Scarlet - Marissa Meyer

Hey pessoal, tudo bem?

Posso afirmar com 100% de certeza que Scarlet passa longe da tão temida "maldição do segundo livro". Marissa conseguiu não só dar continuidade à história de Cinder, como introduzir como protagonista um novo personagem muito bem construído e de personalidade indomada. Scarlet é uma jovem que consegue te prender do começo ao fim.






Scarlet, segundo livro da saga, é inspirado em Chapeuzinho Vermelho e mostra o encontro da heroína ciborgue que dá nome ao romance anterior com uma jovem ruiva que está em busca da avó desaparecida. Em uma trama recheada de ação e aventura, com um toque de sensualidade e ficção científica, Marissa Meyer prende a atenção dos leitores e os deixa ansiosos pelos próximos volumes da série.








Scarlet mora com sua avó em uma fazenda em Paris, contudo, a mesma está desaparecida e cabe à protagonista de capuz vermelho e ao misterioso lutador de rua, Lobo, encontrá-la. Ela sabe que não pode confiar em um estranho, mas algo nele a atrai, e o sentimento parece ser recíproco. Quando em sua jornada eles encontram uma Ciborgue de nome Cinder, sua aventura se torna mais perigosa, pois agora precisam se esconder da perversa Rainha Lunar. Elementos do conto original como a própria avó, o Lobo (que é um homem) e o famoso "capuz" estão presentes, sendo alterado basicamente o resto da história, afinal, a obra é uma releitura moderna e distópica do conto dos irmãos Grimm, com direito à participação de Cinder e dos lunares de maneira harmônica e bem construída.

Mesmo que Lobo seja humano, eu só imaginava eles assim Rsrsrs.

Scarlet se inclinou para frente e olhou o contorno do maxilar. As maçãs proeminentes. O cabelo, tão selvagem e suave ao toque quanto parecia. Por fim, ele inclinou a cabeça, tocando delicadamente nos dedos dela. 
Pág.: 258

A narrativa da autora melhorou, quando comparada com a apresentada no primeiro livro. Não que a narrativa de Cinder seja ruim, longe disso, é só que gostei mais da maneira como ela apresentou os fatos nesse volume e de algumas mudanças bem badass que fez do que as do primeiro livro, principalmente no que diz respeito a personagem Scarlet. Tudo bem que transformar a Cinder em uma ciborgue que perde o pé mecânico no lugar do sapato de cristal foi algo genial, mas as mudanças em Scarlet foram mais sutis e menos fantasiosas, como o fato de no lugar da tão aclamada capa vermelha (como da foto acima) ela use algo mais parecido com uma blusa de frio com capuz, e no lugar da cesta de guloseimas ela carrega para baixo e para cima um resolver (como não amar? *__*). 

Os personagens principais não poderiam ser mais diferentes um dos outros quando comparamos Cinder com Scarlet, como já fora dito. Cinder é uma jovem completamente passiva, pois é uma renomada mecânica e ainda assim deixa que sua madrasta faça dela de "gato e sapato", já Scarlet é impulsiva e determinada e quando coloca uma ideia na cabeça é quase impossível fazê-la desistir, ela sabe se impor e defender o que quer, coisa que Cinder quase não fez no primeiro livro da série. Eu gostei de Lobo e dessa mudança que ele sofreu quando comparado ao conto original, acho que uma relação entre ele e Scarlet, no contexto das Crônicas Lunares, é bem mais proveitoso e real do que toda aquela  história do lobo mau na floresta.

Cinder

Ainda em estado de choque, ela se forçou a virar o rosto para longe e rolou para ficar de lado. Seu estômago se revirou, mas não havia nada nele além de bile e saliva. Sentiu gosto de ferro, ácido e sangue e percebeu que tinha mordido a língua quando Ran a jogou na parede, mas não havia dor. Só o vazio e horror, e uma nuvem preta se aproximando.
Ela não estava lá. Isso não estava acontecendo. 
Pág.: 400

O final do livro deixa o leitor querendo ler logo o próximo volume, contudo, o que mais me agradou não foi o final em si, mas o que levou a este final. Gostei como a autora conseguiu mesclar a história de Scarlet, Cinder e os Lunares para que todos fizessem parte de uma aventura que aos poucos vai se encaixando e formando um belo cenário. Não vejo a hora de ter em mãos Cress, terceiro livro da série. 

A edição segue os mesmos padrões do livro anterior, contendo uma capa com verniz localizado nas imagens da capa, folhas amareladas e uma diagramação simples, porém bem feita. Não achei erros de revisão ou qualquer trecho que implique algum problema de tradução, que foi feita por Regiane Winarski.

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