Sombras Prateadas - Richelle Mead

Hey pessoal, tudo bem?

É inegável que Richelle Mead tem o dom de prender o leitor a seus livros de uma maneira que não conseguimos parar de ler até sabermos o que ocorre no final. Contudo, Coração Ardente - resenha aqui - não me agradou completamente como os demais livros da série, pois a autora foi falha ao tentar demonstrar o ponto de vista do personagem Adrian, e com isso acabou descaracterizando completamente sua personalidade. Assim sendo, comecei a leitura de Sombras Prateadas sem muitas expectativas e, apesar de ainda não estar satisfeito com a narrativa sob o ponto de vista do Lord Ivashkov e com alguns desfechos da história, posso afirmar que esse volume é MUITO melhor e mais bem escrito que seu predecessor. 





Sydney Sage arriscou tudo. Ainda infiltrada na organização, trabalhava contra os alquimistas e vivia um romance secreto com o vampiro Adrian Ivashkov. Qualquer deslize poderia trazer tudo por água abaixo, e foi exatamente o que aconteceu: sua própria irmã descobriu seu relacionamento proibido e a denunciou, fazendo com que Sydney fosse capturada pelos seus pares e mandada para a terrível reeducação. Cercada de inimigos e sem saber onde estava ou como sairia dali, Sydney luta para manter sua identidade, sua capacidade de pensar por si mesma e, principalmente, a esperança de que encontrará Adrian novamente.





A história começa alguns meses após o final de Coração Ardente e nos mostra a busca implacável de Adrian, Jill e todos os outros que estão escondidos em Palm Sprins, por Sydney. Ao mesmo tempo também temos a história narrada sob o ponto de vista dela e como está sendo seus dias na "reeducação" dos Alquimistas, bem como toda luta para se manter sã, sem cair nos truques e jogos mentais aos quais era submetida. A história se resume basicamente a isso, com um ocasional porre e farra por parte de Adrian e uma luta diária de Sydney para não esquecer seu amor pelo Moroi enquanto tenta de todas as formas escapar. 

Adrian Ivashkov

- Sei o que é amor, mãe. Tive um amor que ardia todas as fibras do meu corpo, que me fazia querer ser uma pessoa melhor e me dava forças pra passar por todos os momentos do dia. Se você já tivesse sentido alguma coisa assim, teria se agarrado a ela com todas as forças.
Pág.: 97

A narrativa está bem mais envolvente e dinâmica que no livro anterior. Nesse volume conseguimos sentir o desespero da protagonista ao ser submetida a sessões de tortura e "reedução", bem como o medo constante de que em algum momento ela irá sucumbir a tais métodos e vai esquecer do amor que sente por Adrian e que o pessoal de Palm Springs são seus amigos, e não monstros como os Alquimistas querem que ela acredite. Minha birra com o ponto de vista de Adrian continua pelos mesmos motivos expostos na resenha anterior, contudo, admito que isso foi necessário, pois seria um tanto quanto tedioso ter um livro inteiro focado na prisão de Sydney; sem contar que assim conseguimos ter uma visão do mundo exterior e o que está acontecendo na Corte e no mundo Moroi em geral, o que não seria possível se a história fosse narrada só por ela. 

Temos a adição de novos personagens, como é o caso de Emma e Duncan. Ela, uma perfeita bitch garota irritante no começo do livro, mas que aos poucos vamos percebendo que grande parte do que ela faz é puro fingimento. Ele, um personagem que ajuda a protagonista e trespassa confiança, contudo, durante toda a leitura tive a impressão de que ele era bonzinho demais e que de uma hora para outra iria trair a confiança de Syd. Os protagonistas continuam os mesmos, exceto que senti que Sage ficou meio "frouxa" depois que foi capturada. Uma bruxa capaz de usar um feitiço elementar necessário para ajudar seus colegas de cela, não conseguiria fazer um feitiço que iria tirar todos de lá? O que aconteceu com a Srta. Terwilliger? Ela conseguiu - me corrijam se eu estiver errado - em um dos livros da série rastrear uma poderosa bruxa com um feitiço localizador e tudo o que precisava era um objeto que pertencesse a ela. Cadê tal feitiço quando a Sydney é sequestrada? Cadê o coven no qual ela foi iniciada? São pequenas coisas como essas que me incomodam e me impedem de dar 5 estrelas para uma obra. 

Traída por aqueles a quem um dia jurou lealdade. 

- Pequei contra os meus e deixei minha alma ser corrompida. Estou pronta para expurgar essa escuridão. 
- E quais foram os seus pecados? - a voz perguntou. - Confesse o que você fez.
Isso era mais difícil, mas consegui encontrar as palavras. Para chegar mais perto de Adrian e da liberdade, eu era capaz de falar qualquer coisa.
Respirei fundo e disse:
- Me apaixonei por um vampiro.
E, de repente, fui cegada pela luz. 
Pág.: 16

O final foi completamente chocante e confesso que realmente não esperava por aquilo. Sinceramente ainda não sei o que achar de um acontecimento em particular, mas posso dizer que um outro acontecimento segue aquele padrão de finais da Richelle, ou seja, uma mega plot twist que irá fazer com que os fãs da série acampem na porta das livrarias para adquirir o próximo volume da série. Nisso a autora sempre será uma expert, pois seus finais são inigualáveis. 

A edição está simples e seguindo os mesmos padrões dos volumes anteriores. A capa é de um tom cinza metalizado, o que condiz perfeitamente com o título do livro. A fonte é agradável e facilita a leitura, as folhas são amareladas e cada começo de capítulo traz a sombra do que deduzo ser um lírio. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes.