Alameda dos Pesadelos - Karen Alvares

Hey pessoal, tudo bem?

Não tenho vergonha de falar que eu tenho medo de várias coisas, principalmente do escuro, pois é lá que se escondem as almas torturadas de criancinhas from hell que vieram me buscar. Contudo, também sinto um certo prazer em ler livros que trabalham esse tipo de temática, como as obras de Edgar Allan Poe e Karina Halle, podendo também acrescentar à lista a obra de Karen Alvares, que conseguiu o que vários autores não conseguiram: me forçar a ler durante o dia, o que é uma grande façanha, pois consigo ler apenas de madrugada. 




Vívian era apenas uma mulher solitária, com uma vida normal, presa em sua rotina sem graça, até a noite em que presencia um acidente. A partir daí seu pesadelo começa; ela passa a ter visões de um homem que conheceu no passado e desejava nunca mais encontrar. E o pior: ele quer vingança.
Até que ponto um pesadelo é fruto da imaginação? Vívian descobre que o limite entre a alucinação e a realidade é tão pequeno que a loucura está a apenas um passo de distância e o pesadelo pode estar escondido na nossa mente, como um monstro à espreita, esperando sua chance de despertar. E para escapar do seu horror particular, Vívian precisará entender quais foram seus erros. E finalmente aceitar a própria culpa.





Era um dia como outro qualquer, até que Vivan presencia um acidente de moto, momento este que ela tem a impressão de que a vitima fatal era alguém de seu passado, um homem que ela jurou nunca perdoar, e que permeava seus mais profundos pesadelos, sempre usando sua jaqueta de couro com um corvo dourado bordado nas costas. Após tal acidente, nossa protagonista começa a ver tal homem em cada esquina, cada sonho, cada ponto de ônibus. Até o dia que outro acidente os coloca frente a frente, mas não da maneira que ela esperava, pois ela estava em um lugar que tornava real seus mais profundos medos. Siga a Alameda dos Pesadelos até conseguir abrir os olhos!

Não deixe que seus medos te controlem.

Eu ainda me lembraria daquela noite como meu último sono realmente tranquilo, sem pesadelos, sem medos, sem tremores.
Acordei com meu filho pulando na minha cama e beijando meu rosto, pedindo que eu acordasse. 
Eu também me lembraria dessa cena mais tarde.
E me agarraria a essas lembranças como se fossem uma corda de salvação, amaldiçoando o tempo e a memória que tentariam me enganar, que tentariam me arrancar aquelas imagens que eu em vão insistia em manter impressas em minha retina.
Pág.: 25

O livro em questão possui apenas 199 páginas, mas foram o suficiente para trabalhar todo enredo proposto, como também apresentar personagens bem construídos e cenários muito bem descritos. O que é impressionante, pois já li vários livros com quase o triplo de páginas cujos autores ficam enrolando e descrevendo coisas desnecessárias e deixando os próprios personagens de lado. Um ponto positivo na obra é que, mesmo sendo pequena, a autora conseguiu passar sua mensagem forte por meio de uma narrativa envolvente e tão detalhada, que me vi dando continuidade na leitura apenas durante o dia, de tão real que foram os cenários da Alameda* dos Pesadelos.

Os personagens são bem construídos e suas emoções são transmitidas ao leitor de uma maneira tão perfeita, que sentimos seus medos como se fossem nossos, sejam eles no tempo atual, ou através dos flashbacks que a autora usou para retratar o passado da protagonista. Existe uma cena na qual Vivian escuta seu filho gritar e ao chegar no quarto dele e descobrir o motivo pelo qual ele teve tal reação, me senti na pele da personagem de uma maneira tão profunda que me embolei nas cobertas e fiquei olhando para os lados procurando o homem na jaqueta de couro. As cenas que a protagonista vivencia na Alameda dos Pesadelos me deixaram com muito medo, pois o que a autora trabalha em sua história é algo que para muitos é uma realidade. 

Vale dos Gritos

Era um homem, mais ou menos cinco anos mais velho que eu, mas tinha um tipo de porte e um olhar sedutor que o faziam parecer mais jovem do que realmente era. Tinha cabelos pretos crespos, olhos castanhos grandes e usava uma jaqueta de couro escura, daquelas de motoqueiro. Aquela mesma jaqueta. A que tinha um corvo bordado nas costas, em fios dourados. 
Pág.: 29

A obra, de uma forma geral, é muito boa e super recomendo sua leitura, contudo, existem dois pontos que podem não agradar a todos os leitores. O primeiro deles, é que o motivo pelo qual Vivian sente tanto medo e ódio pelo homem corvo é revelado na segunda metade da obra, e achei isso um pouco tarde para tal acontecimento. Não estou dizendo que a obra já deveria apresentar logo no começo o motivo, mas a demora para revelar o que realmente aconteceu foi tanta, que aos poucos vamos perdendo o interesse nessa informação, afinal, ao longo da obra somos levados a crer que o homem corvo é apenas mais um canalha/cafajeste, para só bem depois descobrirmos que não era somente por aquilo que ele era odiado e temido. O segundo aspecto é que a obra trabalha alguns temas voltados para a religião, e isso pode não agradar tanto os leitores "normais", quanto os mais religiosos e conservadores. 

A edição está simples, mas caprichada. A capa dá um certo medo, pois retrata uma sombra e dois olhos, apresentando ao fundo o que muito provavelmente é o caminho que leva à Alameda dos Pesadelos. As folhas são brancas e as letras são de tamanho mediano, assim como os espaçamentos entre linhas. O livro possui apenas 16 capítulos, o que é algo bom, pois vocês sabem o quanto odeio livros curtos inúmeros capítulos ou obras maiores com apenas 20/25 capítulos. Não achei erros de revisão. Leitura super recomendada!

* Alameda
ê/
substantivo feminino
1. bosque de álamos.
2. rua (ou caminho) constituída por árvores plantadas em fileiras.