O Poço e o Pêndulo - Edgar Allan Poe - HQ

Hey pessoal, tudo bem?

Trago hoje a resenha de mais um dos volumes da coleção de HQs inspiradas nas obras de Edgar Allan Poe que a Farol Literário está publicando. Como já era esperado, o tema abordado nesse volume é polêmico e apresentado de uma maneira a mexer com o psicológico do leitor, afinal, estamos falando do mestre do terror. O que você faria se soubesse que foi condenado à morte? Esperaria o momento da execução sob o deleite de seus captores, ou se atiraria na escuridão de um poço sem fim? 






Preso pela Inquisição, o personagem desta história não sabia qual seria o seu fim. Só possuía uma certeza...não escaparia. Para quem gosta de suspense, este livro é a leitura ideal, pois o narrador nos faz sentir parte da história. E o desfecho inimaginável ocorre no último minuto.










O livro conta a história de um homem (sem nome, como já é comum nos contos de Poe), que se tornou prisioneiro da Inquisição e tinha a única certeza de que não escaparia dali com vida. Ele foi submetido a torturas e provações para ao final ser condenado. Contudo, seus Inquisidores não estavam felizes em apenas tirar-lhe a vida, eles queriam vê-lo sofrer, momento este em que o trancam em uma cela absolutamente escura e com um poço no meio. Ou aguardava a execução, ou tirava a própria vida pulando naquele buraco. Entretanto, nem tudo poderia ser tão simples, e nosso protagonista é acometido por várias alucinações, incluindo uma no qual ele está preso ao chão e existe um enorme pêndulo - com uma lâmina afiada na ponta - se aproximando a cada badalada. 

Capa e cenas da HQ

Mas, reparando nas paredes, vi algo surpreendente e aterrador. Elas eram feitas de grandes placas de ferro e decoradas com demônios terríveis. Por um momento, achei que seus olhos brilhavam como fogo. Recuei, exitante e com medo, querendo me afastar daquelas criaturas.
Pág.: 35/36

Não seria uma obra assinada por Poe se não apresentasse um personagem que é vítima do próprio psicológico e se não tivesse alguma metáfora envolvendo parâmetros sociais. No caso de O Poço e o Pêndulo, temos uma critica ácida e recheada de analogias de como era o período da Inquisição Espanhola. Nos é apresentado um personagem que foi capturado e por meio de suas "alucinações" demonstra para  o leitor os terrores da tortura que sofria, tendo como representação de seus captores e de seu destino, a escolha entre a escuridão de um poço (tirar a própria vida) ou enfrentar o pêndulo (aguardar sua execução). 

Isso é o que mais me agrada nas obras desse autor. Nada é o que parece ser e todos os seus textos foram publicados por um motivo, como é o caso da versão original deste conto, que foi publicado em Dezembro de 1842, 8 anos após o fim da Inquisição. Isso gerou certo alvoroço social, pois muitos de seus leitores sofreram na pele e foram vítimas de tal período histórico, tendo fresco na mente as torturas e sofrimentos que sentiram na pele. 

Representação do Pêndulo

A edição está perfeita e muito bem trabalhada, assim como todos os volumes dessa coleção. Temos aquele toque sombrio nas ilustrações, mas ao mesmo tempo o uso de cores específicas que representam o teor da história. Ao passo que a cor predominante em O Coração Delator - resenha aqui - era o azul que representava o "mal olhado", neste temos o uso de laranja e amarelo, representando em suma as chamas das fogueiras que eram utilizadas na maioria das execuções públicas da época. Não encontrei erros de revisão. Leitura super recomendada para todos os fãs do gênero.