A Herdeira - Kiera Cass

Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Quando descobri que Kiera iria escrever mais um livro retratando o universo da Seleção fiquei em êxtase, mal podia esperar pelo lançamento, estava louca para saber o que tinha acontecido com a America a o Maxon e para conhecer um pouco a respeito dos filhos deles. Assim que iniciei a leitura de A Herdeira percebi que muitas vezes é melhor não saber o que acontece com os personagens de uma das suas séries favoritas após o “Felizes Para Sempre”.






Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.







Após assumir o governo de Illéa, Maxon decide dissolver as castas que restringiam a população a seguir apenas a profissão herdada durante o nascimento. Anos se passam e a geração que cresce sem esse sistema torna-se cada vez mais insatisfeita, já que apesar de não existirem na teoria, na prática as castas ainda continuam impedindo que pais permitam o casamento com pessoas que antes pertenciam a castas inferiores. O acesso aos estudos continua difícil para os das castas inferiores que desejam exercer funções das castas superiores e ainda mais para os de castas superiores que querem trabalhar com as atividades dos de castas inferiores. O numero de desempregados e desabrigados só cresce.

Pensando em uma maneira de distrair a população enquanto tentam criar uma estratégia para resolver os principais problemas do país e evitar uma revolução, Maxon e America decidem que a melhor opção é criar uma seleção para Eadlyn, a futura rainha de Illéa. O único problema é que Eadlyn gosta de ser uma mulher independente e não quer ter que escolher um marido, por isso decide fazer o máximo possível para espantar todos os pretendentes e encerrar a competição da mesma maneira que entrou: solteira.

Nem toda mulher sonha em se casar.

Me parecia admirável que um garoto comum se sentisse preparado o bastante para enfrentar o desafio de se tornar príncipe. Mas ninguém me amarraria antes do tempo, e eu ia garantir que esses pobres coitados soubessem bem onde tinham se metendo.
Pág.: 40

A escrita de Kiera é leve e bem construída, poderia passar dias lendo apenas o que ela escreve sem me sentir cansada, por isso sou tão fã dessa autora. Apesar da história se desenvolver de forma fluida, não gostei muito da proposta apresentada nesse livro. Em a Seleção encontramos mistério, reviravoltas constantes e uma mocinha inspiradora, já A Herdeira foi uma verdadeira decepção nesses quesitos, os conflitos apresentados não são tão envolventes e a mocinha não passa de uma antipática. Por ser fã da série esperava um pouco mais desse volume.

As características da personagem principal são muito irritantes, ela é teimosa, mimada e um pouco manipuladora, tal personalidade é justificada pelo fato de desde pequena ela ser preparada para assumir o trono, porém isso não me convenceu nem um pouco já que Maxon e Camille (futura rainha da França e namorada de Aheren) também passaram por tal treinamento e nem por isso são tão rudes. O que me impulsionou a terminar essa leitura - além da escrita perfeita da Kiera – foram os personagens secundários, pois Aheren, o irmão gêmeo da futura rainha, é gentil, racional e romântico. Também achei o desenvolver do relacionamento de Maxon e America encantador, e os rapazes da Seleção tornam a história ainda mais emocionante.

Ser rainha exige certos sacrifícios.

Eu seria rainha, e uma rainha podia ser muitas coisas... Mas vulnerável não era uma delas.
Pág.: 158

Acredito que até hoje já tenha lido várias histórias cujas protagonistas me desagradaram, contudo nunca encontrei nenhuma que fosse tão insuportável quanto Eadlyn. Adoro quando uma mulher se sente poderosa e autossuficiente, mas o problema de Eadlyn é que ela usa o poder e a persuasão que tem para amedrontar e obrigar as pessoas a atenderem seus desejos. Quem acompanha a série sabe que o pai de Maxon era um rei autoritário que só pensava em poder, a princesa possui um gênio bastante parecido, o que a torna grande parte do tempo incapaz de enxergar os problemas das pessoas ao seu redor. Durante toda a história senti raiva por ela ter um enorme senso de superioridade, mas quando chegamos às ultimas páginas algumas revelações fazem a armadura dela começar a cair, tornando-a mais tolerável e nos impulsionando a desejar ler o próximo volume.

A capa é linda e segue o mesmo padrão que as outras da série, ao colocar as lombadas lado a lado o contraste é maravilhoso. A diagramação também segue o padrão da série contando com o desenho de uma coroa em cada começo de capítulo, a fonte é de tamanho mediano e há um espaçamento agradável entre as linhas, as páginas possuem coloração amarelada. Acredito que cada um deveria ler e tirar as próprias conclusões a respeito dessa história, já que ela reúne vários pontos negativos e positivos.