Reboot - Amy Tintera

Hey pessoal, tudo bem?

Acho que nunca fiquei tão feliz em fazer a resenha de um livro como estou nesse momento. Depois de sempre reclamar nas redes sociais que os autores de hoje estão buscando contar de formas diferentes os clichês de sempre (vide Nicholas Sparks e muitos autores de New Adult atuais), finalmente tive a oportunidade de ler algo original e completamente inovador. Amy Tintera conseguiu, de forma simples e bem elaborada, repaginar completamente o mito do Zumbi de maneira a não só instigar o leitor a querer saber o que acontece no resto da série, como também a simpatizar com a causa de seres que tecnicamente deixaram de ser humanos e passaram a ser uma nova espécie de abominação. 




Quando grande parte da população do Texas foi dizimada por um vírus, os seres humanos começaram a retornar da morte. Os Reboots eram mais fortes, mais rápidos e quase invencíveis. E esse foi o destino de Wren Connolly, conhecida como 178, a Reboot mais implacável da CRAH, a Corporação de Repovoamento e Avanço Humano. Como a mais forte, Wren pode escolher quem treinar, e sempre opta pelos Reboots de número mais alto, que têm maior potencial. No entanto, quando a nova leva de novatos chega à CRAH, um simples 22 chama sua atenção, e, a partir do momento que a convivência com o novato faz com que ela comece a questionar a própria vida, a realidade dos reinicializados começa a mudar.





Um poderoso vírus dizimou grande parte da população, contudo, o principal problema não era a morte que ele causava, mas o fato de que as pessoas que eram infectadas por não ficavam mortas. E é aí que a autora já começa a ganhar pontos, pois no lugar de voltarem aqueles zumbis nojentos com pedaços do corpo em putrefação, cujo único objetivo é se alimentar de carne humana/cérebros, ela deu vida aos Reiniciados, que são basicamente as mesmas pessoas que eram quando morreram, exceto que quanto mais tempo ficassem "mortas" antes da reinicialização, menos sentimentos eles tinham, chegando ao ponto de serem meros robôs que só sabem seguir ordens.

 A história gira em torno de Wren 178 (numeração que representa quantos minutos cada reboot ficava morto), uma das reiniciadas com maior numeração até o momento; a reboot perfeita e que sempre seguia todas as ordens que lhe eram dadas, pois sua ausência de sentimentos humanos a tornavam a melhor arma da Corporação. Contudo, com a chegada de Callum 22, cujos sentimentos se assimilam ao dos humanos normais, 178 passa a perceber que as coisas não são tão preto e branco como achava, e que ela estava cansada de ser uma marionete. 

A principal característica de um Reboot são seus olhos brilhantes.

Isso provocou uma nova onda de lágrimas, apesar de eu não saber exatamente o por quê. Acho que ela disse um obrigada engasgado, mas era difícil saber.
Comecei a me levantar, mas ela agarrou meu braço.
- O que eu fiz? Machuquei você?
- Não. Você gritou muito. Me atacou. E eu quebrei suas pernas várias vezes ontem à noite. Sinto muito por isso.
Ela olhou para as pernas.
- Ah, Tudo bem.
Pág.: 63

A narrativa de Amy é bem dinâmica e acabei lendo o livro em 2 dias (normalmente leria em algumas horas, mas como leio somente de madrugada, acabo lendo poucas horas por dia). Como disse no começo do texto, ela conseguiu repaginar completamente o mito do zumbi, fazendo com que eles deixassem de ser aquilo que estamos tão acostumados para ser uma espécia e Humanidade 2.0, na qual os reboots possuem habilidades físicas e mentais superiores às de humanos normais, como maior força, melhor capacidade de cura e regeneração e olhos brilhantes, que a meu ver é um super charme HAHAHAHA. O mundo distópico criado é bem interessante, apresentando uma sociedade oprimida por uma grande corporação que "diz" que seu objetivo é "ajudar" a humanidade, mas que na verdade só quer criar um exército de reboots obedientes.

Os personagens dividiram bastante minha opinião. Ao passo que Callum tem uma personalidade forte e atitudes emocionais condizentes com seu número (22), Wren (178) já apresenta atitudes e pensamentos que não condizem com seu número. Durante todo o livro nos é falado que quanto mais alto o número, menos emoções o reboot tem, e não é isso o que ocorre. Muito pelo contrário, às vezes ficava irritado com a quantidade de questionamentos e sentimentos (raiva, medo, dúvida, preocupação, etc...) que a protagonista tinha. Se a mitologia criada pela autora era de que os números altos são basicamente robôs sem alma que só sabem seguir ordens, como  a reboot com a numeração mais elevada dentro da Corporação teria tantos sentimentos? Esse foi o principal motivo de não ter dado uma nota maior no Skoob para o livro.

Callum

Ficamos nas sombras, ouvindo apenas o trilar dos grilos e a brisa soprando entre as árvores. Meu coração batia tão alto que com certeza Addie podia ouvir, mas ela só ficou ali, firme, observando o edifício e o único segurança à vista. Afastei o medo que gritava em meu peito, afastei a vozinha incômoda que me lembrava que esta era minha única chance de salvar Callum. Eu não precisava de medo ou dúvida naquele momento.
Pág.: 327

O final do livro é inconclusivo, o que já era de se esperar pois este é o primeiro volume de uma série. A autora conseguiu me deixar mega ansioso para saber o que acontece na continuação, afinal, Reboot acaba logo quando as coisas estão começando a ficar bem quentes e literalmente explosivas. 

A edição está simples, porém bem trabalhada. A capa utilizada é a mesma usada na versão americana, contendo um código de barra em verniz localizado representando o número de Wren, apresentando também a frase "Há 5 anos, eu morri. 178 minutos depois, acordei.", que por si só já instiga o leitor. A fonte usada é de um tamanho proporcional, nem muito pequena, nem muito grande, e as páginas são amareladas. Acho que a editora poderia ter incluído o código de barra da capa nos inícios de capítulos, mas isso é apenas uma escolha estética que eu teria feito e não interfere em nada na história ou na genialidade do livro. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes. Leitura super recomendada.