Doctor Who: Cidade da Morte - James Goss

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Originalmente escrito por Douglas Adams, juntamente com Graham Williams e David Fisher para a série televisiva, o roteiro de Cidade da Morte foi romantizado por James Goss, autor de outros livros que retratam as aventuras de Doctor Who, como Doctor Who: Dead of Winter e a adaptação de Shada, outra história inacabada de Adams para a BBC. 





O Doutor leva Romana para um feriado em Paris – uma cidade que, como um bom vinho, tem uma variedade própria. Especialmente quando você a visita durante um dos anos clássicos. Mas a TARDIS os leva para 1979, um ano de boa safra, coberto de rachaduras – não nas suas taças de vinho, mas na própria fábrica do tempo.









Com o intuito de tirar um dia de folga, o Doctor leva Romana, sua companheira de aventuras, para Paris, em 1979, onde presenciariam um fato curioso enquanto se entretinham em um daqueles charmosos cafés da cidade. Incomodado com o "deslizar do tempo", ele começa a investigar essa fratura no espaço-tempo e quem estava causando-a. Em um outro ponto da cidade luz, vemos o conde Scarlioni executando uma de suas perigosas experiências. O plano dele era roubar a Mona Lisa e revendê-la. Contudo, depois de alguns acontecimentos, Romana acaba descobrindo uma sala secreta que foi guardada por quase um século em que continha não uma, mas seis Monas Lisas. 

Romana e o Doctor em Paris.

Para começo de conversa, os seis quadros tinham que ser genuínos. Ninguém se daria ao trabalho de esconder seis gravuras coloridas por meio milênio. A lógica a levou até esse ponto, mas então precisou parar e ir tomar um chá. Por que alguém pintaria seis Monas Lisas e as esconderia em um quarto isolado? Elas não ficaram esquecidas em armários. Foram colocadas ali e escondidas de propósito. Em uma caverna funda. Longe de explosões de bombas. Sobreviveram a tremores e inundações. Foram tão isoladas que o château acima poderia queimar, mas os quadros sobreviveriam. Sorrindo para si mesmos.
Pág.: 128

Aparentemente o receio não era exclusivo meu, uma vez que o autor também tinha certo medo quanto a recepção e qualidade de seu trabalho, ainda mais quando há comparações com as qualidades apresentadas no roteiro de Douglas Adams. Um dos aspectos mais interessantes deste livro é a sua narrativa, especificamente a forma como ela é feita. Narrado em terceira pessoa, em Cidade da Morte temos o ponto de vista dos personagens principais e de alguns secundários, como o agente Duggan, o professor Kerensky, e outros, resultando em uma riqueza de detalhes que dão vida e emoção à história. Além disso, ela assume uma atmosfera mista onde temos momentos de descontração e seriedade, sendo este último o mais perceptivo.

Ao contrário de Mortalha da Lamentação e de O Prisioneiro dos Daleks, onde vemos um Senhor do Tempo mais atual, neste nos deparamos com a sua quarta encarnação, interpretado por Tom Baker nas telinhas entre 1974 a 1981. Desta forma, ler este livro foi mais que uma diversão, já que também foi um meio de conhecer mais desse Doctor e o universo da série. Apesar de ter gostado de sua personalidade (um pouco excêntrica, mas em certos momentos séria), minha atenção foi para Romana, uma vez que suas ideias confrontavam as dele e também por sua notável inteligência, bem como seus ares de aristocrata. Como não poderiam ficar de fora, há citações aos Daleks e referências a outras aventuras de Doctor Who.

O conde Scalioni e sua outra face, Scaroth.

Scaroth. Estamos aqui.
Juntos, somos Scaroth.
Eu sou Scaroth. Muitos unidos em um.
Os Jagaroth viverão em mim.
Juntos, guiamos essa raça medíocre,
esses humanos, demos forma ao destino miserável
para que servisse aos nossos objetivos.
Em pouco tempo, seremos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos.
Os séculos que me dividem serão desfeitos. 

Pág.: 189

O episódio referente a este livro foi exibido em 1979 e se tornou um dos mais assistidos da série. Apesar de seus acertos, como a escrita do autor, Cidade da Morte também tem suas falhas, como a organização e apresentação dos acontecimentos, já que tem momentos que você fica até perdido em tantas coisas acontecendo e com isso muitos detalhes são apresentados. Contudo, deixo a minha recomendação aos fãs e àqueles que estão querendo entender um pouco desse enorme universo de Doctor Who

A diagramação está simples, com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. A história é dividida em 4 partes e em cada início há uma foto de Paris com uma frase de autoria aleatória, como Nancy Mitford, Cole Porter, e outros. Na edição contamos com páginas amareladas, uma foto do Doctor com a Romana, interpretada por Lalla Ward na série televisiva, e uma ilustração na capa com alguns elementos da trama. Quanto a revisão, encontrei um erro, mas nada que interfira na história.