No Início Não Havia Bob - Meg Rosoff

Olá, Vintagers, como vão?

E se Deus fosse um adolescente no ápice da puberdade? Será que o mundo seria pior do que já é? No Início não Havia Bob, de Meg Rosoff, não conseguiu superar minhas expectativas, porém não deixou de ser engraçado em alguns momentos. 



Após ganhar a Terra num jogo de pôquer, a deusa Mona resolve delegar a seu filho, um insolente e mimado adolescente, o novo planeta. Bob, preguiçoso demais para gastar muito tempo com isso, cria tudo em seis dias e a partir daí joga todo o trabalho para cima de seu assistente, o frustrado Sr. B. Quando os problemas começam a aparecer, sobra para ele limpar a bagunça. E o fato de Bob ter criado os humanos à sua imagem e semelhança também não ajuda. Como um planeta cheio de criaturas tão gananciosas e intolerantes pode sobreviver? Como não bastasse, Deus está obcecado por uma garota mortal: Lucy, assistente em um zoológico. E a cada encontro a Terra é afetada pelos sentimentos de seu criador. Dominado por desejos intensos, Bob começa a causar verdadeiras catástrofes em seu planeta. Desesperado, conseguirá o Sr. B. salvar a Terra de seu próprio Deus?



Resumo

Bob é um típico adolescente mimado e com os hormônios à flor da pele. Até aí tudo normal, porém, é necessário considerar o fato de que Bob é Deus. Quando o garoto ganha um jogo de pôquer, a deusa Mona - sua mãe - o presenteia com a Terra. Contudo, por ser preguiçoso e arrogante, ele não está preparado para tamanha responsabilidade. Sem interesse algum, Bob não está disposto a gastar seu tempo com a Terra, sendo assim joga todo o trabalho duro para seu assistente, o frustrado Sr. B.

Com um Criador tão despreocupado, problemas começam a surgir e o Sr. B precisar agir com prontidão, porém milagres não acontecem. Como os humanos criados à imagem e semelhança de Bob, a situação fica mais difícil ainda, pois com a Terra cheia de seres intolerantes e gananciosos não há funcionário que aguente.

E para piorar Deus\Bob se apaixona por uma humana chamada Lucy. Por a garota ser meiga e totalmente encantadora, ela vira o foco da atenção do garoto e, a cada sentimento que ele tem, quem sofre as consequências é a Terra, afinal, ela é totalmente ligada ao seu Criador. Dominado pela paixão, Bob causa grandes catástrofes em seu planeta. Como proteger a Terra de seu próprio Criador?

Bob e Lucy

E quando afinal, no sexto dia, Bob se recostou (como o idiota metido que o Sr. B ficava absolutamente convencido de que ele era) e disse que era muito, muito bom, de fato inacreditavelmente bom, acrescentando que gostaria de descansar agora porque toda aquela criação o deixara cansado, B olhara para ele chocado e pensara: É melhor você descansar o máximo que puder, garotão, porque acabou de criar uma confusão monstruosa no seu precioso planetinha e, no minuto em que todos aqueles peixes e aves famintos se juntarem, vai haver um banho de sangue.
Pág.: 28
Opinião


Demorei um pouco para formar uma opinião sobre a obra. É natural que em certos livros encontremos pontos positivos e negativos, e foi isso que aconteceu com essa história. Meg Rusoff resolveu abordar nessa trama um assunto um tanto quanto polêmico para algumas pessoas, ela nos traz Deus como um adolescente mimado.

É muito chato quando você não torce pelo personagem principal do livro, pois como a história é centralizada nele, ela pode se tornar cansativa e monótona. E foi isso que aconteceu, pois logo no início tomei antipatia do Bob (no caso, Deus) que se mostrou um saco, mesquinho e irritante. Temos também o Sr. B que é totalmente frustrado por ter sempre que limpar a sujeira do protagonista e consertar as coisas. Em contrapartida, conhecemos Lucy, que é uma garota meiga, determinada e que dá muito valor às coisas simples da vida, se tornando minha personagem favorita da história.

Capa e verso do livro. 

Eles permaneceram juntos, mas longe, ambos tremendo, então lentamente ela deu um passo à frente e deitou a cabeça no ombro dele. Ele apertou os braços em volta dela e a tarde cinzenta se abriu, expondo um céu de verão rosa-claro de extraordinária beleza, radiante como a luz âmbar quente. Bob era Midas, transformando o mundo em Ouro; em seus braços, Lucy brilhava. À medida que o tempo passava, o espaço em torno deles derreteu, nublou, e se tornou impossível dizer onde terminava e começava o outro.
Pág.: 165

A parte legal é que a autora conseguiu pegar eventos bíblicos e colocá-los de forma bastante engraçada, como o fato de Bob ser tão preguiçoso que criou o mundo em seis dias; ou por nos fazer refletir que ao criar o homem à sua imagem e semelhança é evidente que não seríamos diferentes desse jovem tão orgulhoso e preguiçoso. A história possui elementos mitológicos que acredito que não se encaixaram muito bem na história e ficaram bem vagos, como o fato de Bob ter “ganhado” a Terra como presente de sua mãe em um jogo de cartas,  o que, sinceramente, "não colou".

Apesar de tudo, tenho que reconhecer que a capa ficou simplesmente fofa, adorei o design mesclando a paisagem com os corações em forma de desenho, super cute *-*. A diagramação também ficou bem bacana, com um tamanho de fonte muito bom e que facilita a leitura. Recomendo a leitura para você que gosta de livros bem teens, mas saiba que a história borda temas bíblicos, mesmo que de uma maneira não convencional.


Rock Kisses e até a próxima!