Jackaby - William Ritter

Hey pessoal, tudo bem?

Confesso que quando decidi solicitar este livro para resenhar foi exclusivamente pela capa. Contudo, ao adentrar o mundo criado por William Ritter, vi que a história não é só muito bem construída como também apresenta uma gama de personagens bem trabalhados e envolventes. Infelizmente a narrativa apresenta dois aspectos que não me agradaram muito, mas isso não ofusca o brilhantismo e excelência do conjunto final apresentado ao leitor. 

"Eu sou um homem de razão e da ciência. Acredito no que vejo e posso provar, e o que vejo geralmente é difícil para os outros compreenderem. Até onde eu descobri, tenho um dom ímpar. Isso me permite ver a verdade quando os outros só enxergam ilusão. E há muitas ilusões, muitas máscaras e fachadas. Como dizem, o mundo todo é um palco e parece que eu tenho a única poltrona da casa, com vista para os bastidores.” Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural. Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana. Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara. Prepare-se para desvendar este mistério!

A história se passa na cidade de New Fiddleham, inverno de 1892, e conta a história de Abigail Rook, uma jovem que ao sair de casa para explorar o mundo acaba se deparando com o excêntrico Jackaby, um detetive que possui a capacidade de ver o que as demais pessoas não conseguem: o mundo sobrenatural. Usando de suas habilidades natas e uma mente perspicaz, ela ajuda o detetive a desvendar uma série de assassinatos inexplicáveis que vem ocorrendo na cidade, tendo eles apenas uma coisa em comum: não foram cometidos por um humano. Será que Abigail conseguiu finalmente encontrar a aventura que tanto desejou?  

Douglas (quem leu vai entender HAHAHAHAHA)

- Não fiz nada dessa natureza. Isso seria uma rude invasão de privacidade - o homem disse, secamente, ao tirar um cisco da minha manga, analisá-lo e guardar em seu casaco largo. - Já entendi - anunciei. - O senhor é detetive, não é? - Os olhos do homem param de se mover de um lado para o outro, e voltaram a se fixar nos meus. Desta vez, eu sabia que tinha sua atenção.
Pág.: 12

O livro possui uma narrativa leve e bem elaborada, de maneira que conseguimos ler vários capítulos de uma vez só e nem percebemos o tempo passar, contudo, ela apresenta dois aspectos que, como citado no começo do texto, não só me deixaram incomodado, como também confuso em vários momentos. O primeiro deles pode ser visto no quote acima, não há aquela divisão padrão quando dois personagens estão dialogando, ou seja, no mesmo parágrafo duas pessoas conversam, o que em alguns momentos me confundiu muito, pois não sabia qual deles estava falando. 

O outro aspecto é mais um desgosto pessoal, que é quando o personagem Jackaby se estende demais nas explicações. Em alguns momentos Abigail faz uma simples pergunta ou comentário sobre determinado objeto e recebemos uma enorme explicação sobre ele na qual o personagem fala que aquilo não é algo normal, mas sim "um pedaço de carvalho. Foi cortado de um abrunheiro irlandês por um duende artesão, curado numa fornalha de Gofannon e imbuído com poderes protetores sobrenaturais...". Entenderam? Ele dá explicações que são completamente desnecessárias para a cena, apenas para mostrar que algum objeto não é o que parece ser ou que ele sabe de algo que os demais personagens não sabem, e isso é um pouco cansativo. Contudo, para nossa sorte, isso ocorre apenas na primeira metade do livro. 

Os personagens são MUITO bem trabalhados. Todos eles possuem personalidades únicas, até mesmo o pato, que na verdade não é um pato. De todos, os que mais gostei foram Abigail e Cane, que além de terem desempenhado um papel muito importante na história, também conseguiram me cativar por sua inteligência e lealdade mesmo diante das mais diversas situações. 

Capa americana do segundo livro.

Sua expressão era séria e suas sobrancelhas estavam franzidas. - Vai ficando mais espesso, à medida que nos aproximamos. É escuro e está fluindo para fora, como uma gota de tinta na água, espalhando-se em círculos.
 - O que é? - Minha pergunta saiu como um sussurro, meus olhos se esforçavam para ver o invisível.
 A voz de Jackaby saiu ainda mais suave:
- A morte.
Pág.: 35

O final foi um pouco previsível, pois um pouco depois da metade do livro já dava para perceber quem era o assassino. Contudo, o encerramento foi satisfatório e conclusivo, não deixando pontas soltas e respondendo todas as questões levantadas ao longo de toda a narrativa, deixando apenas pequenos ganchos para o segundo volume. Gostei do destino de alguns personagens e de toda a ação contida nas cenas finais e, apesar dos pontos negativos citados, recomendo sim a leitura dessa obra, pois de uma forma geral ela não é só muito bem trabalhada como apresenta algo que ainda não vi nos livros atuais: uma mistura de Sherlock Holmes e Doctor Who. 

A edição está linda. A capa apresenta tons muito bonitos e verniz localizado de maneira a dar brilho para algumas manchas e efeitos, sem contar que a arte está belíssima e apresenta o contorno do perfil de Jackaby, mas apresentando dentro da sombra o prédio de porta vermelha e Abigail correndo. A diagramação está simples, mas muito bem feita, contendo uma fonte mediana e um espaçamento entre linhas agradável. Achei apenas um erro de digitação, mas nada que atrapalhe a compreensão do sentido da frase.