Dark House - Karina Halle


Hey pessoal, tudo bem?

Quando vi na capa da obra a frase "Experimente o Terror", achei que seria apenas uma jogada de marketing da editora para atrair mais leitores que são fãs de histórias macabras, como as de Edgar Allan Poe. Não poderia estar mais enganado. Dark House conseguiu o que nenhum outro livro conseguiu nos últimos anos, que é me fazer ler uma história somente durante o dia (quem acompanha o blog sabe que só consigo ler à noite). Com uma história que se encontra no meio do caminho entre A Mediadora e O Sexto Sentido, Karina Halle despertou, literalmente, o meu mais profundo medo.



Sempre houve algo fora do normal com Perry Palomino. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum. Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas. Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.




Perry Palomino sempre teve amigos imaginários quando criança, o que a fez ser submetida a tratamentos psicológicos durante alguns anos, para só então admitir que todas aquelas visões eram fruto de sua fértil imaginação. Mas e se o que ela via fosse verdade? Após começar a ter sonhos estranhos com um quarto escuro e uma sombra assustadora, Perry começa a ver pessoas estranhas ao seu redor, como uma idosa com maquiagem borrada e um sorriso sinistro e um pescador encharcado cujo rosto se esconde nas sombras do capuz. Eis que uma visita à propriedade de seu tio torna real seus piores pesadelos, pois o quarto de seus sonhos realmente existe e se encontra dentro de um farol abandonado que sempre foi envolvo em tragédias. Em uma das excursões ao referido farol, Parry conhece Dex, um cinegrafista que quer filmar um webshow sobre fantasmas. Os dois já estavam destinados a se conhecer, e este encontro despertou forças há muito esquecidas no reino dos mortos. 

Os mortos nem sempre ficam mortos

Comecei a me debater convulsivamente na água e me deparei com um rosto inchado, túrgido. Não tinha os olhos, por sua pele escorria um liquido escuro, e algas gosmentas saíam de sua boca. Ele submergiu, e eu senti uma mão ossuda agarrar minhas pernas. Gritei enquanto era puxada para baixo, o oceano invadindo minha boca aberta e preenchendo meus pulmões. A luz na superfície ondulava enquanto eu era puxada mais e mais para as profundezas até que a escuridão tomou meus olhos novamente.
Pág.: 124

O que mais me chamou a atenção na obra foi a capacidade que a autora tem para narrar cenas de puro terror. Como podem ver no quote acima, ela tem um talento para, em detalhes, passar para o leitor o que a protagonista está sentindo, seus medos, seu desespero, e isso é algo que me deixou de queixo no chão e em alguns momento com um real medo. Comecei a ler o livro na madrugada de terça-feira e quando terminei a leitura tive que acalmar meus nervos e repetir para mim mesmo que a sombra no canto do quarto era só uma sombra, e não uma criança demoníaca from the hell que veio buscar minha alma (O__O), motivo este que me fez dar continuidade à leitura somente durante o dia. Um fator que me incomodou um pouco foi o excesso de palavras de baixo calão utilizadas nos diálogos. Tudo bem que os americanos conversam assim, e palavras como fuck e shit são comuns em conversas corriqueiras, mas ler sobre isso pode ser um pouco incomodo.  

Os personagens são cativantes e me agradou muito o fato de que Perry não era mais uma adolescente. Não me levem a mal, eu adoro a série A Mediadora, escrita por Meg Cabot, mas chega uma hora que protagonistas adolescentes e todo aquele drama padrão acabam torrando nossa paciência. O que torna Perry tão única é que ela não foge do medo e fica reclamando, muito pelo contrário, ela gosta, sente prazer com esse terror, quase como se isso a fizesse se sentir mais viva. Dex também surpreende por ser mais velho e não ter aquelas crises narcisistas que os protagonistas muitas vezes tem. Ele apresenta uma personalidade instável e ao mesmo tempo madura, pois sabe da realidade e que as contas não se pagam sozinhas, fugindo à ingenuidade da juventude. Sem contar que, segundo a autora, ele tem uma voz tão grave e rouca que em alguns momentos imaginei ele falando com a voz do Cid Moreira, o que foi engraçado. 

Os mistérios deste farol violam a barreira da vida e da morte

Eu só queria enfiar meus braços e minhas pernas nos lençóis e mantê-los seguros. O medo era muito real,
No entanto, eu não conseguia me mexer. Não porque era fisicamente impossível, mas porque eu não queria.
Alguém estava em frente à minha porta.
[...] Por um segundo eu vi a coisa. Um casaco com capuz feito de pele oleosa e úmida e, então, um rosto, sem olhos, mas um sorriso largo, branco. O sorriso se partiu. Gengivas negras. Um abismo. 
Págs.: 23/24

A obra apresenta várias referências à cultura pop atual, como os momento em que a protagonista diz que se vê em um episódio de Ghost Whisperer ou quando relata a satisfação de receber atenção e comentários por um post em um blog. O final da obra deixa claro que esse livro faz parte de uma série e espero ansiosamente que a Editora Única publique todos os volumes no Brasil, pois preciso saber o que será da nossa protagonista e o significado dos avisos que a fantasma idosa de maquiagem borrada deu. Isso é apenas o começo. 

A edição está muito bonita. A arte da capa é simplesmente maravilhosa e repassa bem aquele ar de mistério que envolve o farol. A diagramação está simples, mas bem feita, com um espaçamento entre linhas mediano e letras de um tamanho que proporcionam um leitura fluida e dinâmica. Encontrei dois errinhos de revisão, mas nada que vá interferir no entendimento da obra ou fluências na história. Leitura recomendada.