Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently - Douglas Adams


Hey pessoal, tudo bem?

Não sei se me decepcionei pelo fato do livro ser tão confuso que não consegui entender verdadeiramente várias partes, ou se foi pelo fato de ter criado altas expectativas para com a obra em face ao renome do seu autor. O que sei, é que a leitura dessa obra além de ser extremamente arrastada, também é muito confusa, fazendo com que o leitor se perca várias vezes e até mesmo se disperse da obra. Perdi a conta de quantas vezes parei de ler sem perceber e fiquei prestando atenção nas coisas ao meu redor. 



Richard MacDuff é um engenheiro de computação perfeitamente normal que sempre se comportou muito bem, obrigado, até o dia em que deixa uma mensagem equivocada na secretária eletrônica de sua namorada, Susan Way. Arrependido, toma a decisão mais natural possível: escalar o prédio dela e invadir seu apartamento para roubar a fita com a gravação.
Na vizinhança, Dirk Gently bisbilhota os arredores com seu binóculo quando presencia o ato tresloucado do antigo colega de faculdade e decide entrar em contato para lhe oferecer seus serviços investigativos. Depois de uma série de acontecimentos bizarros, o detetive percebe uma interconexão obscura entre a atitude estapafúrdia do amigo e o assassinato de Gordon Way – irmão de Susan e chefe de Richard, que passa a ser suspeito do crime.
De uma hora para outra, os dois veem-se envolvidos num caso incrivelmente estranho, com elementos díspares e desconexos que, no final, conseguem se encaixar de forma perfeita e construir uma trama típica de Douglas Adams.


A sinopse consegue definir bem sobre o que se trata o livro, por isso não iriei fazer o resumo de praxe da obra. Contudo, devo ressaltar que a sinopse, apesar de chamativa, não é sobre o que realmente se trata a obra, pois me vi submetido a diálogos que não envolvem, e acontecimentos "sem pé nem cabeça", em uma quantidade bem maior que as investigações propriamente ditas. Você nota o nível de confusão presente no livro quando o próprio autor define a obra como: "Um colossal épico cômico musical romântico policial de horror sobre viagens no tempo, fantasmas e detetives". 

Kit que recebi da Editora Arqueiro

Depois de uma semana caótica acreditando que guerra era paz, que o bem era o mal, que a lua era feita de gorgonzola e que Deus precisava que um monte de dinheiro fosse depositado em uma determinada conta, o Monge começou a acreditar que 35 por cento de todas as mesas eram hermafroditas e, então, pifou.
Pág.: 09

O livro começa contando a história de um Monge Eletrônico e sua Égua, e em seguida muda para uma universidade, para depois retornar para o referido Monge, para depois mudar de cenário novamente. E isso se repete ao longo de todo livro, pois o autor retrata várias histórias paralelas das quais fica difícil para o leitor encontrar a conexão entre elas. Admito que alguns dos diálogos e metáforas trabalhadas pelo autor foram geniais e engraçadas, mas elas ficam perdidas em um mar de excessos, pois muitas vezes o autor faz tantas comparações e analogias, que o leitor perde o foco da história.

Outro ponto que me incomodou na obra foi a desproporção na divisão de capítulos e parágrafos. O livor possui apenas 240 páginas e contra com 36 capítulos, o que ao meu ver é um enorme exagero, pois não gosto de capítulos curtos e pouco desenvolvidos. Em contra partida, por mais que os capítulos sejam curtos, me peguei preso em uma narrativa um tanto quanto cansativa em vários momentos, já que o autor coloca parágrafos de mais de meia página para em seguida fazer parágrafos de duas linhas, e isso, para mim, é extremamente irritante, pois ao passo que temos uma descrição absurdamente grande sobre um determinado tema entediante, no seguinte temos apenas duas ou três linhas de um tema relevante para a história. Entenderam quando disse que o livro tinha desproporção na divisão de capítulos e parágrafos? O que foi descrito aqui, acontece ao longo de toda a obra.

Autor

- Alô, Michael? Sim, é a Susan, Susan Way. Você disse que eu podia ligar se estivesse livre esta noite e eu falei que preferiria ser encontrada morta em um valão, lembra? Bem, acontece que eu descobri que estou livre, absolutamente, totalmente e completamente livre, e não parece ter nenhum valão decente aqui por perto. Meu conselho é que você aproveite essa chance enquanto pode. Eu estarei no Tangiers Club daqui meia hora.
Pág.: 11

O final foi tão confuso quanto o resto da obra, sem falar que não foi satisfatório. Outro fato que me desmotivou a acompanhar a série foi que o autor morreu em 2001 deixando apenas dois volumes dessa série, o que me leva a crer que o segundo pode não finalizar a série, fazendo com que nós, leitores, fiquemos sem um final propriamente dito.

A edição está muito bonita e bem feita. A capa é toda em tons de roxo, azul escuro e vermelho, e a editora mandou o gato da ilustração como marcador de página, como pode ser visto na imagem do kit. A diagramação está simples, mas caprichosa. Não achei erros de tradução ou revisão aparentes.