Contos de Suspense: Histórias Para (Con)gelar Seu Sangue

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Se há uma coisa que eu não posso negar é a minha apreciação por histórias de suspense e horror. Acredito que isso se deva ao fato delas sempre me causarem sensações e reações que deixam a leitura mais divertida e interativa. Desta forma, digo que Contos de Suspense: Histórias para (con)gelar seu sangue foi uma grande surpresa, uma vez que não tinha muitas expectativas para com a obra, apesar dos grandes nomes que dão vidas aos contos aqui presentes. 







Contos de Suspense - Narrativas de suspense são histórias que há séculos fascinam e capturam a imaginação dos leitores, do início até o desfecho. Selecionamos os melhores contos dos mestres do suspense Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Phil Robinson, Ambrose Bierce e H. G. Wells.








Aos que não sabem, o livro é uma coletânea de contos escritos por grandes personalidades, tais como Edgar Allan Poe, Ambrose Bierce, H. P. Lovecraft, dentre outros. A organização e a tradução das histórias ficaram por conta da dupla Martha Argel e Rosana Rios. Em uma breve introdução elas explicam como surgiu e como surgem tais narrativas, além de apresentar aos leitores uma definição da palavra suspense. A principal preocupação que elas tiveram foi com a tradução, uma vez que elas queriam levar aos leitores um material que se assemelhasse à ideia original dos autores, bem como explicar, por meio de notas de rodapé, alguns momentos históricos e termos cujo significado pode ter sido alterado no decorrer dos séculos.

Nunca sabemos o que podemos encontrar na escuridão até sentir sua presença.

A tensão que dominava minha mente era agora medonha. Fantasias descontroladas conjuravam formas horrendas e assustadoras saindo da escuridão sinistra que me envolvia, e que parecia exercer uma pressão física sobre meu corpo.
Mais e mais, os passos pavorosos se aproximavam.
Senti que deveria gritar, mas, ainda que estivesse determinado a fazê-lo, minha voz não me obedeceria. Eu estava petrificado, enraizado ali. Duvidava até que, no momento crucial, meu braço direito concordasse em arremessar o projétil contra a coisa que se aproximava.
Pág.: 36 | A Fera na Caverna

A ordem dos contos foi feita da seguinte forma: A Caixa Oblonga (Edgar Allan Poe), A Fera na Caverna (H. P. Lovecraft), A Árvore Comedora de Gente (Phil Robinson), O Homem e a Serpente (Ambrose Bierge) e O Tesouro na Floresta (H. G. Wells). Vale ressaltar que os três primeiros são narrados em primeira pessoa e em forma de relatos, não havendo muitos diálogos (ou quase nenhum). Em suma, são narrativas que não são muito simples, mas também não apresentam muita complexidade, no entanto conseguem causar reações e sensações no leitor, além de surpreender pelas qualidades textuais e riqueza de detalhes presentes. Por não terem sido escritos por autores contemporâneos, a linguagem presente se distância bastante da atual, há muitas metáforas e alusões, além de termos  desconhecidos, o torna necessário a leitura das notas de rodapé já citadas. 

A Fera na Caverna, escrito por H. P. Lovecraft está dentre os contos que mais gostei desta seleção. Nele conhecemos um jovem que acaba se perdendo dentro dos labirintos da caverna Mammoth, que é considerada a maior do mundo, com seus túneis mapeados chegando a 630 quilômetros. Acreditando na morte ocasionada pela fome e sede, ele começa a ouvir passos vindos em sua direção e que não era algo bom. O que mais chamou a minha atenção nesta história foi seu final, simplesmente surpreendente e chocante. Claro que gostei dos demais contos, como o de Poe e o de Ambrose, até mesmo porque todos apresentam características e qualidades diferentes e isso é o que torna a coletânea tão interessante.  

O medo sempre mora embaixo da cama.

A horrenda cabeça, projetada à frente a partir da volta mais interna do corpo e pousada sobre a mais externa, apontava direto para ele, com a curva da mandíbula ampla e brutal e a testa de animal estúpido indicando a direção de seu olhar malévolo. Os olhos não eram mais meros pontos luminosos: fitavam os dele cheios de intenção maligna.
Pág.: 59 | O Homem e a Serpente 

Apesar de eu ter citado que os contos causam reações e sensações no leitor, digo que não são histórias assustadoras, podendo ser lidas facilmente por aqueles que sentem medo desse tipo de história. Claro que há aquela com maior intensidade, mas todas conseguem te prender do início ao fim. Desta forma, deixo a minha recomendação tanto aos amantes de suspense, como também para aqueles que estão curiosos para se aventurar nesse tipo de leitura. 

A diagramação está bem trabalhada, contando com um agradável tamanho de fonte, um ótimo espaçamento entre linhas e belas ilustrações feitas por Samuel Casal, presentes no começo de cada conto e que remetem o seu conteúdo. Já na edição temos páginas com aspecto envelhecido, mas puxando para uma tonalidade de verde, acredito que seja para combinar com bela capa. No encerramento do livro encontramos uma breve biografia de cada autor, das organizadoras/tradutoras e do ilustrador. Não encontrei nenhum erro aparente na revisão.