Brilhantes - Marcus Sakey

Hey pessoal, tudo bem?

Apesar de ter demorado um pouco para realmente me envolver na leitura, pois comecei a ler umas três vezes e acabei abandonando para ler outra coisa, a narrativa de Marcus e as ideias desenvolvidas na história finalmente conseguiram me prender de uma forma arrebatadora. Brilhantes não foi um livro que me agradou 100%, mas definitivamente está entre uma das melhores leituras do ano. 


A partir de 1980, um por cento das crianças começou a apresentar sinais de inteligência avançada. Essa parcela da população, chamada de “brilhantes”, é vista com muita desconfiança pelo restante da humanidade, que teme a forma como esse dom será usado. Nick Cooper é um deles, um agente brilhante, treinado para identificar e capturar terroristas superdotados e levá-los para a custódia do governo. Seu último alvo está entre os mais perigosos que já enfrentou, um líder responsável pelo maior ataque terrorista dos últimos tempos e que pretende começar uma guerra civil. Mas para capturá-lo, Cooper precisa se infiltrar em seu mundo e ir contra a tudo o que acredita. Denominado pelo Chicago Sun-Times como o mestre do suspense moderno, Markus Sakey criou um universo ao mesmo tempo perturbador e incrivelmente semelhante ao nosso, onde um dom pode se tornar uma maldição.





Os brilhantes (pessoas com inteligência excepcional) sempre existiram e sempre puderam ser controlados em face ao seu pequeno número. Contudo, a partir de 1980, uma porcentagem maior nascia a cada momento e isso acabou fugindo das mãos do governo, afinal, mesmo que muitos deles ainda pudessem ser controlados e prestassem serviços para a população - como proporcionar avanços tecnológicos enormes -, vários outros usavam suas habilidades de maneira errada, se tornando um risco para a sociedade. 

Tendo isso em mente, temos nosso protagonista, Nick Cooper, que é o melhor agente brilhante da DAR - Departamento de Análise e Reação -, cuja função é usar seus "poderes" para capturar tais indivíduos. Em meio ao caos, conspirações e terrorismos, Nick terá que se sacrificar para proteger aqueles que mais ama e ao mesmo tempo combater um poder que desafia a verdade. 

- E isso é bom?
- Não é bom ou ruim. É só parte da gente. 
Pág.: 109

Como disse no começo do texto, a leitura de Brilhantes não me agradou 100%, pois, apesar da narrativa do autor ter se tornado algo fora do comum, tive um certo problema para me conectar com a história e com os personagens nas primeiras páginas. No lugar de apresentar algo mais gradativo, ele simplesmente já bombardeia o leitor com várias informações de uma forma um tanto quanto frenética. Gosto de narrativas mais rápidas e dinâmicas, mas como esse é o primeiro livro da série, penso que ele poderia ter diminuído o ritmo um pouco para assim ganhar o leitor logo no comecinho do livro. Mas não se enganem, continuei a leitura e quando dei por mim já estava absorto no mundo criado por Sakey.

Adorei a forma como os personagens foram caracterizados, bem como a maneira que o autor decide apresentar isso para o leitor. Normalmente pessoas muito inteligentes são emocionalmente distantes, mas o autor não aplicou isso a Nick, que se sente culpado e responsável por não ter conseguido parar um atentado terrorista, ou quando ele faz de tudo para proteger sua família, colocando sua própria vida em risco para protegê-los. Os personagens secundários também são bem desenvolvidos, como é o caso de Shannon, mas não tanto quando Nick, o que já era de se esperar, afinal, ele é o protagonista (Capitão Óbvio manda lembranças HAHAHAHAHA).


O final me deixou um pouco dividido. Ao passo que ele é conclusivo e deixa o leitor com aquele sentimento de que não foram deixadas pontas soltas, o autor optou por deixar alguns ganchos para o próximo volume, o que considero perigoso. Tenho visto no mercado editorial atual que está na moda escrever series e trilogias, pois os autores estão se preocupando mais com quantidade do que qualidade. Cansei de pegar um livro de estréia excelente, para em seguida ser presenteado com uma continuação terrível e porcamente escrita, e isso é um risco que todos os leitores correm. Se o autor mantiver o mesmo nível de desenvolvimento e narrativa que o primeiro livro apresentou na sua segunda metade, a continuação será um sucesso, caso contrário enfrentaremos a famosa "maldição do segundo livro". 

A edição está linda e a arte da capa está fenomenal. Gostei muito dos efeitos empregados, como o alto relevo nos traçados do mapa e o verniz localizado no círculo do título. A diagramação é simples, contendo uma fonte de tamanho mediano e um espaçamento entre linhas que, somados às páginas amareladas, ajudam em uma leitura mais rápida da obra. Não encontrei erros de revisão. Se vocês também começaram a leitura do livro e o abandonaram para ler outra obra, recomendo que peguem novamente e deem mais uma chance, pois garanto que irá valer a pena.