O Último dos Canalhas - Loretta Chase

Olá pessoal, tudo bem com vocês ?

Adoro romances de época e O Último dos Canalhas me impressionou justamente por ter uma protagonista que não pensa da mesma forma que a maioria das mulheres do Século XVIII. Ela é uma moça à frente do seu tempo, pois trabalha, é responsável pelo próprio sustento e não pretende conseguir um marido, até que um duque surge em sua vida e bagunça todos os seus ideais.


O devasso Vere Mallory, duque de Ainswood, está pronto para sua próxima conquista e já escolheu o alvo: a jornalista Lydia Grenville. Só que desta vez, além de seduzir uma bela mulher, ele deseja também se vingar dela.
Ao se envolver numa discussão numa taverna, Vere foi nocauteado por Lydia e se tornou alvo de chacota de toda a sociedade. Agora ele quer dar o troco manchando a reputação da moça.
Mas Lydia não está interessada em romance, principalmente com um homem pervertido feito Mallory. Em seus artigos, ela ataca nobres insensatos como ele, a quem considera a principal causa dos problemas sociais.
Nesse duelo de vontades, Vere e Lydia se esforçam para provocar a derrota mais humilhante ao mesmo tempo que lutam contra a atração que o adversário lhe desperta. E, nessa divertida batalha de sedução e malícia, resta saber quem será o primeiro a ceder à tentação.



Apesar de ter sofrido durante a infância, Lydia Grenville conseguiu superar todas as dificuldades e construir uma carreira de sucesso como jornalista. Com 1,75 de altura e um enorme mastim como acompanhante, jamais se deixou intimidar. Seu mais recente projeto era denunciar os maus tratos que muitas moças enfrentavam após fugirem para Londres em busca de um futuro melhor, por isso, além de fazer constantes entrevistas com cortesãs, ela tentava livrar as jovens moças das garras de cafetinas cruéis como Coraline.

Conhecido como o mais libertino de sua linhagem, duque Vere Mallory fazia questão de gastar seu tempo livre com brigas, bebedeiras e prostitutas. Após evitar que um homem fosse atropelado pelo cabriolé de Grenville, ele decide ir atrás dela e acaba se deparando com uma briga entre a jornalista e uma alcoviteira muito perigosa e, ao se intrometer na discussão, ele vira alvo da ironia de Lydia. A única forma que ele viu para fazer com que parasse de falar era  beijá-la, mas em troca acaba ganhando um soco e se tornando motivo de chacota. Contudo, a vingança é um prato que se come frio e Vere fará questão de apreciá-lo. 

As palavras são as principais defesa dela.

- Deus nos livre das metidas a intelectuais. Sabe qual é o problema delas, Jaynes? Como não trepam com regularidade, algumas mulheres assumem as fantasias mais estranhas, como a de imaginar que conseguem pensar. – O duque limpou a boca com as costas da mão.
Pág.: 19

Uma das cenas mais marcantes de O Príncipe dos Canalhas, outro livro da autora, é a briga entre lorde Belzebu e um amigo, e neste volume descobrimos um pouco mais a respeito dessa confusão. A medida que vamos conhecendo o duque de Ainswood, podemos ter uma breve ideia do que está acontecendo na vida de Dain. Apesar das referências, não é necessário ler o livro acima citado para entender este, pois são histórias independentes e as cenas em que o Lorde aparece são como um bônus para quem leu os dois.

Lydia e Vere são personagens extremamente divertidos, de um lado um devasso que acredita que mulheres são como objetos com vários graus de atratividade física e apenas uma utilidade; do outro uma feminista que vê o casamento como uma forma de dominação masculina onde a mulher se submete às vontades do marido. Nessa história, apesar do libidinoso ser Vere, quem foge do matrimônio é a moça, e isso torna tudo ainda mais divertido, pois enquanto ele fará de tudo para conquistá-la, ela fará o contrário.

Autora

E se lembrou de que tipo de homem ele era.
O tipo de libertino que despreza as mulheres.
Para ele, nós temos apenas uma utilidade e, se já fomos usadas, perdemos totalmente o valor.
Pág.: 87

O Último dos Canalhas possui uma narrativa cativante do começo ao fim, os protagonistas são irônicos e travam uma batalha de egos que nos garante boas gargalhadas, as cenas de aventura são bem construídas e a parte romântica do enredo não é melosa e enjoativa. Loretta Chase já lançou diversos romances de época, contudo, grande parte só foi publicada em outros países. Só nos resta torcer para que a Arqueiro nos presenteie com outros lançamentos dessa autora.

A capa é bonita, mas não supera a de O Príncipe dos Canalhas (gosto tanto dela que até uso como tela de bloqueio no meu celular). A diagramação é bastante simples, a fonte é agradável aos olhos e as páginas são amareladas. Encontrei poucos erros de digitação, mas nenhum que interfira no entendimento do contexto. Leitura recomendada.