A Sereia - Kiera Cass

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

A primeira vez em que ouvi falar de A Sereia foi através de uma amiga que me contou que antes de lançar A Seleção Kiera havia escrito outro livro, na época ele ainda não havia sido lançado no Brasil, mas esperei ansiosamente para lê-lo. As sereias encontradas nessa história são completamente inusitadas, não esperem caudas ou criaturas que moram no fundo do mar, pois essas personagens possuem belíssimos vestidos longos para nadar e vivem na superfície, quando não estão afundando navios.




Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.





Kahlen tem poucas lembranças de sua vida antes da transformação, a única coisa da qual se lembra com clareza é de ter se jogado ao mar e logo após ter dito que daria tudo para não se afogar como o restante da tripulação do navio. Nesse momento ela selou um pacto com a Água, em troca de sua vida ela passaria cem anos como sereia, cantando quando fosse necessário aplacar a fome por humanos que sua mestra sentia de tempos em tempos. Um acordo perturbador capaz de levar várias jovens a cometerem deslizes e acabarem mortas.

A irmandade das sereias sempre era composta por uma quantidade entre duas e cinco jovens, para elas não se sentirem solitárias, e uma das poucas regras que tinham que seguir era não falar na presença de humanos, já que suas vozes os levariam ao afogamento. Durante oitenta anos Kahlen cumpriu suas tarefas com perfeição apesar de sempre se sentir atormentada pelos rostos de suas vítimas. Ela também tinha sido a única sereia capaz de construir uma relação verdadeira de carinho com a Água e por isso era tida como sua favorita, mas essa afeição começa a se abalar quando Kahlen se apaixona por um rapaz e precisa deixá-lo para não ser punida.

 Suas vozes são letais aos humanos.*

Ela me disse para viver...
Não sabia como dizer a Ela que estar viva não era o mesmo que viver.
Pág.: 93

Este é um romance despretensioso cujo foco é narrar uma história suave sem grandes rodeios ou reviravoltas, a sua simplicidade nos impede de criar grandes expectativas durante a leitura. O romance entre os protagonistas não é o único enfoque da obra, em vários momentos ele é jogado para segundo plano e cede espaço para os problemas que atormentam as outras sereias. Quando cheguei à última frase do livro a única coisa que desejava era que houvesse mais algumas linhas pela frente.

Kiera tem o costume de criar mocinhas de opinião forte que lutam por seus ideais, e essa foge a esse padrão, o que me assustou e desapontou no começo, mas logo percebi que tais características eram importantes para a construção da obra e para tornar a personagem mais realista, afinal, apesar de ter quase cem anos ela nasceu e cresceu na década de 1930. Padma foi a personagem que mais me chamou a atenção, quando foi convocada para entrar na irmandade ela estava prestes a ser assinada pelo próprio pai que após espancá-la por ser mulher a atirou ao mar. A Água também tem vida nessa história, ela se comunica com suas sereias através dos pensamentos e desenvolve por todas elas uma afeição especial, porém, quando alguma faz algo que a desagrada ela reage de maneira bastante agressiva.

Algumas vidas precisam acabar para que outras sejam salvas.

Comprei uma nova caderneta e me preparei. Ouvia a fome da Água em cada onda que quebrava, em cada toque na areia. Era como uma dor minha, o que fazia sentido, já que Ela estava mesmo dentro de mim. Mas a ânsia de aliviar minha dor não tornava o próximo canto mais desejável.
Pág.: 133

Apesar de possuir alguns pontos negativos que me desanimaram em certos momentos, a mensagem contida nessas páginas é tocante e nos faz repensar sobre os diversos tipos de amor que nos cercam e o que somos capazes de fazer para mantê-lo. É uma obra perfeita para presentear alguém, já que se trata de um volume único e possui com contexto leve. A escrita da autora não deixa a desejar, pois é fluida e cativante, contudo, não esperem por vilões ou cenas de tirar o fôlego, esse é o tipo de livro perfeito para relaxar e sair de uma ressaca literária.

A imagem que ilustra essa capa maravilhosa foi tirada na Praia do Espelho, que se localiza na Bahia. A diagramação é agradável aos olhos, as páginas possuem tom amarelado e a fonte é de tamanho mediano. Cada início de capítulo possui a charmosa ilustração de uma concha. Não encontrei erros de revisão. Leitura recomendada.

* Créditos na Imagem