Minha Mãe É Uma Peça - Paulo Gustavo

Hey pessoal, tudo bem?

Conheci o trabalho do Paulo Gustavo com o programa 220 Volts, no MultiShow, e desde então venho acompanhando suas peças, vídeos e demais mídias. Então imaginem a minha felicidade quando recebi um e-mail da Editora Objetiva me oferecendo o livro Minha Mãe É Uma Peça para resenhar. Paulo mostrou que é um pacote completo: ator, comediante, autor... basicamente, tudo o que esse cara faz é de qualidade e um sucesso, e com essa obra não seria diferente, pois me peguei rindo do começo ao fim (literalmente, você começa a rir logo na introdução do livro).




Em sua estreia na literatura, Dona Hermínia — ou melhor, Paulo Gustavo, seu criador — fala sobre sexo, dietas e religião, dá conselhos de como criar os filhos, explica a antipatia que tem por Freud e sua “mania de colocar tudo que é culpa na mãe”, mostra como navegar na internet e faz seu guia de viagens. E, ao contrário dos manuais que ensinam como segurar o marido, conta os segredos para não perder o ex.
Paulo Gustavo ficou famoso com o monólogo Minha mãe é uma peça, em cartaz desde 2006. Pelo papel, foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2013, o espetáculo virou filme, que teve o maior público do cinema nacional no ano, com 4,6 milhões de espectadores. Agora, a dona de casa divertida e mandona, que arranca gargalhadas cúmplices no teatro, na TV e no cinema, surge no livro Minha mãe é uma peça em fotos, ilustrações e textos inéditos escritos com a colaboração de Ulisses Mattos e Fil Braz.

O livro, como pode ser visto na sinopse, conta um pouco mais das aventuras da Dona Hermínia. Quando recebi o exemplar, pensei que seria algo semelhante à obra Put Some Farofa, do Gregório Desvivier, onde o autor colocou alguns textos inéditos, mas muitos deles já haviam sido publicados ou transformados em vídeos, mas estava completamente enganado. As histórias contadas em Minha Mãe é uma Peça são completamente inéditas e bem diferentes das situações apresentadas no filme homônimo. Paulo/Hermínia conseguiu criar novos cenários e temas para abordar, como um guia de viagem para brasileiros no exterior, ou como ela tentou arranjar um emprego para Juliano, cuja unica ambição era "decorar as coreografias daquela cantora que ele ama, a Cebion. Ou Becion, ou Bion-C, sei lá. Aquela negona linda, mas com nome de remédio, coitada". Sentiram o nível da coisa? HAHAHAHAHA


Juliano, Dona Hermínia e Marcelina

Eu queria fazer que nem num filme que eu vi quando criança, Volta ao mundo em 80 dias. Mas se eu viajo e fico fora cinco dias é o suficiente para Juliano e Marcelina morrerem de fome. Quando acabar a comida, vão comer o quê? Vão comer biscoito. Quando acabar o biscoito, aí é que vão partir para a fruta, porque é o que fica por último lá em casa quando eles vão comer. Quando acabar a fruta, Marcelina vai atar o quê? Calçados! Porque se deixar, essa garota come os tênis.
Pág.: 64/65

A narrativa é deliciosa, pois além de leve, consegue te prender do começo ao fim com um estilo de humor que somente Paulo Gustavo consegue dominar. Comecei a ler o livro na tarde da última sexta-feira e quando vi já havia acabado, e ainda nem tinha anoitecido. Posso afirmar que foram 150 páginas de muita risada e reflexões sobre o quão loucas nossas mães podem ser, mesmo sabendo que tudo o que elas fazem é para nosso bem.

O livro possui os mesmos personagens do filme: Dona Hermínia, Juliano, Marcelina, Carlos Alberto, "a vaca da Soraia", dentre outros. Contudo, não temos uma visão em primeira pessoa desses personagens, mas sim, Hermínia narrando o que acontece com eles, e é isso que faz da obra algo tão divertido, pois a personalidade da personagem principal é algo fora do normal e imensurável.

Marcelina, quando não quer levantar para tomar banho.

Mas e Marcelina na prisão? Eu tenho que estar o tempo todo lá, pra levar comida pra coitada. Senão ela mata uma pessoa e come. Capaz de virar canibal em 15 minutos se eu não seguro essa menina. A pena dela aumentaria por canibalismo.
Se bem que eu não vejo a menor possibilidade de Marcelina virar canibal, porque no primeiro dedo que ela morder do colega eu viro a mão na cara dela e ela larga o canibalismo em 10 minutos.
Pág.: 22

A obra não conta com um começo e final linear, como nos livros que estamos acostumados a ler, pois é composto por vários textos no estilo conto, nos quais a personagem divaga e narra suas "aventuras"  sobre como é ser mãe solteira de dois adolescentes. Há MUITO tempo não dava 5/5 estrelas para um livro no Skoob e foi com muito prazer que o classifiquei assim, e favoritei. Apesar de achar que não é necessário que você tenha visto o filme antes de ler o livro, recomendo que o faça, pois no filme temos uma introdução maior sobre os personagens e o mundo que estão inseridos. 

A edição está simples, mas muito bonita. Na capa temos o autor do livro incorporando seu personagem de maior sucesso, a Dona Hermínia; a diagramação está muito bem feita, contendo uma fonte de tamanho mediano que favorece uma leitura fluida e dinâmica, bem como fotos de cartões, listas e da peça de teatro Minha Mãe é Uma Peça. Não achei erros de revisão ou digitação. Leitura mais do que recomendada!

Dona Hermínia falando de estilo.