O Vitral Encantado - Diana Wynne Jones

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O que mais apreciei durante toda a leitura foi a simplicidade e delicadeza que a autora empregou em sua narrativa. Diana Wynne Jones não só escreve uma mera história, muito pelo contrário, ela doa ao mundo, por meio de uma prosa bem estruturada, uma agradável e encantadora trama sobre fantasia e imaginação. Com ótimos personagens e uma excelente ambientação, O Vitral Encantado acabou se tornando, na minha perspectiva, um exemplo de como a criatividade não tem limites, e que o tudo ainda pode ser pouco.





O avô de Andrew Hope acabou de falecer e lhe deixou seu casarão como herança. Mas muito mais do que isso. Ele era um grande mago e Andrew herdou também o campo de proteção da propriedade (o que automaticamente o torna responsável pela segurança de todos os que vivem ali) e um curioso artefato: um vitral de muitas cores e claramente mágico. Quando o jovem Aidan Cain, caçado pelos temidos Perseguidores, surge em sua porta à procura de abrigo, Andrew encontra nele um amigo para desbravar os arredores do casarão. Mas com Aidan ele vai descobrir que o passado de sua família pode ter muito mais magia do que imaginava. Diana Wynne Jones nos proporciona uma aventura delicada e cheia de humor britânico moderno.



Um dos grandes destaques deste livro é justamente a forma como a autora torna uma premissa tão simples em algo tão encantador e viciante a ponto de prender a atenção do leitor por horas. Apesar de toda essa simplicidade, ela não economizou nos aspectos que compõe sua história, usando de diversos elementos que tornaram a experiência de leitura mais prazerosa e realmente mágica. Outro fato interessante é que a realidade criada por ela foge do convencional que é encontrado nos demais livros de mesmo gênero. Em outras palavras, diria que a magia aqui está mais próxima de nós e que não é preciso criar e/ou viajar para outros mundos para vivenciar grandes aventuras.

Capa Estrangeira

Aidan foi verificar se estava de fato chovendo. E então viu, viu de verdade pela primeira vez, a vidraça colorida na porta dos fundos. Enquanto Andrew colocava mais pão na torradeira e gentilmente procurava cereal para Aidan, o menino tirou os óculos e olhou para o vitral. Ele nunca vira nada tão obviamente mágico em sua vida. Estava certo de que cada vidro colorido tinha um propósito diferente, embora não soubesse qual. Mas o vitral inteiro fazia alguma coisa também. Ele sentiu um comichão de curiosidade, quase tão forte quanto na noite anterior. Queria saber o que tudo aquilo fazia.
Pág.: 55

A narrativa é feita em terceira pessoa, possibilitando uma melhor ambientação e exploração dos fatos, bem como um excelente desenvolvimento. O Vitral Encantado é o primeiro livro que leio dessa autora e confesso que logo no começo já fiquei maravilhado com a praticidade da escrita, fato este que também contribuiu para a fluidez da leitura. Além disso, Jones faz uso de uma linguagem simples e acessível a todos, deixando de lado termos mais rebuscados que geralmente encontramos nas ficções inglesas. 

A forma como a autora apresentou e desenvolveu seus personagens foi outro ponto que me agradou, bem como a personalidade de cada um. Munidos de características que os tornam marcantes, a autora nos apresenta um mundo cheio de possibilidades e pessoas com diferentes qualidades e defeitos. Um personagem secundário que gostei bastante foi Groil, um gigante que se alimenta de vegetais despachados por Andrew no alpendre da casa.

Diana Wynne Jones (1934 - 2011)

A princípio, tudo que pôde ver foi que o vidro tinha um imenso poder mágico. Ainda tinha a sensação de que se podia usá-lo para alguma coisa, fosse painel por painel, ou em várias combinações - vermelho com azul, azul com verde, e assim por diante - com grande efeito. Mas ainda não tinha a menor ideia do propósito de com que usá-lo. 
Pág.: 189

Apesar do livro ter suas qualidades, senti que o final poderia ter um melhor desenvolvimento. Enfim, o livro carrega consigo uma grande metáfora que me fez passar a olhar os objetos esquecidos de outra forma. Diria que a magia não está em outros mundos, mas que ela está nas pequenas coisas. O Vitral Encantado, apesar de aparentar ser apenas mais um livro de fantasia, tem seus méritos pelas qualidades citadas.

A diagramação está simples, com um ótimo espaçamento entre linhas e um tamanho de fonte agradável. Já na edição temos páginas amareladas e uma bela capa com títulos em verniz localizado. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Deixo a minha recomendação àqueles que não dispensam uma boa leitura, e aos fãs de Neil Gaiman.

  • Diana Wynne Jones faleceu em 2011 e O Vitral Encantado foi seu último romance lançado em vida.

Caso queira ler o primeiro capítulo, clique aqui.