Os Portões do Inferno - André Gordirro

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Os Portões do Inferno é o primeiro volume da série As Lendas da Baldúria, escrita por André Gordirro, que é também crítico de cinema, jornalista e tradutor. O livro em si é um verdadeiro prato cheio para fãs de campanhas RPG e admiradores da literatura fantástica. A obra tem suas qualidades e consegue cumprir o que propõe: apresentar de forma despretensiosa, ágil, divertida e com muitas reviravoltas e conflitos a forma como seis (anti)heróis irão salvar o reino das trevas. 




Os Portões do Inferno - Romance de estreia do jornalista André Gordirro e volume inicial da trilogia Lendas de Baldúria, Os portões do inferno reúne o melhor da fantasia épica: guerreiros, magos, monstros, fortalezas, cenários fabulosos e combates sangrentos. Tendo à frente um improvável time de protagonistas – verdadeiros párias que, por acaso, ganham a chance de salvar o mundo de uma tropa de svaltares, estranhos e temidos elfos das profundezas –, o livro junta referências históricas e bíblicas a alegorias da sociedade contemporânea e um alto teor de cultura pop. Com origem direta no RPG, o livro é um bem-vindo cruzamento entre Os doze condenados e O Senhor dos Anéis de ritmo ágil, cheio de reviravoltas e com senso de humor apurado.



Após fecharem os portões do inferno fazendo uso de uma forte magia, Krispinus e Danyanna se tornaram os Grandes Rei e Rainha do reino que futuramente viria a se chamar Krispínia. Tal fechamento impediu que demônios e a eterna escuridão invadissem o mundo de Zândia. Contudo, após algum tempo de paz, os svaltares, elfos das profundezas, estavam determinados a reabrirem os portões com o intuito de restaurar o caos. Krispinus, traído por certos aliados e sem forças para retaliar, precisa proteger a qualquer custo os portões e para isso ele contará com a ajuda de um bardo, um assassino, um cavaleiro desertor, um mago antissocial, um guerreiro jurado de morte e um ladrão. A surpresa é que nenhum destes esperavam participar de uma missão suicida. 

Mapa de Krispínia

O Grande Rei não estava se sentindo tão grande assim na manhã de hoje.
Nem toda a magia da Rainha Danyanna teria feito seu desempenho no leito real melhor do que as vãs tentativas das últimas noites. A sensação de impotência não se limitava à cama, ao lado da esposa. Ali, no Conselho Real, Krispinus sentia-se de mãos atadas. Seu olhar passou pelas expressões dos presentes e parou na cadeira vazia de Caramir, o Conquistador do Oriente, o Flagelo do Rei. O velho amigo estava fazendo aquilo que sabia fazer melhor: levar adiante um conflito que não terminava nunca. "A guerra com os elfos não para" era a frase com que ele se despedia em todas as comunicações entre os dois. Triste verdade.
Pág.: 46

Aos que não sabem, Os Portões do Inferno é o livro de estreia de André Gordirro. Apesar disso, digo que ele já começou causando e jogando forninhos no chão (HAHAHA). Acredito que isto se deva ao fato de sua obra cumprir tudo que ela propõe, como fora dito no começo do texto, bem como apresentar características em seus personagens que contrasta com a maioria dos protagonistas que vemos em livros desse gênero disponíveis atualmente no mercado literário. São anti-heróis, ou seja, como o nome sugere, são pessoas que não possuem vocação heroica e que, apesar de realizarem atos irresponsáveis e cruéis, conseguem praticar atos moralmente aceitos. Entretanto, apesar disso, percebi que o foco da narrativa não iria explorar ao máximo cada um deles, mas sim o desenvolvimento da trama e dos cenários em que ela está inserida. Não que isto tenha sido ruim, afinal, esta não é a real proposta do romance. 

A narrativa é feita em terceira pessoa, o que dá mais espaço ao autor de explorar massivamente seu mundo. Quanto a ele, digo que foi bem planejado que se assemelha bastante com os jogos de RPG, sobretudo Dungeons and Dragons. É incrível a forma como ele organiza as raças, as classes, os planos dimensionais e a magia propriamente dita. A literatura fantástica nacional ganhou mais uma obra com grande mérito, carregada com características que se assemelham à fantasia medieval, com sexo, violência, escravidão, humor negro, corrupções e, sobretudo, crueldade. 

André Gordirro

- O Grande Rei Krispinus é um deus, ele não pode morrer! -  explodiu o cavaleiro.
- Você realmente acredita nisso? - resmungou Agnor, quase sem voz. - Então é mais simplório do que eu pensei.
Baldur cresceu para cima do korangariano.
- Não venha duvidar do Deus-Rei...
Pág.: 231

Apesar do livro aparentar ter um conteúdo muito pesado e violento, digo que em muitos casos me vi rindo de certas situações. Outra informação que devo ressaltar é que a palavra "inferno", presente no título e que faz parte da trama, não tem nenhuma ligação com a definição estabelecida no cristianismo, portanto, se você é religioso mas tem mente aberta para literatura fantástica, pode ficar tranquilo. Em suma, Os Portões do Inferno é uma obra divertida, bem escrita e com ótimas cenas de ação épica. Desta forma, deixo a minha recomendação aos fãs do gênero e de RPG.

A diagramação está simples, contando com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Já na edição temos páginas amareladas, um mapa no começo do livro, uma capa com verniz localizado nos títulos e uma ilustração que consegue captar toda a essência da obra. Não encontrei erros aparentes na revisão.