A Queda da Casa de Usher - Edgar Allan Poe

Hey pessoal, tudo bem?

Hoje trago para vocês a resenha* de mais uma HQ de um dos contos do mestre do terror, Edgar Allan Poe, cujas resenhas dos volumes anteriores podem ser vistas aqui, aqui e aqui. Mais uma vez o autor me surpreende com uma compreensão única, macabra e bem além de seu tempo, dos problemas que afligem o psicológico humano.







A mansão gótica está em ruínas e aos poucos afunda no pântano sob ela. Seus moradores estão doentes e deslizando para o mundo da loucura. E se você ouvir com atenção, poderá escutar o som da hera subindo pelas paredes, o vento sussurrando seu nome e as árvores estalando quando esticam seus galhos para recebê-lo. Por favor, tente aproveitar sua estada...








A mansão de Usher está decaindo e sendo engolida pelo pântano em cima da qual foi construída e, no ápice do devaneio, Roderick Usher envia uma carta para um antigo amigo - o protagonista sem nome -, que prontamente viaja para a mansão com intenção de ajudá-lo. Contudo, ao se deparar com uma casa gótica e caindo aos pedaços, ele percebe que as coisas não são tão simples quanto parecem, e que seus moradores estão aos poucos sucumbindo à loucura. Quando até mesmo a mais minuscula sombra pode ser um agouro de morte, como nosso protagonista aproveitará sua estadia?

- Deixe eu lhe perguntar algo, o que acha da Vida das Plantas?
- Vida das Plantas? Bom, eu... às vezes acho que tem sentimento. Que todas tem vontade própria, ou um plano, talvez.
- Plantas tem planos?
- Como a hera do lado de fora da janela. O que está querendo ao subir devagar pela parede? Deve ter alguma ideia do que está fazendo. Nunca pensou em coisas assim? Nunca se perguntou questões desse tipo?
Pág.:28

Como disse no começo do texto, Poe mais uma vez conseguiu me surpreender por seus insights da mente humana, ainda mais por seu texto ser bem à frente de seu tempo. A Queda da Casa de Usher trabalha as paranoias e obsessões humanas, que quando não controladas levam à loucura e que por consequência influênciam no estado físico da casa. A decaimento da mansão era um reflexo do estado mental de seus donos, ou seja, quanto mais a loucura se entranhava em suas mentes, mais macabra e aos pedaços a construção ficavam. O motivo pelo qual disse que os textos de Poe muitas vezes eram á frente de seu tempo se dá pelo fato de que a psicologia só seria reconhecida como ciência quase 60 anos depois da publicação deste conto, e ainda assim o autor demonstrava um claro entendimento do tema ao metaforizar essa correlação entre um ambiente triste e tenebroso ao estado psicológico de seus donos, bem como as influências que tal espaço tinham, gerando assim um ciclo vicioso.

Os personagens não são tão bem aprofundados como os presentes em livros comuns, o que já era esperado, afinal, estamos falando de um conto. Contudo, pude perceber um claro foco e desenvolvimento maior em Roderick e não no protagonista, seja por suas características mais marcantes, seja pelo fato do autor ter tentado colocar o personagem principal como um narrador cujo único objetivo era dar voz a Roderick, caracterizando assim mais uma vez elementos da psicologia nos quais o protagonista representa a figura do psicólogo que tenta ajudar o amigo - paciente - quando a loucura começa a se apossar de sua mente.

Imagens da capa e interior da HQ

A edição está impecável, o que já era de se esperar quando comparada aos demais volumes da coleção. As ilustrações estão muito bonitas e a cor escolhida para representar a obra foi o verde, ou seja, todas as páginas, dizeres, ilustrações ou efeitos possuem toques dessa tonalidade, como pode ser visto na imagem acima (parece amarelo, mas isso é apenas efeito do flash da câmera). Além deste, a Farol Literário publicou mais 3 contos do autor seguindo o mesmo formato editorial da presente obra  e é claro que recomendo a leitura de todos.

* As impressões contidas no presente texto são as MINHAS interpretações do conto, ou seja, ao trabalharmos algo de um autor tão renomado cujos textos apresentam várias camadas, é sim possível que haja diversas interpretações, sejam elas literais ou metafóricas.