Entrevista Com o Vampiro: A História de Cláudia - Anne Rice

Hey pessoal, tudo bem?

Quando vi que Ashley Marie Witter ia lançar uma versão Graphic Novel de Entrevista Com o Vampiro, mas com uma adaptação de texto para apresentar aos leitores a história sob o ponto de vista de Cláudia, a vampira recém transformada por Lestat em um momento de tédio e perversão moral, fui às nuvens. Apesar de não gostar muito do estilo narrativo de Rice, sou apaixonado por seus personagens e pelas adaptações cinematográficas de suas obras, e com essa GN não foi diferente. 





Esta não é simplesmente uma adaptação para os quadrinhos de Entrevista com o Vampiro, best-seller de Anne Rice que virou filme em 1994. Meticulosamente ilustrado por Ashley Marie Witter, a versão em graphic novel do livro de estreia da rainha dos vampiros reconta a história sob um ponto de vista inédito: o da vampira criança Cláudia, a imortal de 6 anos de idade, órfã e assassina, vítima e monstro, representada por Kirsten Dunst na versão cinematográfica. As ilustrações em tons de sépia retratam fielmente os personagens andróginos de Rice e ainda reforçam o clima sensual e sombrio da obra original, renovando e enriquecendo a narrativa.





O livro conta a história de Cláudia (Capitão Óbvio mandou lembranças, Matheus ¬¬) e segue o mesmo desenrolar de fatos que o presente em Entrevista Com o Vampiro. O diferencial é que enquanto no livro original temos a narrativa na visão poética de Louis - que pensa estar condenado ao inferno por ser o que é - neste temos a história sob o ponto de vista inocente de uma criança que vê em dois monstros a exuberância e tentação de uma vida imortal. Contudo, décadas se passam e Cláudia se vê presa e sem escapatória, pois estava fadada a viver em um corpo que por toda a eternidade seria delicado e infantil; uma eterna boneca de porcelana cujos caprichos do tempo lhe fora negado.

A Graphic Novel toda é em tons sépia, exceto pelo sangue. 

Boneca... Deixe-me vesti-la, deixe-me pentear seus cabelos.

A narrativa, como dito acima, é inicialmente inocente e desperta no leitor simpatia e ao mesmo tempo pena, pois a vida de uma jovem foi ceifada para dar lugar à vida de uma imortal. Contudo, é claramente perceptível a mudança nas atitudes da protagonista e a forma como ela narra os fatos e expõe seus pensamentos, pois, apesar de continuar jovem e com rosto angelical, décadas vão se passando e às vezes esquecemos que dentro daquele corpo habita uma mente já centenária e que pouco a pouco foi banhada a sangue e crueldade. É clara a relação de idolatria que a protagonista tem com os vampiros Louis e Lestat, assim como também é claro o momento em que tais sentimentos se tornam desprezo e ódio (por Lestat) por ele ter condenado-a a uma vida presa naquele corpo.

Os personagens em si possuem as mesmas personalidades do livro original. Lestat continua vil e apto a realizar qualquer um de seus caprichos no momento que lhe da vontade, independente de quantas vidas ele terá que sacrificar para isso. Já Louis é o oposto, pois, ao pensar que Lestat o deu uma maldição e não um dom, se vê fadado ao inferno, o que torna o personagem mórbido e ao mesmo tempo poético, lembrando muito o estilo dos personagens do poeta inglês Lord Byron, que possuem como características o pessimismo, morbidade e a angústia. Cláudia, como fora dito, é inocente no começo do livro e completamente monstruosa no final, tomada pelo rancor, chegou ao ponto de arrastar pessoas e dá-las como "drink" a seu criador.

Cláudia, Louis e Lestat, na adaptação de Entrevista Com o Vampiro para o cinema.

Assim que o primeiro raio de sol surgiu, o medo se foi, seguido por uma contemplação harmoniosa.
[...] No entanto, ultimamente, minha existência era insustentável, com o rancor dentro de mim transbordando para este delicado recipiente. Não sofreria mais. Meu último pensamento foi em meu precioso e frágil Louis... e em como ele carregaria seu sofrimento pela eternidade.


O desfecho da história já é conhecido por todos aqueles que viram filme ou leram as Crônicas Vampirescas, mas gostei de ver como Marie Witter via as coisas, pois suas ilustrações conseguiram dar vida de uma forma diferente da presente no filme, algo que me agradou muito, pois deu um ar ainda mais antigo à narrativa.

A edição está simplesmente perfeita. A obra possui capa dura e título em dourado, tanto na frente quanto na lombada. As ilustrações são todas feitas em tom sépia, o que dá impressão de que estamos vendo a história através de fotos antigas e desgastadas pelo tempo, sendo apenas o fogo e o sangue representados por cores alaranjada e carmesim, respectivamente. Não encontrei erros de revisão ou de tradução aparentes. Leitura mais que recomendada para todos os fãs de Anne Rice, vampiros e Graphic Novels.