Halo: Broken Circle - John Shirley

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Já não é novidade nenhuma que o mundo dos games vem ganhando seu espaço dentro de outras mídias, como é o caso da franquia Halo, que contém além deste, outros livros já publicados que trabalham com a ideia de um universo expandido. Lançado no mês de setembro pela Rocco, através do selo Fábrica 231, Broken Circle consegue trabalhar perfeitamente com este conceito, mas ao mesmo tempo levanta várias questões àqueles que nunca tiveram contato com os games e/ou outras obras literárias do universo Halo.



Num universo influenciado pela herança dos Forerunners, uma raça superpoderosa que desapareceu misteriosamente, duas grandes raças alienígenas - os San ‘Shyuum e Sangheili - travam uma batalha pelo controle dos artefatos sagrados, e mortais, deixados pelos extintos Forerunners. Halo: Broken Circle é uma obra original do universo expandido de Halo, um dos maiores sucessos da Microsoft, com mais de 60 milhões de jogos vendidos em todo o mundo. Inspirado no universo do game, o escritor John Shirley mergulha nas origens do conflito entre Prophets e Elites que resultou na aliança Covenant, conhecida dos fãs do jogo, e apresenta aos leitores a história desconhecida de um dos heróis mais improváveis do universo Halo.





Como a sinopse já consegue expor toda a essência da história, acredito que seja dispensável fazer o costumeiro resumo. Confesso que uma das primeiras questões que levantei antes de ler foi: será que irei entender mesmo sem ter jogado ou lido algo do universo Halo? Como já esperado, a resposta não veio logo nas primeiras páginas, mas sim, dá para entender perfeitamente todos os acontecimentos. Logo no prólogo o autor já começa a situar o leitor apresentando as ideias e o funcionamento de seu mundo, bem como seus personagens, seus ideais e como a história irá ser conduzida. Entretanto, achei que algumas informações ali contidas poderiam ter sido apresentadas ao longo da trama, até mesmo para não sobrecarregar aqueles leitores que não estão tão familiarizados com tais histórias.

 Fisionomia dos San ‘Shyuum 

Então, os San ‘Shyuum chegaram, expulsando os Sangheili de suas colônias interestelares, apropriando-se de relíquias Forerunner, abertamente cometendo a blasfêmia de utilizar os artefatos para seus próprios propósitos, expurgando muitos clãs e afugentando outros, que correram como um bando de vermes guinchantes. Não havia honra para os Sangheili em serem obrigados a recuar cada vez mais, e os San 'Shyumm estava mais perto do que nunca de Sanghelios. 

Pág.: 62

A trama é composta, basicamente, por dois tipos de raças: os Sangheili, conhecidos como a Elite, além de serem mais voltados para o confronto e métodos militares, e os San’Shyuum, chamados de Profetas, que são extremamente religiosos e políticos. Aos que não sabem, Halos são anéis com incríveis poderes de destruição em massa. As relíquias sagradas, um dos grandes interesses das duas raças, deixadas pelos antigos deuses Forerunners, na realidade são instrumentos de cunho tecnológicos que vão desde mundos artificiais a armas, como os Halos. Outro fato que devo ressaltar é que toda a narrativa é recheada com cenas de ação, mas que não perduram muitas páginas.

John Shirley já escreveu inúmeras histórias sobre o Batman, Constantine, Alien, dentre outros personagens da cultura pop, além de ter sido roteirista, junto com David J. Schow, do clássico O Corvo, de 1994. A história da presente obra é narrada em terceira pessoa e apresenta o ponto de vista de ambos os lados em alguns momentos, o que possibilita uma ampla exploração e detalhamento dos acontecimentos. A obra é dividida em duas partes, sendo elas  Parte 1- Um Lugar de Refúgio, ambientada em 850 AEC em plena Era da Reconciliação, e Parte 2 - Um Convite para a Dança do Caos, acomodada na Era da Recuperação, 2552 EC. A escrita do autor, além de fazer jus aos seus outros trabalhos, consegue dar toda a seriedade que o enredo pede, bem como aguçar os sentimentos e emoções dos leitores nas partes que envolve algum conflito. O desenvolvimento e detalhes dos personagens foram bem construídos e apresentados, digamos que a história é rica neste sentido, mas confesso que uma das maiores dificuldades que encontrei neste livro foi pronunciar os nomes dos referidos personagens.

Fisionomia dos Sangheili

(...) a guerra com os humanos seguiu bem na maior parte, embora os últimos eventos tenham tomado uma guinada inquietante.
Destruímos muitos de seus mundos coloniais sem perdão ou trégua desde o começo, tendo descoberto suas colônias antes que eles nos descobrissem. A descoberta deles foi por acaso, pelos modos predatórios de uma nave missionária Kig-Yar, quando chegaram a um mundo chamado de Colheita pelos humanos.
Pág.: 193

O livro não faz parte de nenhum arco do universo expandido de Halo, que por sinal contém várias obras já publicadas aqui no Brasil, como a trilogia Forerunner, composta por Cryptum, Primordium e Silentium. E isso é, talvez, uma das grandes vantagens de Broken Circle sob os demais livros da frnquia, uma vez que a trama conta com uma história isolada e que independe de outras leituras. Aos que não sabem, a Microsoft, produtora dos games, estará lançando no dia 27 deste mês (outubro) o tão aguardado Halo 5: Guardians.

A diagramação está simples, com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre as linhas. Na edição temos páginas amareladas, títulos em alto relevo e uma bela ilustração na capa representando vários elementos da história, como o planeta que é uma das relíquias Forerunner. Quanto a revisão, não encontrei erros aparentes. Leitura recomendada aos admiradores de uma boa ficção científica e aos fãs dos jogos.