Despedaçada - Teri Terry

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Finalmente tive a oportunidade de finalizar esta série que ao longo dos anos ganhou certo mérito e lugar na minha estante. Como li Fragmentada, segundo volume, no primeiro semestre de 2014, encontrei algumas dificuldades para lembrar de alguns acontecimentos e até mesmo da personalidade de alguns personagens. Apesar disso, foi gratificante estar novamente em contato com este mundo distópico, político e dramático criado por Teri Terry.

Essa resenha pode conter spoilers dos volumes anteriores da série.





Kyla foi Reiniciada: sua memória foi apagada pelo Opressivo governo dos Lordeiros. Mas, quando lembranças proibidas de um passado violento começam a aparecer, surgem também dúvidas: ela pode confiar naqueles que passou a amar, como Ben? As autoridades querem a morte de Kyla. Com a ajuda de amigos no DEA, ela vai a fundo, sondando seu passado e fugindo. A verdade que ela busca desesperadamente, no entanto, é mais surpreendente do que ela poderia imaginar. Ao final do terceiro volume desta aclamada série, os mais profundos e imprevisíveis segredos serão revelados.






Após os acontecimentos de Fragmentada, Aiden e o DEA chegam à conclusão que a imagem da Kyla necessita desaparecer. Desta forma, eles criam uma nova identidade, com uma nova aparência que foi adquirida através da TAI, Tecnologia de Aperfeiçoamento de Imagem, que alterou a espessura e cor de seu cabelo a níveis moleculares. Além disso, ela passará a utilizar um óculos com uma lente que altera a cor de seus olhos de um verde vibrante para uma cor acinzentada. Já com seu novo nome e com um passado falso, Riley Kain vai ao encontro daquela que foi sua mãe antes de ser reiniciada, Stella Connor, dona do Lar Waterfall Para Garotas, em Keswick. 

Ao lado de sua mãe, Riley aprofundará sua busca por sua antiga vida (a de Lucy Connor) investigando o passado de alguns familiares e relembrando alguns fatos durante suas noites de sono dentro do Lar Waterfall. No meio desse processo, ela começa a desenvolver uma amizade com Madison, uma das garotas que moram no Lar, e com Finley, um garoto que futuramente se revelará apaixonado por Madison. Muitos perigos, surpresas e segredos se revelarão para Riley. 

Quem eu sou?

Está na hora de decidir. Não sou Lucy, nome que me deram quando nasci. Não sou chuva, nome que escolhi após ser levado por Nico e seus Terroristas Anti-Governistas (o Reino Unido Livre, como eles costumavam dizer), que me transformou em uma arma contra os Lordeiros. Não sou Kyla, nome que me foi dado no hospital após ter sido capturada e reiniciada por ser uma terroristas do TAG.
Serei quem eu escolher ser.
- Nome? - me perguntam novamente.
Não sou nenhuma delas. E sou todas elas ao mesmo tempo.
- Riley. Riley Kain - respondo. Um nome que engloba todos os outros.
Pág.: 19

A estrutura narrativa se manteve idêntica a dos volumes anteriores, ou seja, feita em primeira pessoa, apresentando assim todos os sentimentos, emoções e pensamentos (que não são poucos) da protagonista. Apesar de não ser um grande admirador de narrativas do gênero, acredito que esta foi uma das melhores escolhas deste livro, até mesmo pelo fato da autora saber usufruir das possibilidades que o uso desta pessoa gramatical lhe proporciona, tendo influências diretas no desenvolvimento de Lucy/Chuva/Kyla/Riley, pois é desta forma que acompanhamos seu amadurecimento e suas reais fraquezas. Aos que leram os volumes anteriores há bastante tempo e que já se esqueceram de algumas partes da história, como ocorreu comigo, podem ficar tranquilos, pois a autora no decorrer da leitura vai situando o leitor relembrando os fatos passados, bem como as personalidades de alguns personagens. 

Assim como nos volumes anteriores, Kyla está em constante busca pelas verdades sobre suas vidas passadas, principalmente a de Lucy Connor. Entretanto, neste livro este aspecto tem uma entonação diferente, uma vez que além disso, ela está tentando estabelecer uma nova identidade como Riley Kain. Em consequência, encontramos momentos de puro drama e sentimentalismo, principalmente nas partes em que há grandes revelações de segredos que dizem a respeito de seu passado. Desta forma, como já era de se esperar, temos uma grande parte do desenvolvimento da história sendo focado nisso, e os fatos políticos e os Lordeiros ficaram em segundo plano. 

Como consequência natural da mudança de ambientação de Londres para Keswick, há apresentação de novos personagens, como a mãe de Lucy, a Madison, o Len, o Finley, dentre outros. Mesmo estando no último volume, a autora conseguiu desenvolver suas novas personalidades, bem como dar consideráveis importâncias dentro da trama. Apesar de admirar muito a personalidade da Kyla/Riley, sinto que ela deveria mostrar mais atitude ao invés de ficar lamentando coisas passadas, como o ocorrido com Ben, pois, como já sabemos, ela mantém certos sentimentos por ele e isso só veio a piorar depois de seu desaparecimento que resultou no processo de reinicio. Contudo, entendo que este é um dos aspectos que motiva ela a continuar sua luta contra o sistema estabelecido pelos Lordeiros e o governo. Quanto a estes, há também grandes e chocantes revelações. 

Capa de uma das edições estrangeiras

- É possível que as únicas memórias inacessíveis a partir do seu processo de Reiniciação tenham sido aquelas associadas a ser destra. Outras podem ter sido suprimidas, mas acessíveis nas circunstâncias certas. Mas isso é tudo conjectura. Que eu saiba, o que aconteceu com você não foi tentado antes, então, o que posso dizer?
Pág.: 300

Por ser um final de uma trilogia, não irei dizer nada sobre ele para evitar possíveis spoilers, mas ele consegue surpreender o leitor. Enfim, a série Reiniciados foi uma grande surpresa para mim, uma vez que eu não contava com muitas expectativas quando comecei a ler o primeiro volume, e como já perceberam, ela se mostrou bastante forte em vários segmentos, principalmente no seu desenvolvimento e na sua narrativa. Despedaçada foi um ótimo encerramento, mesmo tendo alguns pontos falhos, como a falta de atitude da personagem em alguns momentos, mas isso é sobreposto por suas qualidades. Para aqueles que gostam de uma boa distopia com elementos políticos e românticos, deixo a minha recomendação. 

A diagramação está simples, com um tamanho de fonte agradável e ótimo espaçamento entre linhas. Já na edição contamos com páginas amareladas, uma bela capa com títulos em verniz localizado e algumas páginas de agradecimentos da autora no final. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes.