A Voz do Arqueiro - Mia Sheridan

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

O livro de hoje tem uma pequena ligação com o a mitologia do signo Sagitário, que conta a história de Quíron e do poder transformador do sofrimento, mostrando como a dor física e emocional podem se tornar fontes de força moral e espiritual. É com essa abordagem e com essa lenda que a autora inicia a série Signos do Amor, trazendo a figura do Arqueiro como livro de estreia. Caso você não conheça a lenda de Quiron, clique aqui.

Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar.
Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde.
Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda.
 Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

Bree é uma jovem atormentada pela noite trágica onde viu sua vida mudar completamente, tentando encontrar uma maneira de se distanciar dessa cruel lembrança, ela se muda para uma cidade chamada Pelion onde acaba sendo ajudada por um homem misterioso que não corresponde a nenhuma de suas tentativas de conversa. Intrigada, ela investiga um pouco a seu respeito e descobre que além de mudo, ele é ignorado por todos na cidade. Decidida a se aproximar do rapaz, Bree usa seu conhecimento em linguagem dos sinais, dando inicio a uma amizade.

Aos sete anos de idade, Archer se viu obrigado a enfrentar a perda dos pais, do tio e de sua voz em um terrível acidente, desde então passou a viver com outro tio, que apesar de ser inteligente o suficiente para educá-lo em casa, era louco, neurótico e os isolava no perímetro de sua propriedade. Esse estilo de vida jamais incomodou o sobrinho, que aprendeu da pior forma que as pessoas o julgavam mal. Muitos anos se passam até a morte do homem que o criou, e a necessidade de buscar mantimentos, obriga Archer a ir ao mercado, e é durante uma dessas compras ele conhece Bree, uma jovem que assim como ele trazia um passado conturbado.

O Arqueiro

Ela me encarou, piscando, então algo em sua expressão pareceu relaxar e seus olhos vagaram pelo meu rosto. E alguma coisa dentro de mim também pareceu se libertar – embora eu não soubesse exatamente o quê.
Pág.: 102

Apesar de ser arisco e grosseiro no começo da história, Archer logo se mostra um rapaz doce, desconfiado, atencioso e bastante inseguro. Suas crises de ciúmes são constantes e por ser inexperiente em situações que envolvem outras pessoas ele é inocente e possui baixa autoestima, mas vale ressaltar que Bree o descreve como um rapaz maravilhoso, másculo e bom em tudo o que faz. A figura de Bree é retratada como autoconfiante e persistente.

A narrativa se inicia de forma bem lenta e até mesmo um pouco tediosa, os capítulos são divididos entre o ponto de vista de Bree e Archer. Até o momento em que seus caminhos se cruzassem, tinha me interessado apenas pelo ponto de vista do rapaz, sendo nele descrito partes do acidente que somente nos últimos capítulos descobrimos ser bem mais complexo do que imaginamos. Quando o trauma de Bree enfim é revelado, a história se torna um pouco mais interessante e a autora aprofunda mais no relacionamento dos protagonistas e em seus respectivos passados.

Capas dos livros que compõem a série.

Ri baixinho e voltei ao trabalho, a mente cheia de perguntas sobre os irmãos, sobre segredos, sobre uma moça que ambos haviam amado... e uma viúva amarga. Como se encaixariam as peças daquele quebra-cabeças? E onde Archer entrava naquilo tudo?
Pág.: 128

Assim como em todo romance, o amor em seus vários estágios é a principal chave para que os personagens encontrem a superação de seus medos, e a trajetória deles é repleta de cenas eróticas, dramáticas, diversas frases lindas e clichês capazes de nos fazer suspirar. A única ligação que percebi entre o enredo e a astrologia foi no fato de, assim como Quíron, o protagonista também possuir uma ferida que lhe traz um certo tipo dor, mesmo que seja algo emocional.

A capa é muito bonita e tem total ligação com a história. A diagramação é simples e agradável aos olhos, a fonte é grande e há um bom espaçamento entre as linhas. Não encontrei erros de revisão. Esse é o primeiro volume da série, ao final dele é revelado o título e uma prévia com os dois primeiros capítulos do próximo livro, que se chamará O Coração do Leão. Leitura recomendada.