Dominação Cultural

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que o presente texto nada mais é que minha humilde opinião e que não estou criticando o gosto literário de ninguém ou dizendo que o seu posicionamento sobre o assunto está errado. Estamos apenas propondo uma discussão saudável e expondo um ponto de vista sobre o assunto.

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Quando lemos em revistas e artigos científicos que os seres humanos são especiais, acredite, realmente temos muitas capacidades, e dentre elas a de produzir cultura. Mas o que isso quer dizer? Basicamente, é quando propagamos para os que estão ao nosso redor - ou até mesmo para quem está do outro lado do planeta - um conjunto de conhecimentos e manifestações sociais, artísticas e comportamentais que dizem respeito a uma determinada nação/raça/tribo/panelinha/etc. Entretanto, as questões culturais vão muito além de meras definições, principalmente quando as relacionamos com assuntos que versam diretamente sobre a geopolítica, como o capitalismo e a globalização da distribuição e acesso a informação de forma instantânea.

Muitos devem estar questionando o que este assunto está fazendo em um blog literário. Embora alguns leitores não percebam, é quase que assustador entrar em uma livraria e observar atentamente que as estantes mais cheias de possíveis compradores são as que contêm livros estrangeiros, em sua maioria as de escritores best-sellers norte-americanos. Claro que devemos levar em consideração a livre escolha da pessoa, entretanto, ainda podemos perceber que há certa desvalorização da cultura brasileira.

A Globalização possibilitou um maior compartilhamento de informações, todavia, percebe-se que os grandes eixos econômicos conseguem propagar com maior facilidade seus valores culturais, podendo causar o "esquecimento" de certas tradições locais. O Capitalismo por sua vez cooperou com o surgimento da Indústria Cultural, transformando as manifestações culturais em produtos a serem comercializados. A partir do momento em que os EUA assumiram o posto de maior potência mundial, podemos perceber sua hegemonia sob as demais culturas, ditando um estilo de vida a ser seguido, como por exemplo, seus hábitos alimentares, a forma como Hollywood influencia as demais produções cinematográficas ao redor do mundo, quais os temas são abordados no mercado editorial atual (vide a febre Crepúsculo e a atual 50 Tons de Cinza), dentre outros elementos. 


Podemos considerar esse fato como um de vários pontos que englobam a dominação cultural, onde temos uma cultura dominante, carregada com suas tradições e crenças, sobrepondo as demais. Infelizmente, este quadro é mais que perceptível nos dias atuais, principalmente quando notamos que algumas pessoas entendem melhor os costumes estrangeiros ao invés dos próprios. Precisamos de parar de pensar que tudo que é internacional (sobretudo estadunidense) tem uma qualidade superior a qualquer produto/serviço nacional, em especial, a nossa literatura que aos poucos vem mostrando sua força e resistência a essa "crise de identidade".

A culpa dessa transformação não fica só por parte desses processos, mas também pela falta de incentivos maiores por parte do governo e instituições à cultura brasileira, ocasionando assim maiores interesses em valores estrangeiros. Ainda assim, acredito que o fator central dessa problemática esteja nos próprios brasileiros, que por falta de conhecimento da própria cultura, acabam taxando a mesma como pobre e desmerecida de reconhecimento, levando-o a dar mais credibilidade a outros costumes e estilo de vida de outros países pelo simples fato de ser "pop".

Bem, como já devem ter percebido, este texto não teve muita ligação com o mundo literário, mas sim algo mais voltado ao desenvolvimento atual da cultura de outros países, quando comparadas com nossa própria cultura, além de buscar uma maior valorização interna através de um sistema interligado que demanda cooperação de todos os elementos envolvidos. Dessa forma, recomendo buscarmos maiores informações sobre a nossa identidade (política, economia, elementos artísticos, dentre outros), passando a reconhecer sua importância para a formação da sociedade, para que nossos próprios costumes não entrem em "extinção".