Doctor Who: Mortalha da Lamentação - Tommy Donbavand

Saudações, caros leitores, como vocês estão?

Aos que não conhecem, Doctor Who é uma série televisiva britânica produzida pela BBC desde 1963 até hoje. E mesmo que tenha uma idade considerável, ela ainda faz bastante sucesso no mundo, uma vez que suas histórias são mirabolantes, cativantes e humorísticas, além de estar sendo inovando constantemente e trazendo um novo Doutor de tempos em tempos. Embora eu tenha minhas considerações pela série, confesso que estava meio receoso com esta leitura, visto que até então nunca havia lido nada relacionado às aventuras do "Senhor do Tempo", ficando aquela dúvida se o autor conseguiria trazer as mesmas emoções que vemos no seriado. Entretanto, Mortalha da Lamentação conseguiu transmitir aquela sensação de nostalgia ao ter contato novamente com o personagem do Matt Smith, bem como suas formas brilhantes de interpretação e humor.



Em Doctor Who – Mortalha da lamentação, é o dia seguinte ao assassinato de John F. Kennedy — e o rosto de pessoas mortas começa a aparecer por toda parte. O guarda Reg Cranfield vê o pai na névoa densa ao longo da estrada Totter Lane. A repórter Mae Callon vê a avó em uma mancha de café na mesa de trabalho. O agente especial do FBI Warren Skeet se depara com seu parceiro falecido há muitos anos olhando para ele através das gotas de chuva no vidro da janela.
Então os rostos começam a falar e gritar. São as Mortalhas, que se alimentam da tristeza alheia, atacando a Terra. Será que o Doutor conseguirá superar o próprio luto para salvar a humanidade?





Enquanto retornavam de uma missão, o Doutor e sua companheira, Clara, são surpreendidos com um estranho mau funcionamento na TARDIS, fazendo-os parar em uma época e lugar desconhecidos. Entretanto, ao perceberem que estavam exatamente um dia após a morte do presidente John F. Kennedy e que rostos de pessoas falecidas estavam aparecendo e capturando as mentes das pessoas vivas, eles decidem tentar solucionar o caso, buscando uma explicação para os acontecimentos.

“Minha experiência é que há, surpreendentemente, sempre uma esperança.” - Doctor Who

- Como você pode dizer uma coisa dessas? - gritou ele. - Eu jamais faria isso com você. Você era meu parceiro! Era meu amigo!
O rosto de vidro se retorceu, com os traços de gotas de chuva formando um olhar de desprezo.
- E eu morri por sua causa!
- Não! - Warren pegou uma caixa de livros e jogou no rosto. A caixa arrebentou a janela e caiu com um barulho pesado seis andares abaixo.
Pág.: 30

Mortalha da Lamentação foi uma grande surpresa para mim. Somos surpreendidos com uma trama bem humorada, misteriosa e, como de costume na série, inusitada. Apesar de aparentar certa simplicidade, pude perceber que o enredo tem suas complexidades e que o autor tentou ao máximo explicar algumas delas. Entendo que determinadas coisas ficaram superficialmente apresentadas, mas isso é até compreensível, visto que muitas informações acerca de pequenos detalhes poderiam tornar a história entediante e descritiva demais para alguns leitores que não estão familiarizados com o universo espetacular de Doctor Who. Outro detalhe que chamou bastante a minha atenção foi a fidelidade quanto as emoções e reações dos dois personagens principais, sobretudo, as do Doutor, visto que em muitas vezes me vi imaginando o Matt Smitt contracenando tal trecho com a Jenna-Louise, atriz que interpreta a Clara na série de TV.

As qualidades não ficam só por conta da trama, mas também pelas características de seus personagens. É quase impossível não se apegar à personalidade do Doutor, que apesar de sua excentricidade, consegue demonstrar perfeitamente seu lado engraçado e irônico de ser. Clara por sua vez já demonstra uma personalidade cautelosa e simpática. Além disso, somos apresentados a outras personalidades que tem grande importância dentro da história, como é o caso da jornalista Mae que viu o rosto de sua avó já falecida. Por conter spoilers, não entrarei em detalhes sobre o que poderia estar ocasionando essas aparições e como é seu funcionamento, mas posso afirmar que o autor conseguiu manter um delicioso mistério, instigando o leitor a continuar a leitura até o final. A narrativa é feita em terceira pessoa e de forma bem dinâmica.

Tommy Donbavand, autor e fã de Doctor Who

- Kübler quem?
- Elisabeth Kübler-Ross - gritou o Doutor. - Ela postulou que existem cinco estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. A gente discutiu na época, mas ela é que tinha razão. Está tudo no livro que ela publicou em 1969.
- 1969? - Indagou Verde. - O senhor sabe que estamos em 1963?
Pág.: 76

Acredito que o final poderia ter sido mais elaborado, entretanto, ele não chega a ser uma total decepção. Embora tenha suas falhas, Mortalha da Lamentação acabou me agradando devido a sua trama, seus mistérios e, especialmente, a personalidade do Doutor. Claro que deixarei a minha recomendação, mas com uma advertência: não esperem um enredo fadado à seriedade, pois não encontraram, afinal, estamos falando de Doctor Who.

A diagramação está simples; com um tamanho de fonte agradável e um ótimo espaçamento entre linhas. Já na edição temos páginas amareladas e uma bela capa com a imagem do Doutor, Clara e de alguns elementos que compõem a trama.