King #1 - Joshua Hale Fialkov

Hey pessoal, tudo bem?

Recebi esse HQ pelo Netgalley e seu lançamento está previsto para o dia 19 de Agosto. Confesso que iniciei a leitura impressionado pela capa e pela ideia do enredo, mas me decepcionei logo nas primeiras páginas. O livro possui um trabalho gráfico excepcional, mas é uma das HQs mais confusas e sem sentido que já li em toda a minha vida.


No mundo criado por Fialkiv, King é o único humano sobrevivente no planeta Terra, um planeta que após o apocalipse passou a ser habitado pela mais variada gama de criaturas antropomorfizadas, mas nenhuma delas normal. Nosso protagonista trabalha para o Departamento de Recuperação de Los Angeles, um local que é responsável por encontrar objetos que pertenciam ao "velho mundo", o que pode variar desde a busca pela lendária Excalibur, até um iPod. Em meio ao caos, antigos deuses gregos, mutantes e um iminente casamento com uma mulher leopardo, King precisa sobreviver e ao mesmo tempo tentar manter seu emprego. 


Existe uma antiga parábola de antes da queda. O conto de um gato a que foi dado tudo o que ele sempre desejou. Uma casa confortável na qual ele é rei. As comidas mais refinadas já feitas pelo homem. Nada é desejado dele e ele não deseja mais nada, afinal, tudo que ele quer está na sua frente. Ainda assim, como nós, sem nada, sem um lar, ou comida, ou esperança... quando ele acordou disse apenas três palavras.
- Eu odeio segunda-feira!

A história tinha de tudo para ser promissora: uma narrativa bacana, uma construção de mundo criativa, um protagonista bem elaborado e um trabalho gráfico de dar inveja, mas, infelizmente, o que causou sua ruína foram os excessos, seja no abuso da criatividade mencionada, seja na quantidade de informações jogadas ao leitor logo no primeiro volume. A ideia de colocar deuses antigos e mutantes em um mundo em caos foi algo genial, mas colocar um desses mutantes como um ser humanoide com cara de hamster que solta fumaça venenosa dos mamilos mecânicos já foi um pouco demais. 

Outro fato que me incomodou foi que o autor, ao longo de toda a história, se preocupou mais em descrever o seu mundo e todas as suas peculiaridades do que dar voz ao protagonista para que ele mostrasse eu leitor seus problemas, seus trabalhos e sua vida. Tudo bem que todas essas informações descritivas foram dadas pelo protagonista, mas foi aquele tipo de monólogo que contem mais os fatos que ocorreram do que como eles afetaram a vida do personagem, entendem? Sei que por ser uma HQ com mais de um volume o autor não pode finalizar a história logo de cara, mas deixar tudo em aberto sem que o leitor tenha pelo menos uma noção do que virá em seguida foi uma jogada muito arriscada, principalmente depois de um primeiro volume decepcionante. 


Não posso dizer muitas coisas sobre a edição, pois li a obra na versão digital, mas como pode ser visto nas imagens acima, as ilustrações e conjuntos de cores presentes na obra são excepcionais e muito bonitas. Em alguns momentos eu ignorava completamente a história e ficava apenas analisando os desenhos das páginas. King #1 é uma HQ que vale a pena ter na estante pelo seu conjunto gráfico, não pela sua história.