Alif, O Invisível - G. Willow Wilson

Hey pessoal, tudo bem?

Recebi um Kit especial para divulgação e resenha desse livro, em parceria com a Editora Rocco, e confesso que foi uma surpresa muito agradável, pois a obra trabalha uma espécie de aventura cibernética mesclada com elementos fantásticos, uma abordagem que até o momento não vi no mercado editorial atual.






G. Willow Wilson dá vida a um jovem hacker vivendo num estado de exceção no Oriente Médio em seu premiado romance de estreia, Alif, o invisível. Na trama, teologia islâmica, vigilância eletrônica e os acontecimentos da Primavera Árabe se mesclam para tecer uma rica narrativa, na qual o cotidiano colide com o fantástico e o mundo físico com o digital.







O livro conta a história de Alif (que é o nome da primeira letra do alfabeto Árabe), um hacker que tem por objetivo ajudar seus clientes - dissidentes e comunistas - a ficarem escondidos do olhar do departamento de segurança eletrônica do Estado, ao mesmo tempo em que esconde a si mesmo, pois sabe que se eles o encontrarem sua vida acabará da forma como ele a cnhece. Contudo, seu computador é "hackeado" pelo governo e ele se vê forçado a fugir, com a ajuda de sua amiga Dina, em uma aventura envolvendo o mundo virtual e o real, a fantasia e o ocultismo. O que fazer quando sua amada o abandona deixando apenas um misterioso livro?

A Mão de Fátima, um amuleto de sorte e proteção contra os Djins.

Pelo menos somos honestos entre nós e não cobiçamos o que não nos pertence. O homem foi exilado do Jardim por comer uma única fruta e agora você propõe arrancar toda a árvore sem que os anjos percebam. Você é um velho tolo e o Impostor sussurra em seu ouvido.
Pág.: 14/15

Apesar de não ser muito fã de livros que contenham muitas descrições, gostei muito da narrativa de Alif, pois nunca tive nenhum contato com os aspectos da cultura Árabe, e foi nesse ponto que uma boa descrição se tornou algo positivo. A maneira como a autora apresenta essa cultura, uma sociedade patriarcalista, um mundo onde as mulheres muitas vezes são tratadas como meros objetos e devem sempre encobrir seus rostos, acabou despertando ainda mais o meu interesse, pois sou apaixonado pela diversidade cultural, mesmo que não concorde com muitos aspectos de diversas dessas culturas. G. Willow conseguiu não só entreter e instigar o leitor a ler sem parar para descobrir se o protagonista iria conseguir impedir que o Alf Yeom caia nas mãos erradas, como também nos ensinou que no mundo existe uma diversidade tão grande que acabamos por nos sentir pequenos.

Confesso que não gostei muito da quantidade de personagens no livro. São tantos, que no final ficava até difícil criar uma identificação com cada um deles, pois normalmente, mesmo sendo personagens secundários, acabamos por gostar mais de um do que de outro, ou até mesmo gostar mais deles que o personagem principal, o que é mais complicado quando temos uma quantidade muito grande. Contudo, isso não me impediu de me apaixonar por Dina, pois ela é a definição de uma verdadeira amiga. Sempre que Alif precisava ela estava lá, ela o obrigava a acordar para a realidade e a ser forte quando a única coisa que ele queria fazer era fechar os olhos e se esconder, e ela o fazia de uma maneira não só a ajudá-lo, mas também a fazê-lo crescer e amadurecer ao longo da trama.

O Kit é composto de: livro, bag, pendrive em forma de cartão e um mousepad.

Era uma fera, embora diferente de qualquer outro animal que Alif tivesse encontrado: imensa, avermelhada, indistinta, uma mancha de sangue nas pedras claras da pavimentação. O pelo caía em tufos pelas pupilas de cabra em olhos de um azul cintilante. Não haviam dentes em suas mandíbulas primitivas; em vez disso, fileira após fileira de facas recuavam para o escuro de sua garganta. Era o pesadelo de uma criança, a fantasia de um cérebro inocente demais para incluir a maldade humana, mas capaz de imaginar algo muito pior. Alif ouviu um grito alto e fino e ficou mortificado ao perceber que ele próprio o soltara.
Pág.: 256

Alif, O Invisível pode não agradar muitos leitores, pelo fato de ter muitos personagens, uma ambientação em uma cultura que muitos não são familiarizados, ou até mesmo pelo fato de várias das expressões Muçulmanas/Árabes não terem uma definição imediata, com uma nota explicativa ou um glossário no final do livro. Contudo, posso dizer que me apaixonei pela história e pela originalidade da autora ao criar um mundo que mescla a fantasia e tecnologia. 

A edição está linda. A capa é feita em tons amarelo neon e verde escuro, o título é em alto relevo e dentro da palavra Alif podemos ver a representação de vários circuitos de computador. A diagramação é simples, mas contem pequenos toques temáticos que dão um certo charme, como algumas das expressões escritas assim: العربية. A fonte utilizada é mediana, as páginas são amareladas e a parte interna da capa possui formas geométricas em preto, branco e cinza.