Doctor Who: O Prisioneiro dos Daleks - Trevor Baxendale

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Prisioneiro dos Daleks é o mais recente livro que retrata as aventuras do décimo Doctor, interpretado nas telinhas por David Tennant, que tem uma personalidade marcante e um tanto quanto conturbada. Desta forma, diferentemente do que acontece em Mortalha da Lamentação - resenha aqui -, nos deparamos com uma trama mais séria e pesada, o que faz muito sentido se levarmos em consideração o carácter desse "Senhor do Tempo" (talvez o mais marcante de todos). Entretanto, o autor chega a pecar em alguns pontos do livro, o que pode incomodar alguns leitores. 




O Império Dalek não para de se expandir, e batalhas eclodem em vários sistemas solares. Quando o futuro da galáxia está em jogo, o Doutor se vê a bordo de uma nave, a Peregrina, próxima à linha de frente, junto a um implacável grupo de caçadores de recompensas.
O Comando da Terra paga a eles por cada Dalek morto, por cada olho entregue como prova. Mas, com a ajuda do Doutor, os caçadores conseguem algo de valor inestimável: um Dalek inteiro, vivo, com os sistemas desarmados e pronto para ser interrogado. No entanto, com os Daleks nada é o que parece e ninguém está a salvo. Quando o jogo virar, como o Doutor sobreviverá ao se tornar prisioneiro de seu maior inimigo?




Assim como em Mortalha da Lamentação, o que mais chama atenção na obra é a forma como o autor consegue trazer muito da personalidade do décimo Doctor, causando assim aquela sensação de nostalgia em rever todos os seus trejeitos, o lado sério e vulnerável do personagem de David Tennant. Bem como já citado, a trama assume um caráter mais sério, o que pode resultar, inicialmente, certo estranhamento àqueles que estão habituados com um personagem mais cômico e alegre, características estas que encontramos com mais facilidade no seu sucessor, interpretado por Matt Smith (meu preferido). 

Nem tudo é felicidade...
- Sou eu - disse o Doutor. - A Tempestade que se Aproxima.
O olho se abriu um pouco mais, e a pupila negro-avermelhada no centro se retraiu. Um gorgolejo indistinto emergiu levemente dos restos brilhantes.
- Ou talvez você me conheça apenas como o Doutor.
Outro gorgolejo.
- Este é o problema de saltar as linhas temporais - afirmou ele, sentando-se no chão. - É difícil descobrir aonde estamos indo. A história dos Daleks já era bem confusa antes da Guerra do Tempo.
- DOU... TOR...
Pág.: 82

Apesar do talento para transcrever as emoções e sensações do Doctor para as páginas, o autor peca em alguns pontos da sua narrativa. A leitura demora a engrenar e o leitor dificilmente irá se ver fixado e encantado logo nas primeiras páginas, ficando perceptível um up no desenvolvimento da trama e narrativa somente na metade do livro. No entanto, a escrita de Trevor surpreende e agrada, até mesmo pelo fato dele não utilizar palavras de difícil compreensão e abusar das gírias que encontramos na série televisiva.

Outro ponto em que o autor pecou foi no desenvolvimento dos personagens "secundários". Entendo que o ingrediente principal desta receita é o protagonista, e que devido a isto mereça uma maior atenção na sua elaboração e apresentação, mas o que acontece neste livro é que o leitor não consegue criar um vínculo com os outros personagens que também tem um grande papel na história, justamente pelo fato deles não terem tido uma apresentação decente e mais elaborada. Contudo, o Trevor Baxendale soube usufruir de um grande poder que tinha em mãos, os Daleks, pois conseguiu mostrar perfeitamente a clássica e emocionante rivalidade entre o Doctor e eles. Além disso, ele também explorou bastante a vulnerabilidade e impotência do "Senhor do Tempo" sem suas companions, mostrando que no fundo ele é só um homem e que momentos e situações extremas não se resolvem magicamente.

Capa estrangeira
O Doutor engoliu em seco.
- Não tenho como detê-los, Koral.
- Tem, sim! Você sabe que tem!
Ele fez que não com a cabeça.
- Não posso.
Pág.: 129

Apesar das falhas, posso afirmar que o final consegue surpreender. Por fim, O Prisioneiro dos Daleks foi uma leitura que gostei, mas que poderia ter sido melhor caso o autor não tivesse deixado ocorrer o que fora relatado acima. Entretanto, tive a oportunidade de rever o lado mais pesaroso do personagem e seu mais icônico inimigo, os Daleks (EXTERMINAR! EXTERMINAR!). Deixo a minha recomendação a todos. Allons-Y!

A diagramação está simples; com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Na edição temos páginas amareladas e uma capa idêntica à estadunidense, que poderia ter economizado nos elementos envolvidos, mas que consegue captar a essência da história. Não encontrei erros aparentes de revisão.