Não-Sei-Quê - Stefan Bachmann

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

O Peculiar - resenha aqui - foi uma leitura de 2014 que gostei devido à forma inusitada que o autor foi desenvolvendo sua história e o mundo em que ela esta inserida. Recentemente, a editora Galera Record lançou o segundo volume da série, intitulado Não-Sei-Quê, que além de ter conseguido prender minha atenção até o fim, contou também com todos os elementos que tanto admirei no primeiro livro. 





Pikey Thomas não tem nada. Nem família nem amigos... nem dois olhos normais. Mas sua visão, quem diria, tem algum valor. Seu olho cinzento, capaz de enxergar o que não está à sua frente, pode ser de alguma valia para o irmão de Hettie — o corajoso aventureiro Bartholomew Kettle. Alguma valia para o nobre que o adotou. E Pikey faria qualquer coisa para escapar do passado, qualquer coisa por uma nova chance.
O destino dessas três crianças está prestes a se entrelaçar. E o resultado pode acabar com o mundo das fadas e o dos homens.






Pikey Thomas é um singular garoto que não tem nada na vida e nada a perder. Bartholomew Kettle vê no garoto uma utilidade que o ajudará a encontrar sua irmã, Hettie, que ainda continua vagando pela Terra Velha. Depois de banidas, as fadas deixaram Londres e foram para o norte, coincidentemente para onde o exército britânico estava indo. Bartholomew e Pikey os seguem em busca de informações sobre o paradeiro de Hettie e o possível Portal que os levarão até ela. 

Stefan Bachmann
Pikey não era seu nome verdadeiro. Nem Thomas, por falar nisso, "Pikey" era como as pessoas chamavam os estrangeiros, e o apelido pegou porque Pikey tinha um rosto tão acobreado quanto uma moeda antiga (se por sujeira ou porque ele realmente era um estrangeiro, nem mesmo Pikey saberia dizer). Quanto a Thomas, era o nome que estava escrito na caixa onde ele fora abandonado havia 12 anos, à soleira de uma porta em Putney: Thomas Ltda. Bolachas e Biscoitos. Qualidade premium.
Pág.: 23

A narrativa que encontramos neste livro não é tão diferente da utilizada em O Peculiar, exatamente por ela envolver os mesmos elementos e características presentes no primeiro volume. Dessa maneira, encontramos uma grande descrição dos cenários e dos acontecimentos, deixando a trama mais compreensível e completa. Apesar de ser considerado um infanto-juvenil, houve momentos de incompreensão e complexidade no enredo, mas acredito que isso tenha sido um dos objetivos do autor ou até mesmo da sua linguagem, mas posso afirmar seguramente que isso não interfere no entendimento da história de uma forma geral. Além disso, ela é narrada em terceira pessoa e sob o ponto de vista alternado de Pikey e Hettie. 

Assim como no primeiro volume, os personagens foram bem construídos e aproveitados dentro da história, sendo carismáticos e apresentando característica únicas que os diferenciam dos demais. Fiquei feliz ao me deparar com poucas descrições do mundo criado pelo autor, visto que essas informações já foram apresentadas com maiores aprofundamentos em O Peculiar e, se recontadas, poderiam tornar a leitura desgastante. A trama é recheada de mistérios. o que é perceptível já no prólogo. É dessa forma que Stefan consegue prender a atenção do leitor. 

Como assim FIM? Quero mais, Stefan... T_T
Atrás, na névoa, Hettie ouvia gritos e um tinido metálico. Esforçou-se para enxergar alguma coisa em meio a tanta brancura, mas havia nada. A névoa rodopiava para todos os lados, infinita e cegante. A única coisa visível era o trecho de grama por onde ela estava correndo, como se a névoa tivesse medo dela e recuasse.
Pág.: 224/225

Não poderei contar sobre o final devido aos temíveis spoilers, mas posso dizer que ele consegue surpreender e ter um ótimo desfecho, sem deixar pontas soltas. Stefan Bachmann veio ao mundo para mostrar que não é preciso escrever infinitos livros para conquistar o leitor (né, James Patterson? ¬¬), mas sim, basta ter uma ótima narrativa, uma escrita marcante e muita criatividade. Aos que gostam de um bom infanto-juvenil, com mistérios, seres mágicos e elementos do steampunk, deixo a minha recomendação. 

A diagramação segue os mesmos moldes de O Peculiar, ou seja, um ótimo espaçamento entre linhas, um tamanho de fonte agradável e a cada início de capítulo há uma ilustração de uma pena. Já na edição, contamos com páginas amareladas e uma bela capa em alto-relevo no nome e nas ilustrações. Não encontrei erros de revisão ou tradução aparentes.