Quando Saturno Voltar - Laura Conrado

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Essa semana estava mega nervosa com algumas coisas, e o medo do que o futuro me reserva encheu minha mente de vários “E SE?”. Logo quando parecia que nada mais me tranquilizaria, comecei a ler o livro da Laura e, apesar de saber que meu retorno de Saturno está um pouco longe, posso dizer que essa obra chegou às minhas mãos no momento certo e mexeu muito com meus pensamentos.

Conta a história envolvente e divertida sobre aceitar mudanças inesperadas e seguir em busca da felicidade. Em seu novo romance, Laura Conrado conta a história de Déborah Zolini, uma jornalista sonhadora e fã de Pablo Neruda que trabalha como assessora de imprensa de um clube de futebol da segunda divisão e namora o médico Sérgio há quatro anos. Ela faz planos de construir uma vida a dois, arrumar um emprego melhor e correr atrás de desejos que ainda não realizou. Só que a vida, ou as estrelas, guardam surpresas para Déborah. Em uma viagem ao Chile, ela encontra uma mulher misteriosa que lhe fala sobre o retorno de Saturno. O planeta, que leva, em média, 29 anos para dar uma volta no sistema solar, voltará à posição em que se encontrava quando a jornalista nasceu. Para quem acredita em astrologia, esse é momento em que as pessoas passam por várias mudanças, que vão prepará-las para encarar o resto de sua vida. Déborah não leva a moça muito a sério, mas pede às estrelas que a ajudem a realizar seus desejos. No entanto, no voo de volta ao Brasil, um encontro inesperado começa a abalar a vida aparentemente certinha da protagonista. Aos poucos, Déborah começa a notar que seu namoro anda meio morno, a falta de reconhecimento no trabalho a incomoda. Ela começa a admitir que não está gostando do rumo que as coisas estão tomando. Será a hora de partir para novos desafios? Trocar aquele relacionamento confortável pelo frio na barriga? Sair de vez da zona de conforto e ver o que acontece?


Déborah é uma mulher de vinte e oito anos que prefere viver a vida sob a proteção de suas zonas de conforto, por isso nunca teve coragem de abandonar o emprego como assessora de imprensa de um time da série B para o qual ela nunca torceu, com chefes que a faziam exercer atividades que iam além das para qual fora contratada sem valorizá-la ou pagar um salário mais satisfatório. Apesar de não concordar com a forma como os pais conduzem o próprio casamento e odiar ter que presenciar tantas brigas, ela acaba se conformando em morar lá por não ter como pagar uma casa própria. Outra coisa com a qual ela aprendeu a conviver por conveniência foi o relacionamento com Sérgio, um namoro sem muitas trocas de carinho e que desenrolava da maneira mais morna possível.

Durante uma viagem ao Chile uma cigana avisa que Saturno está retornando para o mesmo local onde estava durante o nascimento de Déborah para fazê-la repensar tudo que esconde debaixo do tapete. Durante seu retorno para o Brasil ela conhece Henrique, um moreno lindo capaz de atormentar seus pensamentos, e durante os encontros e desencontros que os dois terão, ela passará a repensar seu namoro com Sérgio, verá com outros olhos o casamento dos seus pais e aprenderá a tirar coisas boas de um trabalho ruim.

Saturno sempre retorna para te fazer repensar escolhas.

O céu pode mesmo mudar. Recordo-me da cigana. Alias, cigana não! Apenas uma pessoa com papo místico que conheci no Chile. Por mais cética que eu seja, uma empolgação borbulha dentro de mim. Quem não quer ter a vida regida por algo maior? Será que acima de nossas cabeças nosso destino já não foi traçado? Seria realmente bom jogar a responsabilidade de nossas vidas nas estrelas- ou em Saturno e seus anéis.
Pág.: 43

As histórias da Laura tem o poder de acordar os leitores para o que está acontecendo de errado em suas vidas, além de trazerem sempre um ensinamento importante sobre até onde nossos atos podem nos levar (percebi essa característica em todos os livros dela que tive o prazer de ler). Sua escrita não nos apresenta apenas algo emocionante ou capaz de nos transportar para outras realidades, pois através de uma linguagem simples e jovial ela cria personagens e situações capazes de se assemelharem aos momentos da vida de seus leitores, e aquele sentimento de eu faria/fiz o mesmo nos acompanha durante a leitura, fazendo com que criemos uma ligação especial com o protagonista.

A forma de agir da Deborah é bem semelhante com a de muitas pessoas que conheço, em alguns momentos ela se acha a mulher mais gata do mundo, em outros está insegura com o próprio corpo, tem medo de se arriscar e as coisas piorarem e precisa sempre estar em um relacionamento para não se sentir sozinha. É impossível não encontrar uma característica na personalidade dessa personagem que não se assemelhe às nossas, seja nos medos, na forma de pensar ou nas atitudes que toma, e durante toda a história somos bombardeados pelos sentimentos dela como se fossem os nossos.

O céu guarda mais mistérios do que somos capazes de compreender.

Quantas vezes na minha vida eu devo ter participado do campeonato sem entrar em campo? Quantos momentos históricos perdi com medo da derrota? De quantas disputas fugi por medo de não suportar o resultado? Eu poderia me limitar a saber do placar quando chegasse ao hotel, e por lá mesmo vibrar ou me lamentar. Mas também poderia vivenciar a decisão ao vivo, correndo o risco do imprevisível.
Pág.: 129

O livro é cheio de pequenas reviravoltas, a medida que a personagem vai se redescobrindo ela vai se tornando ainda mais interessante. Essa é uma história muito gostosa de ser lida e se desenvolve de maneira bem fluida, se você é do tipo de pessoa que está tão acomodada com os rumos que sua vida leva que passou a acreditar que se mudar qualquer coisa nela vai tudo desandar, acho que você precisa urgentemente conhecer esse livro. Laura nos convida a dar um sacode em nossa vida mesmo que Saturno já tenha chegado ou esteja longe de chegar.

A capa tem tudo a ver com o livro, ela é linda e bastante charmosa. Na parte de dentro encontramos o mapa astrológico da protagonista, quem gosta de astrologia vai amar esse detalhe e a galera que não gosta tanto desse assunto pode ficar calma porque esse não é o foco do livro. A diagramação é caprichada, os diálogos por mensagens ganham um ressalte especial para não serem confundidos com o restante do texto, o começo de cada capítulo conta com um trecho do poema do Pablo Neruda “Ode a uma estrela”, a fonte é agradável aos olhos e há um bom espaçamento entre os parágrafos. O pessoal da Globo Livros está de parabéns em todos os aspectos. Leitura mais do que recomendada!