cassandra Clare. A adaptação foi criada e desenvolvida por Edward Decter, e produzida originalmente pela Freeform (antiga ABC Family). Contudo, a Netflix comprou os direitos do seriado, o que provavelmente foi uma alegria e motivo de segurança para os fãs, uma vez que a Freeform é conhecida por cancelar varios de seus projetos.

Esta não é a primeira vez que tentam adaptar a história da saga. Em 2013 foi lançado nos cinemas o filme Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos, que trazia a trama do primeiro volume dos livros. Devido ao fracasso nas bilheterias e às críticas negativas a continuação, Cidade das Cinzas, nunca veio a sair dos papéis, o que foi lamentável para aqueles fãs que gostaram do longa. Ao que parece, a série está caminhando sob uma fina e frágil linha, já que seu pilot não agradou a todos e o fato dela não ter demonstrado uma considerável melhora, tanto nas atuações, quanto na história ou nos efeitos especiais, durante seus quatro primeiros episódios torna tudo preocupante. 

O primeiro episódio relata boa parte do que já vimos no filme: Clary comemorando seus 18 anos, sua ida ao Pandemonium, onde passa a ter conhecimentos sobre os shadowhunters e conhece Jace Wayland e outros caçadores. Apesar da sua boa construção narrativa durante seus primeiros minutos, ele acaba adentrando um mundo cheio de clichês com frases de efeitos e diálogos pouco convincentes, o que torna a trama um pouco tediosa. Apesar dos efeitos especiais serem precários e maltratados em boa parte dos episódios, não vou considerar esse fato um problema ou uma falha, já que a série possui baixo orçamento comparada a outras grandes produções e não posso negar o excelente trabalho na direção de arte, como o figurino dos personagens e as maquiagens.

 Alec, Magnus, Clary, Jace, Izzy, Luke e Simon.

A meu ver, o grande problema desta série está na atriz que interpreta Clary, Katherine McNamara. Sua atuação e suas expressões diante de algum perigo ou drama são pouco convincentes e às vezes irritantes. O que mais me preocupa é que até o momento ela não demonstrou uma melhora considerável. Outro fato que me incomodou é que a protagonista não demonstrou por muito tempo aquele estado de choque, deixando o espectador com aquela sensação de que descobrir que você é um shadowhunter é algo normal e rotineiro, ou seja, descobrir que o mundo é cheio de segredos e que sua mãe mentiu para você a vida toda, e aceitar isso logo no segundo episódio e já começar a querer "lutar contra o crime". É preciso mais dramaticidade nas expressões e reações, de maneira a transmitir isso para o telespectador, algo que a Katherine até tenta, mas ainda está longe de conseguir.

Enquanto uma não sabe se expressar, o outro não consegue se destacar em cena. Realmente fico em dúvida se o problema está na atuação ou no personagem, pois Alec Lightwood, até o momento, está apagado na trama, dando a impressão de que sua única função na temporada será fazer parte do "Malec". É como se ele aparecesse, mas ninguém o notasse. Literalmente uma sombra... Como não li os livros, assim como muitas pessoas que irão assistir a série, não sei se Matthew Daddario está interpretando-o bem, nem os aspectos que compõem sua personalidade. Por outro lado, temos toda a sensualidade da Emeraude Toubia interpretando Isabelle Lightwood, o que tem gerado elogios na internet, uma vez que os fãs da série literária dizem que ela conseguiu transmitir bem a essência do personagem, ou seja, uma shadowhunter sedutora e mortal. Apesar disso, será Magnus Bane quem irá atrair sua atenção, posto que o ator consegue ser misterioso ao expressar o lado místico de seu papel. Confesso que não tinha muitas esperanças para Harry Shum Jr., devido ao sua parte em Glee, mas confesso que até o momento ele está sendo uma ótima surpresa.

A primeira temporada, pelo que li antes de sua estreia, será uma mistura de eventos da saga, não se limitando somente ao primeiro volume dos livros, Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos. Desta forma, algumas mudanças e antecipações de acontecimentos irão ocorrer, o que pode agradar ou não alguns fãs. Além disso, o plano inicial é que cada temporada possua em média 13 episódios, lançados semanalmente e com duração média de 42 minutos na Netflix.

O elenco principal é composto por:
  • Katherine McNamara como Clary Fray;
  • Dominic Sherwood como Jace Wayland;
  • Maxim Roy como Jocelyn Fray;
  • Alan van Sprang como Valentine Morgenstern;
  • Harry Shum Jr. como Magnus Bane;
  • Alberto Rosende como Simon Lewis;
  • Emeraude Toubia como Isabelle Lightwood;
  • Matthew Daddario como Alec Lightwood.
  • Isaiah Mustafa como Luke Garroway

Trailer oficial no Netflix Brasil