O Nome da Estrela - Maureen Johnson

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Imaginem que vocês estão procurando algum livro interessante nas prateleiras de uma livraria e acabam encontrando um com a seguinte frase na capa: "Jack, o estripador, está de volta". Sabem o que isso significa? Um novo título na sua estante (HAHA). Contudo, para o meu completo desprazer, não consegui sentir todo o clima que a trama aparentava carregar, mas ao menos somos agraciados com uma ótima escrita. O Nome da Estrela é a primeira obra da série Sombras de Londres, escrita por Maureen Johnson.



No mesmo dia em que o primeiro de uma série de assassinatos brutais acontece em Londres, a norte-americana Rory Deveaux chega à cidade para começar uma nova vida em um colégio interno. Os crimes hediondos parecem imitar as atrocidades de Jack, o Estripador, praticadas há mais de um século. Logo a febre do Estripador toma conta das ruas de Londres, e a polícia fica desconcertada com as poucas pistas e a ausência de testemunhas. Exceto uma. Rory viu o principal suspeito no terreno da escola. Mas ela é a única pessoa que o viu – a única que consegue vê-lo. E agora, Rory se tornou seu próximo alvo. Neste thriller envolvente, cheio de suspense e romance, Rory descobre a verdade sobre suas novas e chocantes habilidades e os segredos das Sombras de Londres.





Nesta trama passamos a conhecer Aurora Deveaux, uma adolescente estadunidense que via e vivenciava o mundo à sua maneira. Após sua família se mudar para Bristol, ela decide ingressar em Wexford, no east end de Londres, onde esperava passar tranquilamente os próximos nove meses. Contudo, logo na sua chegada, ela é informada sobre um assassinato semelhante ao cometido pelo Jack, O Estripador, em 1888, ou seja, a vítima foi encontrada na mesma posição e com os mesmos ferimentos. 

Rory, como gosta de ser chamada, ignora este fato que mais tarde se tornaria uma grande dor de cabeça e foca em seu novo estilo de vida, a de estudante. Tentando se adaptar ao lugar e a sua nova vida, ela acaba conhecendo Jerome, o monitor chefe da escola e que mantém grandes interesses no novo Jack. Além disso, ele está sempre atualizando-a sobre o caso e propondo pequenas aventuras pelos locais dos crimes. Em uma destas saídas, Aurora encontra um misterioso homem que só ela conseguia ver, o que levantou diversas questões em seus pensamentos, deixando-a inquieta, fazendo com que adentrasse de vez no caso.

Por entre as ruas e vielas ele anda. Entre a neblina ele se esconde. Quem poderá ser?

“ ...corpo encontrado na Durward Street, pouco depois das quatro da manhã. Em 1888, a Durward Street chamava-se Buck’s Row. A vítima de ontem à noite foi encontrada na mesma localização e posição de Mary Ann Nichols, a primeira vítima do Estripador, com ferimentos muito similares. O inspetor-chefe Simon Cole, da Scotland Yard, fez uma breve declaração dizendo que, apesar de haver similaridades entre este assassinato e o de Mary Ann Nichols, ocorrido em 31 de agosto de 1888, é prematuro afirmar que não tenha sido apenas coincidência. Vamos saber mais informações sobre o assunto com nossa correspondente Lois Carlisle...”
Pág.: 17

Se eu pudesse resumir essa trama em uma frase, acho que a mais ideal seria "altos e baixos". Apesar da sinopse te induzir a pensar que a obra será eletrizante, a história em si não tem um ritmo frenético carregado de vários suspenses e trechos de puro terror. Isso ocorre com mais clareza no começo do livro, em decorrência do desenvolvimento e apresentação de personagens, bem como a ambientação dos acontecimentos. Acredito que o principal erro cometido pela autora foi tentar mesclar infanto-juvenil e elementos de romance com a atmosfera pesada que o enredo traz, fugindo um pouco do que foi proposto de uma forma geral. Além disso, fiquei um pouco desapontado com a protagonista nos momentos em que ela não demonstrou nenhum pingo de atitude. 

Apesar dos fatos citados acima, a escrita da autora é o grande destaque deste livro. Suas ótimas descrições tornaram a trama rica em detalhes, afetando consequentemente a imaginação do leitor e produzindo uma incrível submersão na história. O enredo é narrado em primeira pessoa, apresentando o ponto de vista de Aurora, o que faz com que adentremos no mundo de sentimentos, emoções e pensamentos da personagem. Além disso, acredito que esta obra tenha demandando diversas pesquisas para ser escrito, uma vez que ela contém vários fatos históricos datados.

Capa do Reino Unido, uma das minhas preferidas.

Almas, assombrações, espectros, poltergeists, aparições. Geralmente definidos como pessoas que voltaram da morte, apesar de também haver animais ou navios-fantasmas, ou mesmo trens, móveis ou plantas-fantasmas. Sabe-se que com frequência se mantém perto dos lugares onde viveram ou morreram, com expressão triste. Alguns podem ser fotografados, ainda que, quando apareçam em fotografias, seja como um borrão ou um orbe de luz. A ciência rejeita e confirma sua existência. Podem ser contatados através de médiuns, que são todos fraudes.
Pág.: 227

Obviamente não posso revelar o encerramento, pois isso seria quase um crime (HAHA), entretanto, posso dizer que foi bem pensado e desenvolvido. Apesar da trama conter um final definitivo, a autora deixou um gancho e alguns questionamentos para os próximos volumes, deixando-me curioso para lê-los. O Nome da Estrela não foi tudo aquilo que eu esperava, mas consegue surpreender da sua forma e em momentos em que menos esperamos. Estou ansioso para meu próximo contato com a escrita fluida de Maureen Johnson ^_^. Recomendo que cada um leia para tirar suas próprias conclusões.

A diagramação está bem caprichada, uma vez que contamos com um tamanho de fonte agradável, um ótimo espaçamento entre linhas e uma margem com alguns detalhes no início de cada capítulo. Já na edição contamos com páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma capa retratando um pouco da ambientação da trama. A tradução foi feita por Larissa Helena e não encontrei erros aparentes na revisão.

Caso queira ler o primeiro capítulo, clique aqui.