Vintage Rock Resenha: Dois Garotos Se Beijando - David Levithan


Olá Vintagers!

Hoje é dia de quebrar alguns tabus e falar de um assunto um tanto quanto polêmico: a homossexualidade. Dois Garotos se Beijando, do autor David Levithan, é um livro que foi recentemente publicado pela editora Galera Record. O autor é bastante conhecido por abordar em suas tramas temas que geram debate e repulsa em fanáticos religiosos e conservadores radicais,  mas que ganham o coração de jovens e adultos de mente aberta por todo o mundo.





Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.







Resumo

Narrado por “seres onipresentes”, em Dois Garotos se Beijando somos apresentados a oito jovens homossexuais que diante todo o preconceito da sociedade e até da própria família, buscam – cada um ao seu modo – uma maneira de aceitação, tanto pessoal como social.

Craig e Harry são ex-namorados que decidem chamar a atenção da mídia, e consequentemente da sociedade, ao tentarem entrar para o Livro dos Recordes protagonizando um beijo por 32 horas. Para tal evento, eles e alguns amigos próximos organizaram para que tudo saísse "nos conformes", escolheram um lugar público e colocaram câmeras para que tudo fosse transmitido ao vivo. O objetivo era atingir a população em massa.

Para os que pensam que o motivo deste beijo é somente uma quebra de recorde, estão muito enganados, Harry e Craig têm um motivo muito sério a ser abordado: a violência contra homossexuais, bem como todas as formas de preconceito, que hoje em dia estão se tornando algo comum em nossa sociedade. Quase todos os dias vemos nos noticiários sobre algum jovem que foi espancado ou brutalmente assassinado por idiotas preconceituosos. Assim sendo, tal evento busca não só abordar tais temas, como conscientizar a sociedade de que amor é amor, não importando o gênero. 

Capa Americana

Sempre subestimamos nossa participação na magia. Isso quer dizer que pensávamos na magia como uma coisa que existia independente de nós. Mas não é verdade. As coisas não são mágicas porque foram conjuradas para nós por uma força externa. Elas são mágicas porque nós as criamos e as consideramos assim.
Pág.: 16

É aí que conhecemos Tariq – o motivo para que Harry e Craig terem tomado essa decisão –, os meninos o conheceram quando foi espancado na rua por alguns jovens pelo simples fato de ser gay e negro. Diante de tanta indignação o casal resolve “chocar a sociedade”.

Em paralelo, temos Avery e Ryan - pra mim, a história mais fofa do livro - que se conheceram em uma festa LGBT e, ao trocarem o primeiro olhar, sabiam que algo diferente tinha rolado. Avery, com seu cabelo Pink, é diferente pois “nasceu menina no corpo de um menino”, logo na infância, seus pais perceberam seu comportamento, entenderam e apoiaram a situação e, até então lhe incentivaram a tomar medicamentos hormonais para que a cada dia ele se parecesse mais com uma garota. Já Ryan, com o cabelo tão azul quanto o céu e um coração repleto de sentimentos bons, vem de uma família conturbada com a separação dos pais e se apaixona por Avery na primeira vez que o vê.

Avery e Ryan

Conhecemos também Peter e Neil, que já são namorados há algum tempo e que sempre lutam para que o amor dos dois prevaleça acima de qualquer coisa, acima até da família conservadora de Neil. E por último, porém não menos importante, temos Cooper, que diferente de todos os outros, pois nunca assumiu sua sexualidade e se satisfaz tendo conversas calientes com outros caras na internet enquanto seus pais dormem. Ele se esconde atrás da tela do computador, porém, no mundo virtual ele não precisa se esconder, pois ele pode ser quem ele quiser.

Opinião

Durante a leitura do livro eu refleti bastante sobre o que eu gostei e o que eu não gostei,  analisando sempre o livro como um todo. A história de David Levithan é, sem dúvida alguma, marcante e nos faz refletir muito sobre o amor e quais são as escolhas que nos tornam pessoas melhores. Porém, um ponto que não me chamou muito a atenção foi o método de escrita, pois durante todo o livro há várias passagens narradas por “pessoas do passado”, e as metáforas feitas por eles com base nos personagens são lindas, porém em alguns momentos fiquei um pouco perdida na história.

Dois Garotos se Beijando traz à tona várias críticas super pertinentes sobre a instituição familiar e seus paradigmas, pois ele coloca todo mundo que o lê para pensar sobre seus pré-conceitos e, como disse anteriormente, as metáforas, apesar de confusas em alguns momento, são lindas. E o que mais me chamou a atenção é que a história traz a luta dos homossexuais pela sobrevivência nessa selva preconceituosa chamada Mundo.


A Galera Record arrasou na edição do livro, a capa ficou linda e o conjunto de palavras formando dois rostos foi de uma sensibilidade enorme. Algumas pessoas não gostaram muito dessa capa, pois queriam que tivessem usado a versão americana, mas eu amei. A diagramação está simples e não achei erros de revisão.

Indico a leitura a todos que desejam conhecer cinco histórias que vão te comover, te fazer admirar e apoiar ainda mais essas pessoas. Indico também para você que ainda cultiva alguns valores contrários e conservadores, para que vejam que o que realmente importa é o que você tem por dentro, pois são suas atitudes que vão te fazer uma pessoa melhor.

Encerro esse post com um trecho de uma música do Lulu Santos:

[...] E a gente vai à luta, e conhece a dor. Consideramos justa toda forma de amor!.

Booktrailer

Rock Kisses!